Um só mundo

Julho 22, 2010

“Um só mundo” é o título do livro cuja leitura estou a iniciar. Peter Singer, o autor, é conhecido e reconhecido como um dos mais importantes filósofos morais do planeta. Com uma obra vasta, é de leitura incotornável para quem se preocupa com a moral e com a ética em tempo de globalização.

Para mim, este livro significa, em grande parte, a confirmação do modo como o mundo e a humanidade deveriam ser encarados. Todas as construções que levam à guerra ou a outras formas de sofrimento humano baseiam-se numa divisão artificial, que para o caso, diferenças geográficas, políticas, linguísticas ou outras à parte, chamamos país, pátria ou estado-nação. É com base neste(s) conceito(s), artificial e transitório (que muitos, entre políticos e cidadãos, se convenceram ser natural e definitivo), que se justificam as maiores injustiças e atentados à humanidade e ao planeta.

Ao ler este livro sinto-me em casa. Para abrir o apetite à leitura…

Segundo alguns pontos de vista da nacionalidade, pertencer à mesma pátria é como ser de uma espécie de versão alargada da mesma família. (pág. 228)

No século v antes da era cristã, o filósofo chinês Mozi, horrorizado com a devastação provocada pela guerra no seu tempo, perguntou: «Qual é a via para o amor universal e o benefício mútuo?» E respondeu à sua própria pergunta: «É considerar os países dos outros como o nosso próprio país.» Diz-se que o antigo iconoclasta grego Diógenes, quando lhe perguntaram de que país era oriundo, afirmou: «Sou um cidadão do mundo.» No final do século XX, John Lennon cantou que não é difícil «Imaginar que não há países […]/Imaginar que todas as pessoas/Partilham todo o mundo». (pág. 263).

Como é bom sonhar e ter utopias.


Certezas

Novembro 15, 2009

Depois de reflectir sobre algumas situações com que nos deparamos, chego a estas conclusões (obviamente, sem certezas):

– As dúvidas são as certezas dos fortes.

– As certezas são a força dos fracos.


Face visível

Novembro 14, 2009

Uma breve reflexão a propósito das faces visíveis, das ocultas e das semi:

Se a transparência fosse um valor para todos, não haveria faces ocultas.

E também uma não-reflexão:

Estou en(j)o(j)ado de tanta opacidade.


Paz

Novembro 8, 2009

Retirado do livro “A sabedoria de Gandhi”, uma compilação de Richard Attenborough (tradução de Ângelo dos Santos Pereira).

O caminho para a paz é o caminho para a verdade. A verdade é inclusivamente mais importante do que a paz. De facto, a mentira é a mãe da violência. Um homem sincero não pode ser violento durante muito tempo. Durante a sua busca perceberá que não tem necessidade de ser violento e descobrirá, para além do mais, que enquanto houver nele o menor rasto de violência, não encontrará a verdade na sua busca.

Não existem caminhos intermédios entre a verdade e a não-violência, por um lado, e a falsidade e a violência, por outro.


Da natureza humana

Outubro 1, 2009

ser_humanoO que move cada ser humano? E a humanidade, o que a move?

Estas são perguntas que todos farão pelo menos uma vez na vida – parece-me -, mas que muitos optam por afastar da mente pelo desconforto que lhes causará. Não deviam, parece-me também. É que ao fazê-lo estão a desistir de uma boa parte da vida. Exceptuando alguns casos, parte dos quais seguidores convictos de alguma religião, a maior parte está a ceder a um materialismo fácil ou ao que de mais primário e animalesco o ser humano tem. Que desperdício!

Olhemos à nossa volta, sendo que na sociedade dos nossos dias, o local de trabalho é o campo de mais fácil observação, quer pelo tempo que lá se passa quer pelas regras competitivas que o mercado vai impondo às relações humanas que se estabelecem.

Ao pensar nisso, surgiu-me uma alegoria que, à parte das falhas que naturalmente terá, parece resumir o comportamento de alguns seres humanos. Curiosamente, estes, são aqueles que mais nos chamam à atenção – talvez pelo cheiro! Desculpem-me alguma vulgaridade nos termos, mas nada como tornar a descrição simples: trata-se do mijo de cão.

Tal como os cães – nem todos, pois há-os com mais sofisticação -, gostam de deixar a sua marca por onde passam. É para marcar o território, dizem. Enfim, gostam de ver o nome escrito na parede ou sentir que lideram alguma coisa – qual projecto estalinista.

Esquecem-se, no entanto, que basta uma chuva ligeira para limpar o cheiro com que procuraram marcar cada esquina. É por isso que – parece-me – deviam voltar à pergunta: o que me move a mim e à humanidade?

É por isto, também, que continuo a achar, como escrevi aqui: o que faz falta é uma visão cósmica do mundo.


Só de passagem

Setembro 22, 2009

Não é meu hábito publicar ou encaminhar este tipo de mensagem.

Por algum motivo esta teve um efeito diferente em mim. Talvez pela simplicidade e capacidade de síntese com que passa uma ideia tão inquestionável e que tantos teimam em não ver.

Só de passagem …

Conta-se que no século passado, um turista americano foi à cidade do Cairo no Egipto, com o objectivo de visitar um famoso sábio.
O turista ficou surpreso ao ver que o sábio morava num quartinho muito simples e cheio de livros.
As únicas peças de mobília eram uma cama, uma mesa e um banco.
– Onde estão seus móveis? Perguntou o turista.
E o sábio, bem depressa olhou ao seu redor e perguntou também:
– E onde estão os seus…?
– Os meus?! Surpreendeu-se o turista.
– Mas estou aqui só de passagem!
– Eu também… – concluiu o sábio.

“A vida na Terra é somente uma passagem… No entanto, alguns vivem como se fossem ficar aqui eternamente, e esquecem-se de ser felizes.”

(Recebido por email)


Estamos condenados à humildade

Setembro 2, 2009

Jean Daniel, Jornalista e Fundador do “Le Nouvel Observateur”, no programa da RTP1 “Conversas de Mário Soares”, encerrou com esta lição de sabedoria.

Estamos condenados à humildade