Uma breve reflexão a propósito das faces visíveis, das ocultas e das semi:
Se a transparência fosse um valor para todos, não haveria faces ocultas.
E também uma não-reflexão:
Estou en(j)o(j)ado de tanta opacidade.
Uma breve reflexão a propósito das faces visíveis, das ocultas e das semi:
Se a transparência fosse um valor para todos, não haveria faces ocultas.
E também uma não-reflexão:
Estou en(j)o(j)ado de tanta opacidade.
Retirado do livro “A sabedoria de Gandhi”, uma compilação de Richard Attenborough (tradução de Ângelo dos Santos Pereira).
O caminho para a paz é o caminho para a verdade. A verdade é inclusivamente mais importante do que a paz. De facto, a mentira é a mãe da violência. Um homem sincero não pode ser violento durante muito tempo. Durante a sua busca perceberá que não tem necessidade de ser violento e descobrirá, para além do mais, que enquanto houver nele o menor rasto de violência, não encontrará a verdade na sua busca.
Não existem caminhos intermédios entre a verdade e a não-violência, por um lado, e a falsidade e a violência, por outro.
Após a recente polémica sobre as declarações de José Saramago acerca da Bíblia, decidi iniciar uma leitura protelada há algum tempo. Da Bíblia, claro está. Comecei pelo Evangelho segundo Mateus, do Novo Testamento.
Sobre o (em minha opinião) omnipresente maniqueísmo e a tendência para encaixar tudo em termos de “bem” ou de “mal”, deixo algumas passagens a que gostaria de voltar mais tarde.
«Ninguém pode servir a dois patrões: ou não gosta de um deles e estima o outro, ou há-de ser leal para um e desprezar o outro. Não podem servir a Deus e ao dinheiro.»
Também me parece interessante a discussão sobre a “carga” machista que encontrei em várias passagens, como esta:
«Também foi dito: Todo o homem que se divorciar da sua mulher deve passar-lhe uma declaração. Mas eu digo-vos: Todo o homem que se divorciar da sua mulher, excepto no caso de adultério, é culpado de a expor ao adultério. E o homem que casar com ela também comete adultério.»
E porque alguém falou no pior da natureza humana:
«Todo aquele que se declarar a meu favor diante dos homens, também eu farei o mesmo por ele diante do meu Pai que está nos céus. Mas àquele que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante do meu Pai que está nos céus.»
«Não pensem que vim trazer a paz à Terra. Não vim trazer a paz, mas a guerra. Vim, de facto, trazer a divisão entre filho e pai, filha e mãe, nora e sogra: os inimigos de uma pessoa serão os da sua própria família.
Aquele que amar o pai ou a mãe mais do que a mim, não é digno de mim; e o que amar o filho ou a filha mais do que a mim, não é digno de mim. Aquele que não pegar na sua cruz e não me seguir, não é digno de mim. Aquele que pensa que tem a sua vida segura, perde-a, mas aquele que me perder a sua vida por minha causa é que a tem segura.»
A outra parte da discussão que me interessa, passa pelo que deve e pelo que não deve ser interpretado literalmente na Bíblia. Se durante séculos foi feita pela Igreja uma interpretação literal, porque não a poderemos fazer agora? Mas se a interpretação literal não é aconselhada, abre-se o campo a todo um universo de subjectividades. Quem dita aquelas que serão válidas?
Lembro-me dos Gato Fedorento (ou teria sido apenas Ricardo Araújo Pereira?) terem dito que se pode fazer humor com tudo excepto com o que é sagrado. E acrescentaram/ou (não necessariamente por esta ordem): para uns é sagrado o clube de futebol, para outros a família, para outros a religião, …
Conclusão [óbvia?]: podemos fazer humor com tudo.
Nesse espírito, fica uma espécie de fluxograma para escolher a religião mais compatível com cada um.
(Imagem retirada daqui)
Diz o Sol:
Portugal cai de 16.º para 30.º nos países que mais respeitam os jornalistas
A organização Repórteres Sem Fronteiras considera que a liberdade de imprensa diminuiu este ano em Portugal, com uma queda do 16.º para o 30.º lugar na lista dos países que mais respeitam o trabalho dos jornalistas
Apesar de classificar Portugal como estando «em boa situação» face à liberdade de imprensa, a organização internacional afirma ter-se verificado uma queda de 14 posições na lista dos mais respeitadores da liberdade de imprensa, passando a estar ao mesmo nível da Costa Rica e do Malí.
No ano passado, Portugal estava em 16.º lugar, a par da Holanda, Lituânia e República Checa.
A Repórteres Sem Fronteiras alerta ainda que a Europa, em conjunto, recuou em termos de liberdade de impressa.
«A Europa, que foi durante muito tempo um exemplo em matéria de respeito pela liberdade de imprensa», recuou na lista, contabilizando apenas 15 países na lista dos 20 primeiros classificados, contra os habituais 18.
Claro que não podemos generalizar. Claro que há jornalistas excelentes. Claro, também, que muitos jornalistas podiam fazer melhor trabalho e serem mais respeitados. Claro que alguns não o fazem porque têm que “tratar da vidinha” e o emprego está difícil para quem se rege por alguns princípios éticos. Claro que há aqueles que não resistem às pressões. Claro que também há jornalistas que resistem.
Claro que há órgãos de comunicação que estão vendidos. Claro que esses órgãos dão emprego a muita gente. Claro que isto é só parte da história.
Mas há quem esteja atento a coisas como a recessão censurada ou os insultos omitidos. Há quem tenha estado atento a telejornais como o de dia 17 (vi o da SIC e o da TVI) que deram a notícia da comemoração dos 100 anos do liceu Camões, mostrando apenas as intervenções politicamente correctas e incipientes do Presidente da República e da Ministra da Educação, não tocando numa palavra do aluno que acusou o Ministério da Educação de “tirar credibilidade à democracia”.
Há todos os outros exemplos que conheço-mas-que-não-me-apetece-lembrar-porque-já-dá-para-ver-onde-quero-chegar. Há todos aqueles de que não me apercebi (mas que devem existir!!) porque a-minha-vida-não-é-caçar-jornais/notícias-tipo-mentirosos.
Com isto tudo, parece que ainda não me tinha apercebido que Portugal caiu de 16º para 30º.
Pensei que ainda estava [só] pelo 29º!
O MG2, nome de código para a segunda versão do computador Magalhães, prepara-se para entrar no mercado nacional no primeiro minuto de dia 22. (Parece que já começam aqui os problemas, digo, bugs. Então não devia ser no minuto 2? – pergunto eu.)
As novidades e as veleidades sobre o MG2, segundo o Jornal de Negócios:
Dentro de uma semana, chega ao mercado o MG2, a nova versão do computador Magalhães. O MG2 vem equipado com o novo sistema operativo da Microsoft, o Windows 7, em Português.
No dia 22 de Outubro, vai ser lançada a nova versão do computador Magalhães, o MG2, produzido pela empresa JP Sá Couto.
Em comunicado a empresa refere que a nova versão do Magalhães “apoia-se em três pilares fundamentais: ‘para aprender mais’, ‘para descobrir mais’ e ‘para estar mais perto’”.
O MG2 vem equipado com novo sistema operativo da Microsoft, o Windows 7, em Português e pode ser adquirido por 329 euros ou 399 euros se for a edição especial.
Ena pá! Com direito a edição especial e tudo.
Pudéssemos ter acedido [antes das eleições] aos resultados escolares dos alunos que têm, nos últimos dias, dado origem a uma série de rankings mais ou menos redutores, e teríamos podido discutir o impacto [muito negativo] – mesmo se falando apenas de resultados dos exames – que as medidas do anterior governo tiveram no ensino público.
Pudéssemos ter acedido [antes das eleições] ao estudo que arrasa a justiça portuguesa e os resultados que a reforma penal (também do anterior governo) tiveram.
Pudéssemos ter discutido [antes das eleições] as previsões para o défice público.
Pudéssemos ter sabido [antes das eleições] da condenação da ERC sobre o caso TVI.
Pudéssemos ter concluídos [antes das eleições] os processos Freeport e Casa Pia.
Por que será que não pudemos?
Pudéssemos…
Quais teriam sido os resultados das eleições legislativas?
Onde é que já vai o objectivo dos [famosos] 3%?
Diz o Correio da Manhã que o défice pode chegar aos 9,2%. Alguns economistas falam mesmo num défice de 10%.
Por que será que [alguns] políticos não falam [agora] dele? Têm outra desculpa para tudo o que fazem e para o que não fazem – a crise. O importante é ter desculpas. Quando esta acabar, volta-se ao défice.
A propósito, convém recordar este vídeo com menos de 1 ano.
O título é exagerado – assumo-o desde já -, até porque muito haveria a dizer sobre o que será isso de um país dominar outro, ou, por outro lado, sobre qual o melhor caminho para a humanidade e para o planeta – discussão muito mais relevante do que aquelas baseadas nas noções algo provincianas e mais-século-menos-século ultrapassadas, de país, de pátria ou de nação.
Mas o exagero é em relação à notícia, não em relação às reais possibilidades da China face às fragilidades de Portugal!
Que notícia? Esta que descobri no blogue Peopleware, motivado pelo Público, onde se lança uma discussão delicada e que certamente tocará em muitas sensibilidades. Dizem eles, entre outras coisas:
Um relatório divulgado esta semana afirma que informação sensível do Estado português foi roubada por uma rede informática sediada na China.
(…)
O relatório foi publicado por uma empresa de segurança informática portuguesa, chamada Trusted Technologies e que é praticamente desconhecida. Os autores dizem ter entrado nos servidores da GhostNet e encontrado, entre outros dados, informação capaz de facultar o acesso a bases de dados do Ministério da Justiça, ficheiros sobre o sistema que gere as eleições em Portugal, documentos da Polícia Judiciária e informação sobre juízes e magistrados. A empresa diz ter uma cópia de toda esta informação, que só divulgará se existir “autorização expressa pelas entidades competentes”.
(…)
“Em teoria”, garantiu Vieira, a informação encontrada nos computadores chineses “põe em causa a segurança das instituições” e permite alterar bases de dados como as do Registo Predial ou até interferir com a contagem de votos numa eleição.
(…)
Nada disto me surpreende. Estranho é se for apenas isso.
Um país com o potencial da China, com cerca de 1,3 biliões de pessoas, com um modelo social que consiste em explorar o potencial máximo de cada indivíduo dando-lhe o mínimo necessário para o atingir, pode fazer bem mais. Se juntarmos a isso uma grande compreensão do ocidente, que não é recíproca, uma atitude dominadora e paciente, e a crescente dependência dos estilos de vida ocidentais em relação a um também crescente número de produtos chineses (preço, abundância, qualidade, etc.), não é difícil perceber onde vamos parar.
Se nos concentramos apenas nas tecnologias da informação e comunicação, por conveniência de raciocínio e por associação à notícia, se pensarmos na complexidade do software que utilizamos diariamente, nas imensas camadas que todos usamos mas que muitos nem imaginam que existem, nos milhões de linhas de código, em todos os programas inseridos ou instalados em produtos fabricados na China. Se a isso juntarmos a rápida e crescente propagação destes produtos (só um exemplo para concretizar: experimentem ver onde são fabricadas a maior parte das pens de banda larga móvel), não será difícil imaginar algumas cenários no mínimo assustadores…
Finalmente aparece alguém com peso no espaço da opinião pública na área da saúde para contrariar o “pensamento único” ou “informação única” que tem dominado este assunto.
O Bastonário da Ordem dos Médicos diz que há excesso de alarme na resposta à Gripe A. Também me parece. Estranho é que praticamente toda a comunicação social embarque nesta onda e nos ande a distrair dos problemas realmente importantes e estruturais.
Diz o bastonário:
“o melhor contributo da Ordem dos Médicos é chamar a atenção dos médicos e, através deles, das pessoas, de que isto é uma doença banalíssima e que não é preciso andarmos todos assustados”.