Desperdícios

No final da semana passada (quinta ou sexta-feira), tinha na caixa do correio este folheto. Se ignorarmos que tem um autocolante “Publicidade, aqui não”, passemos às outras razões por que o folheto não deveria estar lá:

  • Publicita o Dia da Europa, a 9 de Maio, tendo sido distribuído fora do prazo. Na melhor das hipóteses foi depositado na caixa de correio no dia 12 de Maio;
  • Não compreendo a relação entre o verso do folheto e o conteúdo no seu interior;
  • É um folheto pouco claro, vago, auto-elogioso e proveniente de uma instituição pública que não deveria ter necessidade de se auto-promover;
  • Foi pago com dinheiros públicos que seriam certamente melhor empregues noutro âmbito.

Terá isto sido uma forma de obter mais um financiamento em algum programa “cego”, sendo preciso mostrar trabalho, digo, iludir trabalho?

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8 Responses to Desperdícios

  1. João Leal diz:

    🙂
    Sabes que nesse tipo de programas há €€€ para publicidade. Caso não se faça … o dinheiro não vem! Assim justifica-se o dinheiro que se gastou, mesmo que o que era para publicidade tenha ido para outro lado, mas isso é outra conversa…

  2. Marta Malva diz:

    Há coisas realmente estranhas de entender…
    No último ano e meio, tenho contactado mais de perto com outro tipo de desperdícios (mas que no fundo entendo que são custeados pelos mesmos), que me deixam indignada qb e me levam a interrogar se terei capacidade para assistir a isso durante vários anos!?

  3. João Sá diz:

    Não quero ser (má?) influência para ninguém, mas foi por ter chegado a essa conclusão e por não estar disposto a conviver com um conjunto de coisas nada compatíveis comigo (que a continuar teria de passar a funcionar como “eles”) que, em determinada altura, decidi mudar algumas coisas a nível profissional. Valeu a pena.

  4. Pedro diz:

    Valeu a pena abandonares os maus para te juntares aos piores? 😉

  5. João Sá diz:

    Não me referia a isso, Pedro. Referia-me mais a mudar a minha área profissional de um ambiente exposto às regras do mercado (que considero perversas) para um ambiente em que tenho autonomia e onde ainda é possível, embora com alguma dificuldade, que prevaleçam as regras da transparência, da honestidade, da partilha, etc. Os “maus” já fazem parte da mudança.

    A passagem pelos “maus” foi uma grande escola. Apesar dos sacrifícios, repetiria.

  6. Pedro diz:

    É claro que sabes estava a tentar provocar-te…

    Já eu, quando tive que tomar uma decisão quanto ao meu futuro na minha área de formação foi exactamente esse ambiente que referes que não me puxou nada… é claro que não o conheço directamente, mas indirectamente através de outros.

    Para além disso, não me via a fazer outra coisa agora, mesmo pertencendo ao bando dos piores!

  7. A Rodrigues diz:

    Esse rótulo de “maus” não fica nada bem. É possível trabalhar no seio das regras do mercado sem nos deixarmos levar pela ganância que nele abunda. E é até possível combater essas regras de mercado.
    Além disso, o mercado a que o João se refere é um mercado que tem feito alguma coisa por este país. É um mercado onde os casos de sucesso de empresas portuguesas são grandes e onde tem existido criatividade. Tomara que fossemos tão bons noutras áreas como somos nesta.

    Mas a conversa era sobre desperdícios certo?

  8. João Sá diz:

    Falámos em “maus” num contexto de cumplicidade entre mim e o Pedro, que perderá o significado para quem não tiver partilhado um conjunto de experiências que ambos conhecemos.

    O mercado não é mau nem é bom (moralmente). É uma questão ideológica… O que é realmente mau é o que algumas (muitas, demais) pessoas fazem nele. Podemos “entrar” nele e assumir uma postura de mudança, semelhante à que eu assumi perante a sociedade, que engloba o mercado e é mais importante que ele, ou, em alternativa, podemos “entrar” nele e rendermo-nos a essas lógicas (da sociedade ou do mercado) e passar-mos a fazer o que “eles” fazem. Felizmente, porque temos alguma liberdade, podemos fazer escolhas. Eu escolhi (por agora, já que a vida é dinâmica), dentro das minhas limitações e infinitésimas possibilidades (semelhantes às de qualquer outro ser humano individual), dedicar a maior parte das minhas energias e do meu esforço a intervir no super-sistema “sociedade” em vez de intervir apenas no sub-sistema “mercado”.
    Escolhas… feliz de quem as pode e consegue fazer.

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