O fascínio da tecnologia

Março 1, 2011

Após algum tempo de hibernação sem por aqui escrever, eis que a vontade de (re)equilibrar vence a inércia e a atenção dispersa. Não é que desta prosa resulte algum valor revolucionário ou sequer revelador. Bem, pelo menos é contestatário. É por isso que escrevo: para vincar o que me parece evidente, embora insistentemente ignorado.

Há palavras que me assolam com frequência. Ilusão é uma dessas privilegiadas, ou não vivêssemos todos – sem excepção – em permanente ilusão!? Bem, talvez existam excepções – quem consiga viver em permanente iluminação ou nirvana! Vivemos iludidos, do princípio ao fim. Porque não assumir e aceitar esta evidente ilusão? Por mim, gosto de assumir as ilusões que consistentemente se me apresentam credíveis. Esta é apenas uma delas.

Modas. Também são ilusões. Cada época tem as suas. Nesta, a tecnologia é a moda. Vivemos numa época de fascínio pela tecnologia. Convencemos e deixamo-nos convencer que a tecnologia é salvadora, que resolve todos os problemas, que agora é que é… ou vai ser… Engano. E-n-g-a-n-o. A tecnologia não muda nada. Não muda nada de substancial. Mas a tecnologia é impressionante. É poderosa. É (ou pode ser) catalisadora. Facilita. Torna mais rápido e mais fácil. Em alguns casos, torna possível. Eu gosto de tecnologia(s). Mas não nos deixemos fascinar por ela(s). Não mudarão nada [de relevante] se nós não mudarmos primeiro.