Sócrates é uma ameaça à liberdade

Fevereiro 5, 2010

No Expresso, por Henrique Raposo:

Sócrates é uma ameaça à liberdade

O “caso Mário Crespo” é apenas o último episódio de uma longa lista de factos que comprova uma coisa: José Sócrates é um político intolerante, que não sabe lidar com a liberdade.

Esta lista foi feita de memória. Uma outra pesquisa, mais apurada, será capaz de apanhar mais factos. Mas estes, por enquanto, chegam:

1. Se a memória não me falha, José Sócrates já processou nove jornalistas. Nove. Isto dá quase uma média de dois por cada ano de governação. Com estas acções judiciais, José Sócrates pretende intimidar toda a classe jornalística, forçando as pessoas que escrevem a fazer uma auto-censura permanente.

2. José Sócrates liga para as redacções e berra com jornalistas .

3. Muitos assessores, e até ministros, ligam para as redacções para berrar com jornalistas. Há dois ou três anos, Silva Pereira telefonou a Mário Crespo. Se não me engano, Crespo disse que a discussão com Silva Pereira não foi menos feia do que a célebre discussão com Valentim Loureiro.

4. No trato com os jornalistas, José Sócrates é constantemente mal-educado. A forma como tratou Judite de Sousa é inacreditável .

5. José Sócrates nunca responde a perguntas. Nem perante os jornalistas, nem perante os deputados. Ou seja, temos um primeiro-ministro que, de facto, nunca foi realmente entrevistado em mais de cinco anos de poder.

6. Numa famosa reunião entre José Sócrates e blogueres, a ligação em directo caiu. Nunca saberemos por que razão a ligação caiu. Mas sabemos que, antes de entrar na dita reunião, José Sócrates deu uma introdução filosófica sobre a “liberdade respeitosa”. Salazar, na tumba, aplaudiu.

7. revista “Sábado” fez este estudo . Elucidativo.

8. José António Saraiva fez estas declarações. Nada aconteceu.

9. O desaparecimento do telejornal de Manuela Moura Guedes. Vamos dar de barato uma coisa: OK, Sócrates não teve nada que ver com o desaparecimento desse telejornal; uma estação de televisão teve apenas um colapso da inteligência e destruiu um dos seus programas mais famosos. Mesmo assim, há várias coisas inadmissíveis neste caso. Pela primeira vez na história da nossa democracia, um político transformou uma jornalista no seu principal adversário político. O PS, de forma “chavista”, montou uma guerra a Manuela Moura Guedes. Depois, já com o JN6 encerrado, José Sócrates ainda jogou umas piadinhas sobre o assunto. Essas piadinhas, que revelam toda uma personagem política pouco recomendável, estão gravadas num vídeo que apanhou os minutos de conversa entre José Sócrates, Francisco Louçã e Judite de Sousa (antes da entrevista na RTP). Esse vídeo esteve disponível aqui neste site.

10. José Sócrates montou guerra ao director do jornal “Público”, José Manuel Fernandes.


A censura como modus-operandi de alguns

Fevereiro 1, 2010

Porque ao menor sinal de alarme [no que toca à censura] acho que ela se deve combater. Porque este não é um sinal “menor”. Porque qualquer atentado à liberdade mexe comigo. Por isso e por muitas outras coisas que daqui se deduzem, faço eco do artigo de Mário Crespo censurado pelo Jornal de Notícias sobre um caso igualmente grave.

Terça-feira dia 26 de Janeiro. Dia de Orçamento. O Primeiro-ministro José Sócrates, o Ministro de Estado Pedro Silva Pereira, o Ministro de Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão e um executivo de televisão encontraram-se à hora do almoço no restaurante de um hotel em Lisboa. Fui o epicentro da parte mais colérica de uma conversa claramente ouvida nas mesas em redor. Sem fazerem recato, fui publicamente referenciado como sendo mentalmente débil (“um louco”) a necessitar de (“ir para o manicómio”). Fui descrito como “um profissional impreparado”.

Que injustiça. Eu, que dei aulas na Independente. A defunta alma mater de tanto saber em Portugal. Definiram-me como “um problema” que teria que ter “solução”. Houve, no restaurante, quem ficasse incomodado com a conversa e me tivesse feito chegar um registo. É fidedigno. Confirmei-o. Uma das minhas fontes para o aval da legitimidade do episódio comentou (por escrito): “(…) o PM tem qualidades e defeitos, entre os quais se inclui uma certa dificuldade para conviver com o jornalismo livre (…)”. É banal um jornalista cair no desagrado do poder. Há um grau de adversariedade que é essencial para fazer funcionar o sistema de colheita, retrato e análise da informação que circula num Estado. Sem essa dialéctica só há monólogos. Sem esse confronto só há Yes-Men cabeceando em redor de líderes do momento dizendo yes-coisas, seja qual for o absurdo que sejam chamados a validar. Sem contraditório os líderes ficam sem saber quem são, no meio das realidades construídas pelos bajuladores pagos. Isto é mau para qualquer sociedade. Em sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta. Executivos saudáveis procuram-nos e distanciam-se dos executores acríticos venerandos e obrigados. Nas comunidades insalubres e nas lideranças decadentes os contraditórios são considerados ofensas, ultrajes e produtos de demência. Os críticos passam a ser “um problema” que exige “solução”. Portugal, com José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e com o executivo de TV que os ouviu sem contraditar, tornou-se numa sociedade insalubre. Em 2010 o Primeiro-ministro já não tem tantos “problemas” nos media como tinha em 2009. O “problema” Manuela Moura Guedes desapareceu. O problema José Eduardo Moniz foi “solucionado”. O Jornal de Sexta da TVI passou a ser um jornal à sexta-feira e deixou de ser “um problema”. Foi-se o “problema” que era o Director do Público. Agora, que o “problema” Marcelo Rebelo de Sousa começou a ser resolvido na RTP, o Primeiro Ministro de Portugal, o Ministro de Estado e o Ministro dos Assuntos Parlamentares que tem a tutela da comunicação social abordam com um experiente executivo de TV, em dia de Orçamento, mais “um problema que tem que ser solucionado”. Eu. Que pervertido sentido de Estado. Que perigosa palhaçada.

Nota: Artigo originalmente redigido para ser publicado hoje (1/2/2010) na imprensa.

Mais informação sobre o caso pode ser encontrada nestes artigos:

A propósito desta última desculpa [do governo], por curiosidade fui procurar o significado de “calhandrice”. Ignorância a minha, mas também do dicionário, pois fiquei na mesma. Será que é um termo de alguma novilíngua?

Mas a consulta ao dicionário não foi em vão. “Calhandros” é uma «espécie de bacio grande, onde se despejam os bacios pequenos». Interessante!

“Calhandra” diz respeito ao «nome vulgar extensivo a uns pássaros, da família dos Alaudídeos, também conhecidos por calandra, cochicho, cotovia, laverca, carreirola». Menos interessante, mas aumenta a cultura!

Tudo isto é fado, a censura é que não.


O que é preciso é… conter salários

Fevereiro 1, 2010

Um texto rigorosíssimo:

Responsabilidade e rigor técnico
Ou: Pronto, Leva Lá a Bicicleta

Quem me conhece sabe que eu sou um bocado obtuso, teimoso e difícil de ensinar; mas mesmo com estas deficiências todas seria impossível ouvir tanto tempo os nossos políticos a dizer a mesma coisa, com o aval entusiástico dos líderes das confederações patronais, dos jornalistas de negócios e dos economistas do regime, sem acabar por lhes reconhecer razão.

Então é assim:

Se há perigo de inflação, é preciso conter os salários.

Se há perigo de deflação, é preciso conter os salários.

Se a crise é económica, é preciso conter os salários.

Se a crise é financeira, é preciso conter os salários.

Se não estamos em crise, é preciso aproveitar para melhorar a competitividade – e portanto conter os salários.

Se o défice das contas do Estado está alto, é preciso conter os salários.

Se o défice das contas do Estado está baixo, é preciso não entrar em euforia – e conter os salários, claro está.

Se o desemprego está alto, é preciso encorajar as empresas a empregar mais gente – o que só se consegue contendo os salários.

Se o desemprego está baixo, os salários tendem a subir – e portanto contê-los é mais necessário que nunca.

Finalmente percebi. Não vale a pena perguntar em que circunstâncias é que os salários podem aumentar: a resposta politicamente responsável e tecnicamente rigorosa é que não podem aumentar em circunstâncias nenhumas.


Os professores são mesmo poderosos!!

Janeiro 30, 2010

Noticia o jornal i:

Se o aluno chumba o ano, a culpa é do professor; se o aluno desiste de estudar, a culpa também é do professor; e se o aluno falta às aulas, a culpa é outra vez do professor. O sucesso escolar de uma criança está sempre nas mãos do professor. Nem as origens socioeconómicas nem o contexto familiar servem de justificação – a culpa é sempre da escola, que não soube encontrar as estratégias certas para ensinar os seus alunos.

Esta é a convicção de Paul Pastorek, superintendente para a Educação no estado de Luisiana nos EUA. Mais do que uma crença é uma teoria que o responsável máximo pela educação em Luisiana diz poder comprovar com dados estatísticos (ver caixa).

(…)

Este senhor deve ser muito especial, ou então foi muito infeliz na forma como se expressou (mesmo se diz que o pode comprovar com dados estatísticos… e todos sabemos como a estatística pode ser mentirosa e manipuladora). Defender isto é semelhante a dizer que qualquer criança pode ser qualquer coisa, dependendo apenas dos pais; que qualquer trabalhador pode ser o melhor e desempenhar qualquer tarefa, dependendo apenas dos patrões; que qualquer cidadão pode ser um cidadão modelo, dependendo apenas dos políticos!?

A verdade é que o professor pode ter alguma influência, para o bem e para o mal, mesmo quando as condições socioeconómicas e/ou familiares são adversas. Mas alguma influência não significa que possa mudar a vida de um aluno, mesmo se falamos apenas da vida escolar.


Chineses cruzam muralha

Janeiro 30, 2010

Pode custar, pode demorar séculos, pode exigir sacrifícios, pode pedir recuos maiores que os avanços, mas acontece: no limite, a liberdade é a vencedora.

Na China, assim acabará por acontecer. Este é mais um exemplo de como os focos de insatisfação e de procura de soluções contra a censura chinesa existem e vão fazendo o seu caminho.

Chineses usam servidores de redes privadas para cruzar muralha

As redes virtuais privadas (VPN) estão avançando discretamente na China como forma de acesso a sites proibidos pelo governo e, ao menos enquanto esses serviços pagos não ganham mais popularidade, as autoridades não estão interferindo.

As VPN criadas para uso seguro de internet em escritórios se espalharam no último semestre entre moradores estrangeiros no país e os chineses interessados em tecnologia, depois do bloqueio ao popular site de redes sociais Facebook.

O Twitter e o YouTube também estão bloqueados na China, que usa um “firewall” de filtragem a fim de impedir o acesso dos usuários de Internet a conteúdo de sites estrangeiros que represente contestação ao Partido Comunista.

A ascensão das VPNs surge enquanto a China defende sua censura sobre a internet, depois que o maior serviço mundial de buscas, o Google, ameaçou fechar seu site chinês Google.cn, devido à censura e a um grave ataque de hackers.

“Desde que a VPN opere de fora da China continental, não deve haver problema”, disse Danny Levinson, editor do site ChinaTechNews.com. “Usamos uma VPN própria e ela funciona bem.”

As autoridades chinesas raramente bloqueiam as VPNs baseadas no exterior, e é provável que não interfiram com elas enquanto o número de usuários se mantiver pequeno, avaliou um veterano analista de tecnologia da informação em Pequim.

“É como uma pequena válvula de escape”, disse o analista. “Mas se o exército de internautas chineses começar a usar esse tipo de coisa, haverá problemas.”

O governo age agressivamente contra os servidores proxy gratuitos, que são mais comuns e também podem ser usados para desbloquear sites proibidos. As VPN estrangeiras pagas só foram bloqueadas uma vez, antes do Dia da Nação, em outubro do ano passado, dizem os usuários.

Cerca de 10 serviços estrangeiros de VPN são populares na China, mas não existem estimativas quanto ao número de usuários, disseram analistas chineses de tecnologia da informação.

As VPNs funcionam como uma camada adicional por sobre as redes de computadores mais amplas, e usam cifragem para tornar mais seguro o tráfego privado, no ambiente menos seguro da Internet.


iTablet

Janeiro 27, 2010

A Apple, pela voz de Steve Jobs, deverá fazer hoje às 18 horas aquela que poderá ser a sua grande revelação do ano. Trata-se do iTablet, um  tablet pc (ou um netbook sem teclado) que reúne num único dispositivo um portátil, um telemóvel, uma consola de jogos e um leitor de livros electrónicos. Não há garantias de que o nome oficial seja iTablet. Há apostas para iTablet, iPad ou iSlate. O preço deverá situar-se entre os 800 e os 1000 dólares.

Isoladamente parece não trazer nada de revolucionário. No entanto, juntando várias funções num único dispositivo, associadas a um design e a uma interface minimalistas, funcional e intuitivo – valores que têm caracterizado os produtos da Apple -, poderá revelar-se um factor de mudança nos hábitos sociais e no uso dado à tecnologia. A ocorrer, a chave desta mudança não estará apenas no dispositivo, mas antes na [expectável] inovação no acesso a conteúdos como livros ou jornais. A ocorrer, a grande inovação estará no papel desempenhado pelo iTablet: intermediário entre os produtores de conteúdos e o consumidor.


Eco-Inteligência e transparência radical

Janeiro 19, 2010

Eco-Inteligência, de Daniel Goleman, o mesmo autor de “Inteligência emocional” e “Inteligência Social”, é uma das minhas leituras do momento. Um livro actual, realista e com uma visão de futuro.

O autor passa por conceitos como a inteligência ecológica, a miragem de alguns produtos apresentados como ecológicos, o greenwashing, as ACV (Análises do Ciclo de Vida), apresentando um conceito novo a que chama «transparência radical».

(Retirado da pág. 21)

O Visuddhimagga, um texto indiano do século v, apresenta-nos um enigma: «Onde se situa ao certo aquilo a que chamamos “carro”? Será nos eixos, nas rodas, na estrutura? Será nas barras que está ligadas ao cavalo?»

A resposta: em lado nenhum. Aquilo que designamos pelo termo «carro» refere-se à disposição temporária dos seus componentes. É uma ilusão.

(Retirado da pág. 96)

Digamos que não quero apenas o gravador mais barato que conseguir encontrar. Quero um que tenha sido feito através de um processo que não exponha os trabalhadores a toxinas, e que seja o menos prejudicial para o ambiente possível quando me desfizer dele. Com uma transparência ecológica completa, poderia saber qual deles escolher. Quanto mais sistemática e abrangente essa transparência se tornar, melhores as escolhas para os consumidores.

A transparência ecológica torna-se radical quando a sua análise engloba todo o ciclo de vida de um produto e toda a gama de consequências em cada passo (…)

Eco-Inteligência, de Daniel Goleman, o mesmo autor de “Inteligência emocional” e “Inteligência Social”, é uma das minhas leituras do momento. Um livro actual, realista e com uma visão de futuro.


Correio da manhã é o jornal mais lido

Janeiro 15, 2010

Diz o Correio da Manhã em causa própria:

CM é o jornal mais lido em Portugal

O Correio da Manhã é o jornal mais vendido e também o mais lido em Portugal, confirmam os dados revelados ontem pela Marktest, empresa de audimetria. No quarto trimestre de 2009, e apesar da crise instalada, o diário da Cofina registou um índice de leitura de 12,8, ultrapassando assim o valor registado no período homólogo de 2008.

Em segundo lugar na lista de jornais e revistas de informação mais lidos em Portugal surge o ‘Jornal de Notícias’, da Controlinveste, com uma audiência de 12,2.

(…)

Não me surpreende, nem que o Jornal de Notícias fique em segundo lugar. Apenas confirma aquela sensação que permite perceber uma série de coisas que vão acontecendo neste belo rectângulo entre a o atlântico e o resto da Europa.

Enquanto a maior parte da sociedade preferir andar a par dos crimes e das notícias que estimulam emoções primárias, mais distante ficará a intervenção e a escolha informada, próprias de uma sociedade consciente de si própria, com elevados níveis de civismo e de desenvolvimento humano.


Haiti

Janeiro 14, 2010

Somos realmente frágeis (todos, sem excepção!).

Haiti: primeiro-ministro fala em “bem mais de cem mil mortos”

Poderão ter morrido “bem mais de cem mil pessoas” no terramoto no Haiti, afirmou à estação de televisão norte-americana CNN o primeiro-ministro do país, Jean-Max Bellerive. A afirmação segue-se às declarações do Presidente, René Préval, que falou da possibilidade de terem morrido milhares de pessoas no sismo, que causou ainda danos “inimagináveis”.

Sabia-se já que três milhões de pessoas foram afectadas – ou seja, um terço da população. O tremor de terra – que com magnitude 7 foi o pior no país em 200 anos – fez ruir o palácio presidencial, o Parlamento, um edifício da ONU, escolas, hospitais e casas de lata à beira de ravinas. A capital do Haiti, Port-au-Prince, ficou coberta com um manto de poeira de edifícios destruídos.

O Presidente disse ainda que se ouviam gritos de pessoas sob os escombros do edifício do Parlamento, onde ainda estava soterrado o presidente do Senado.
(…)

Mas compreender e aceitar isso só nos vai tornar mais fortes, pelo menos do ponto de vista humano.


Nexus One

Janeiro 6, 2010

Quando a google decide lançar um novo produto convém ver do que se trata. Neste caso, não só convém ver do que se trata mas observar em detalhe, ou não estivéssemos a falar da entrada da Google no mercado dos equipamentos de comunicação móvel. Este smartphone será com certeza mais um passo importante no caminho da Internet always on, com os serviços que utilizamos no computador [realmente] acessíveis a partir de qualquer lugar.

Foi uma entrada preparada há algum tempo através do sistema operativo Android, que já vai na versão 2.1 – a incluída neste telefone. Não é, portanto, o primeiro telemóvel com o sistema da google. Mas é o primeiro que se assume em pleno, sem medos e com vontade de enfrentar pesos pesados como o consolidado iPhone.

O modelo de comercialização também é inovador. Pode ser adquirido a partir daqui, embora não ainda em Portugal.

Neste telefone 3G fabricado pela HTC, de entre as características técnicas destaca-se o processador Qualcomm QSD 8250 1 GHz, o sistema AGPS, a câmara de 5 MP e o sistema speech-to-text que permite ditar texto para escrever um email ou enviar mensagens no twitter.