O modelo do sucesso

Novembro 25, 2009

Nas nossas vidas, há uma série de coisas que por muito que nos esforcemos não conseguimos definir. São imensas! Uma delas, escolhida quase ao acaso, é o sucesso. Entendamos sucesso como êxito. O que significa tê-lo? O que é necessário para consegui-lo? Como atingi-lo?

É ter dinheiro? Quanto?

É ter boas notas na escola? O que são boas notas? Em que escola?

É ter amigos? O que é um amigo?

É ser influente? Como se consegue influência?

É ser reconhecido? Em quê? Por quem?

Tantas perguntas! Outras tantas respostas e tão diferentes seriam dadas por cada um de nós.

Não nos percamos. Há um modelo a aplicar – pelo menos neste rectângulo a que se chama Portugal. Bem, talvez se aplique igualmente em alguns outros países latinos!

O modelo é simples. Basta mostrar que se tem, aparentar que se sabe, parecer confiante e não ser sensível ao outro. É o modelo “construtor civil” (desculpem-me os poucos que não seguem este modelo – acredito que existam alguns!). Passeiam-se num dos vários carros topo de gama que têm na garagem, mesmo se nenhum está em seu nome. Têm várias casas, todas em nome da mulher (vivem juntos mas em muitos casos até se divorciaram porque dá jeito), dos filhos ou de um irmão mais burrinho. A casa onde vivem é da empresa (podem sempre vendê-la como nova se for um bom negócio). Não sabem o que é um compromisso. Datas e horas marcadas previamente não fazem qualquer sentido. Verdade e mentira são conceitos vagos – noções para os outros. Para eles, ajustam-se a cada situação consoante a conveniência. Apertar um parafuso ou qualquer outra actividade prática, por mais simples que seja, nem pensar – há-de haver quem o faça. Os exemplos abundam. Ficam alguns para ilustrar a ideia. E cuidado com as ilusões -nem todos são construtores. Para evitar confusões, talvez seja melhor chamar-lhe modelo “chico-esperto”.

Até quando “vamos” continuar a valorizar socialmente este modelo de sucesso?


Fragilidades

Novembro 18, 2009

Temos tantas fragilidades e gostamos de parecer tão fortes.

Outras vezes, temos tanta força e pensamos ser tão frágeis.


Certezas

Novembro 15, 2009

Depois de reflectir sobre algumas situações com que nos deparamos, chego a estas conclusões (obviamente, sem certezas):

- As dúvidas são as certezas dos fortes.

- As certezas são a força dos fracos.


Face visível

Novembro 14, 2009

Uma breve reflexão a propósito das faces visíveis, das ocultas e das semi:

Se a transparência fosse um valor para todos, não haveria faces ocultas.

E também uma não-reflexão:

Estou en(j)o(j)ado de tanta opacidade.


Paz

Novembro 8, 2009

Retirado do livro “A sabedoria de Gandhi”, uma compilação de Richard Attenborough (tradução de Ângelo dos Santos Pereira).

O caminho para a paz é o caminho para a verdade. A verdade é inclusivamente mais importante do que a paz. De facto, a mentira é a mãe da violência. Um homem sincero não pode ser violento durante muito tempo. Durante a sua busca perceberá que não tem necessidade de ser violento e descobrirá, para além do mais, que enquanto houver nele o menor rasto de violência, não encontrará a verdade na sua busca.

Não existem caminhos intermédios entre a verdade e a não-violência, por um lado, e a falsidade e a violência, por outro.


A Bíblia

Novembro 3, 2009

Após a recente polémica sobre as declarações de José Saramago acerca da Bíblia, decidi iniciar uma leitura protelada há algum tempo. Da Bíblia, claro está. Comecei pelo Evangelho segundo Mateus, do Novo Testamento.

Sobre o (em minha opinião) omnipresente maniqueísmo e a tendência para encaixar tudo em termos de “bem” ou de “mal”, deixo algumas passagens a que gostaria de voltar mais tarde.

«Ninguém pode servir a dois patrões: ou não gosta de um deles e estima o outro, ou há-de ser leal para um e desprezar o outro. Não podem servir a Deus e ao dinheiro.»

Também me parece interessante a discussão sobre a “carga” machista que encontrei em várias passagens, como esta:

«Também foi dito: Todo o homem que se divorciar da sua mulher deve passar-lhe uma declaração. Mas eu digo-vos: Todo o homem que se divorciar da sua mulher, excepto no caso de adultério, é culpado de a expor ao adultério. E o homem que casar com ela também comete adultério.»

E porque alguém falou no pior da natureza humana:

«Todo aquele que se declarar a meu favor diante dos homens, também eu farei o mesmo por ele diante do meu Pai que está nos céus. Mas àquele que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante do meu Pai que está nos céus.»

«Não pensem que vim trazer a paz à Terra. Não vim trazer a paz, mas a guerra. Vim, de facto, trazer a divisão entre filho e pai, filha e mãe, nora e sogra: os inimigos de uma pessoa serão os da sua própria família.

Aquele que amar o pai ou a mãe mais do que a mim, não é digno de mim; e o que amar o filho ou a filha mais do que a mim, não é digno de mim. Aquele que não pegar na sua cruz e não me seguir, não é digno de mim. Aquele que pensa que tem a sua vida segura, perde-a, mas aquele que me perder a sua vida por minha causa é que a tem segura.»

A outra parte da discussão que me interessa, passa pelo que deve e pelo que não deve ser interpretado literalmente na Bíblia. Se durante séculos foi feita pela Igreja uma interpretação literal, porque não a poderemos fazer agora? Mas se a interpretação literal não é aconselhada, abre-se o campo a todo um universo de subjectividades. Quem dita aquelas que serão válidas?


Escolher que religião seguir

Outubro 26, 2009

Lembro-me dos Gato Fedorento (ou teria sido apenas Ricardo Araújo Pereira?) terem dito que se pode fazer humor com tudo excepto com o que é sagrado. E acrescentaram/ou (não necessariamente por esta ordem): para uns é sagrado o clube de futebol, para outros a família, para outros a religião, …

Conclusão [óbvia?]: podemos fazer humor com tudo.

Nesse espírito, fica uma espécie de fluxograma para escolher a religião mais compatível com cada um.

caminho_religioso

(Imagem retirada daqui)


Ainda não me tinha apercebido!

Outubro 20, 2009

Diz o Sol:

Portugal cai de 16.º para 30.º nos países que mais respeitam os jornalistas

A organização Repórteres Sem Fronteiras considera que a liberdade de imprensa diminuiu este ano em Portugal, com uma queda do 16.º para o 30.º lugar na lista dos países que mais respeitam o trabalho dos jornalistas

Apesar de classificar Portugal como estando «em boa situação» face à liberdade de imprensa, a organização internacional afirma ter-se verificado uma queda de 14 posições na lista dos mais respeitadores da liberdade de imprensa, passando a estar ao mesmo nível da Costa Rica e do Malí.

No ano passado, Portugal estava em 16.º lugar, a par da Holanda, Lituânia e República Checa.

A Repórteres Sem Fronteiras alerta ainda que a Europa, em conjunto, recuou em termos de liberdade de impressa.

«A Europa, que foi durante muito tempo um exemplo em matéria de respeito pela liberdade de imprensa», recuou na lista, contabilizando apenas 15 países na lista dos 20 primeiros classificados, contra os habituais 18.

Claro que não podemos generalizar. Claro que há jornalistas excelentes. Claro, também, que muitos jornalistas podiam fazer melhor trabalho e serem mais respeitados. Claro que alguns não o fazem porque têm que “tratar da vidinha” e o emprego está difícil para quem se rege por alguns princípios éticos. Claro que há aqueles que não resistem às pressões. Claro que também há jornalistas que resistem.

Claro que há órgãos de comunicação que estão vendidos. Claro que esses órgãos dão emprego a muita gente. Claro que isto é só parte da história.

Mas há quem esteja atento a coisas como a recessão censurada ou os insultos omitidos. Há quem tenha estado atento a telejornais como o de dia 17 (vi o da SIC e o da TVI) que deram a notícia da comemoração dos 100 anos do liceu Camões, mostrando apenas as intervenções politicamente correctas e incipientes do Presidente da República e da Ministra da Educação, não tocando numa palavra do aluno que acusou o Ministério da Educação de “tirar credibilidade à democracia”.

Há todos os outros exemplos que conheço-mas-que-não-me-apetece-lembrar-porque-já-dá-para-ver-onde-quero-chegar. Há todos aqueles de que não me apercebi (mas que devem existir!!) porque a-minha-vida-não-é-caçar-jornais/notícias-tipo-mentirosos.

Com isto tudo, parece que ainda não me tinha apercebido que Portugal caiu de 16º para 30º.

Pensei que ainda estava [só] pelo 29º!


MG2: Magalhães 2 a 22

Outubro 17, 2009

magalhaes2pqEle está aí à espreita.

O MG2, nome de código para a segunda versão do computador Magalhães, prepara-se para entrar no mercado nacional no primeiro minuto de dia 22. (Parece que já começam aqui os problemas, digo, bugs. Então não devia ser no minuto 2? – pergunto eu.)

As novidades e as veleidades sobre o MG2, segundo o Jornal de Negócios:

Dentro de uma semana, chega ao mercado o MG2, a nova versão do computador Magalhães. O MG2 vem equipado com o novo sistema operativo da Microsoft, o Windows 7, em Português. 

No dia 22 de Outubro, vai ser lançada a nova versão do computador Magalhães, o MG2, produzido pela empresa JP Sá Couto

Em comunicado a empresa refere que a nova versão do Magalhães “apoia-se em três pilares fundamentais: ‘para aprender mais’, ‘para descobrir mais’ e ‘para estar mais perto’”.

O MG2 vem equipado com novo sistema operativo da Microsoft, o Windows 7, em Português e pode ser adquirido por 329 euros ou 399 euros se for a edição especial.

Ena pá! Com direito a edição especial e tudo.


O que não interessa saber antes

Outubro 15, 2009

Pudéssemos ter acedido [antes das eleições] aos resultados escolares dos alunos que têm, nos últimos dias, dado origem a uma série de rankings mais ou menos redutores, e teríamos podido discutir o impacto [muito negativo] – mesmo se falando apenas de resultados dos exames – que as medidas do anterior governo tiveram no ensino público.

Pudéssemos ter acedido [antes das eleições] ao estudo que arrasa a justiça portuguesa e os resultados que a reforma penal (também do anterior governo) tiveram.

Pudéssemos ter discutido [antes das eleições] as previsões para o défice público.

Pudéssemos ter sabido [antes das eleições] da condenação da ERC sobre o caso TVI.

Pudéssemos ter concluídos [antes das eleições] os processos Freeport e Casa Pia.

Por que será que não pudemos?

Pudéssemos…

Quais teriam sido os resultados das eleições legislativas?