O fascínio da tecnologia

Março 1, 2011

Após algum tempo de hibernação sem por aqui escrever, eis que a vontade de (re)equilibrar vence a inércia e a atenção dispersa. Não é que desta prosa resulte algum valor revolucionário ou sequer revelador. Bem, pelo menos é contestatário. É por isso que escrevo: para vincar o que me parece evidente, embora insistentemente ignorado.

Há palavras que me assolam com frequência. Ilusão é uma dessas privilegiadas, ou não vivêssemos todos – sem excepção – em permanente ilusão!? Bem, talvez existam excepções – quem consiga viver em permanente iluminação ou nirvana! Vivemos iludidos, do princípio ao fim. Porque não assumir e aceitar esta evidente ilusão? Por mim, gosto de assumir as ilusões que consistentemente se me apresentam credíveis. Esta é apenas uma delas.

Modas. Também são ilusões. Cada época tem as suas. Nesta, a tecnologia é a moda. Vivemos numa época de fascínio pela tecnologia. Convencemos e deixamo-nos convencer que a tecnologia é salvadora, que resolve todos os problemas, que agora é que é… ou vai ser… Engano. E-n-g-a-n-o. A tecnologia não muda nada. Não muda nada de substancial. Mas a tecnologia é impressionante. É poderosa. É (ou pode ser) catalisadora. Facilita. Torna mais rápido e mais fácil. Em alguns casos, torna possível. Eu gosto de tecnologia(s). Mas não nos deixemos fascinar por ela(s). Não mudarão nada [de relevante] se nós não mudarmos primeiro.


Mulheres, revoltem-se

Julho 28, 2010

Mulheres, revoltem-se. Homens, revoltem-se também. Revoltem-se todas as pessoas contra as injustiças e discriminação.

Num documento divulgado recentemente, o Vaticano colocou ao mesmo nível a pedofilia e a ordenação de mulheres. Vindo de uma instituição com a importância e o peso da igreja católica, considero esta decisão torpe como uma das mais discriminatórias a que assisti nos últimos tempos. Anos de luta pela igualdade de direitos entre homens e mulheres, assistimos agora, uma década após o início do século XXI, a um adensar da discriminação entre géneros patrocinada por aqueles que deveriam ser os maiores defensores da justiça, da paz e da igualdade.

Opções como esta, só as consigo entender como uma forma desesperada de manutenção de um poder perverso e mesquinho.

Não há paciência.

Talvez a melhor forma de revolta seja não fazer nada, mesmo nada. O desgaste e o descrédito que, estou certo, decisões como estas provocarão na igreja, farão o seu caminho.


Desperdícios

Maio 19, 2010

No final da semana passada (quinta ou sexta-feira), tinha na caixa do correio este folheto. Se ignorarmos que tem um autocolante “Publicidade, aqui não”, passemos às outras razões por que o folheto não deveria estar lá:

  • Publicita o Dia da Europa, a 9 de Maio, tendo sido distribuído fora do prazo. Na melhor das hipóteses foi depositado na caixa de correio no dia 12 de Maio;
  • Não compreendo a relação entre o verso do folheto e o conteúdo no seu interior;
  • É um folheto pouco claro, vago, auto-elogioso e proveniente de uma instituição pública que não deveria ter necessidade de se auto-promover;
  • Foi pago com dinheiros públicos que seriam certamente melhor empregues noutro âmbito.

Terá isto sido uma forma de obter mais um financiamento em algum programa “cego”, sendo preciso mostrar trabalho, digo, iludir trabalho?


A corte das cortes

Maio 4, 2010

Tenho observado alguns espécimes que me rodeiam, eu incluído. Todos da raça humana. Somos seres curiosos, capazes das maiores heroicidades mas também das maiores atrocidades. Há os que muito fazem, muito trabalham, muito investem: os que muito valor têm. Valor em absoluto, admitindo que poderíamos definir o valor absoluto de algo, isento de preconceitos, de julgamentos morais ou sem base em qualquer tipo de delimitação. Depois, e já começo a delimitar e a introduzir fronteiras, sem falar na da linguagem (como fazer de outra forma!?), há os que se aproveitam, os que se especializam em fazer pouco e em aproveitar a seu favor o que outros fazem. Séculos de apuramento, como ouvi dizer há pouco… Será esta a natureza humana, ou apenas a condição?

O que me parece, desta perspectiva delimitada e limitadora, é que estes espécimes, com todo o tempo que tiveram para se apurar, souberam tirar grande partido da aparência e da forma, deixando a essência praticamente inalterada. Já sem papiros nem lacre, as cortes e os jogos palacianos continuam, agora mais refinados, seja pela velha palavra dita, pelas mensagens escritas, email ou redes sociais.

Faz falta um novo ser, onde a solidariedade seja sincera, a fraternidade seja genética e a compreensão uma prática.

Para quando a democratização do sentir?


Liberdade

Abril 25, 2010

Nem sempre atribuí à palavra liberdade o significado que lhe atribuo hoje. Nem sempre a senti com a profundidade com que a sinto agora. Estou agradecido a todos os que tornaram possível o 25 de Abril de 1974. Para celebrar este dia, para celebrar a liberdade que a muitos custou conquistar e que a muitos outros custa manter, passei o dia a senti-la: a liberdade. Vou continuar…


Há títulos que não se percebem

Abril 1, 2010

O Jornal de Notícias no seu melhor: a propósito da morte de um estudante finalista do ensino secundário em Lloret de Mar (Espanha), diz o JN:

Férias fatais para futuro médico

O jovem ainda não concluiu o 12º ano. Não se candidatou ao ensino superior. Não se sabe que curso escolheria nem em qual seria admitido. Mas porque uma professora afirmou que o aluno “queria ser médico”, faz-se um título destes. Mais engraçado só fazendo o título com a palavra favorita dos jornalistas: alegado. Ficaria algo como: Férias fatais para alegado futuro médico. Não fosse uma notícia trágica e teríamos uma bela peça cómica.


Censos 2011

Março 29, 2010

Pela primeira vez, em 2011, será possível responder aos Censos pela Internet (E-Censos).

http://censos.ine.pt