Um só mundo

Julho 22, 2010

“Um só mundo” é o título do livro cuja leitura estou a iniciar. Peter Singer, o autor, é conhecido e reconhecido como um dos mais importantes filósofos morais do planeta. Com uma obra vasta, é de leitura incotornável para quem se preocupa com a moral e com a ética em tempo de globalização.

Para mim, este livro significa, em grande parte, a confirmação do modo como o mundo e a humanidade deveriam ser encarados. Todas as construções que levam à guerra ou a outras formas de sofrimento humano baseiam-se numa divisão artificial, que para o caso, diferenças geográficas, políticas, linguísticas ou outras à parte, chamamos país, pátria ou estado-nação. É com base neste(s) conceito(s), artificial e transitório (que muitos, entre políticos e cidadãos, se convenceram ser natural e definitivo), que se justificam as maiores injustiças e atentados à humanidade e ao planeta.

Ao ler este livro sinto-me em casa. Para abrir o apetite à leitura…

Segundo alguns pontos de vista da nacionalidade, pertencer à mesma pátria é como ser de uma espécie de versão alargada da mesma família. (pág. 228)

No século v antes da era cristã, o filósofo chinês Mozi, horrorizado com a devastação provocada pela guerra no seu tempo, perguntou: «Qual é a via para o amor universal e o benefício mútuo?» E respondeu à sua própria pergunta: «É considerar os países dos outros como o nosso próprio país.» Diz-se que o antigo iconoclasta grego Diógenes, quando lhe perguntaram de que país era oriundo, afirmou: «Sou um cidadão do mundo.» No final do século XX, John Lennon cantou que não é difícil «Imaginar que não há países […]/Imaginar que todas as pessoas/Partilham todo o mundo». (pág. 263).

Como é bom sonhar e ter utopias.

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Pontos de viragem

Setembro 16, 2009

A rádio, a televisão e a Internet. O vinil, a cassete e o CD. O VHS e o DVD.  O computador, o telemóvel e o iPod.

Tantas mudanças tecnológicas. Talvez esta seja mais uma.

Um marco no caminho que se iniciou há algum tempo, da conquista de audiência por parte dos livros digitais (e-books) face aos livros tradicionais (em papel). Obviamente que os livros em papel terão sempre o seu espaço, até pelo culto que representam: o toque; o cheiro; o gesto do desfolhar; o ritmo da leitura; as pausas! Um livro é um livro.

Mas… numa leitura mais pragmática, as vantagens dos livros digitais são óbvias: a pesquisa; os apontamentos; a portabilidade; o preço!

Por tudo isso, talvez este seja mais um ponto de viragem.

Amazon vende mais e-books do último livro de Dan Brown do que edições impressas

Apesar dos preços mais baixos, os e-books ainda estão muito longe da popularidade dos livros em papel. Mas as vendas de versão electrónica do último romance do conhecido autor Dan Brown ultrapassam na Amazon as vendas da versão convencional.

(…)


Problemas da Filosofia

Junho 24, 2009

problemasdafilosofiaUltimamente, as minhas leituras têm passado pela matemática e pela filosofia. Tenho lido bons livros, livros medianos e livros menos bons. Ontem comecei a ler este: “Problemas da Filosofia” de James Rachels, uma edição da Gradiva de Maio de 2009. Decidi destacá-lo aqui porque, apesar de ser um livro denso, é claro e de leitura agradável. Este livro atraiu-me porque resume as grandes questões que desde sempre me fascinaram (e que continuam a fascinar). Ao contrário de outras obras que, ou são demasiado específicas e não abordam todos estes temas, ou abordam apenas um deles de uma maneira hermética, este fá-lo de um modo claro e acessível.

Em jeito de elogio, deixo os 13 capítulos do índice, com destaque para os que me são mais próximos:

  1. O legado de Sócrates
  2. Deus e a origem do universo
  3. O problema do mal
  4. Sobrevivemos à morte?
  5. O problema da identidade pessoal
  6. Corpo e mente
  7. Poderá uma máquina pensar?
  8. O ataque ao livre-arbítrio
  9. O debate sobre o livre-arbítrio
  10. O nosso conhecimento do mundo que nos rodeia
  11. Ética e objectividade
  12. Por que razão haveremos de ser morais?
  13. O sentido da vida