Alienez

Abril 5, 2011

Esta alienação de lucidez
é tão lucidamente alienante
que marca com rigidez
tudo o que for estruturante.

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O fascínio da tecnologia

Março 1, 2011

Após algum tempo de hibernação sem por aqui escrever, eis que a vontade de (re)equilibrar vence a inércia e a atenção dispersa. Não é que desta prosa resulte algum valor revolucionário ou sequer revelador. Bem, pelo menos é contestatário. É por isso que escrevo: para vincar o que me parece evidente, embora insistentemente ignorado.

Há palavras que me assolam com frequência. Ilusão é uma dessas privilegiadas, ou não vivêssemos todos – sem excepção – em permanente ilusão!? Bem, talvez existam excepções – quem consiga viver em permanente iluminação ou nirvana! Vivemos iludidos, do princípio ao fim. Porque não assumir e aceitar esta evidente ilusão? Por mim, gosto de assumir as ilusões que consistentemente se me apresentam credíveis. Esta é apenas uma delas.

Modas. Também são ilusões. Cada época tem as suas. Nesta, a tecnologia é a moda. Vivemos numa época de fascínio pela tecnologia. Convencemos e deixamo-nos convencer que a tecnologia é salvadora, que resolve todos os problemas, que agora é que é… ou vai ser… Engano. E-n-g-a-n-o. A tecnologia não muda nada. Não muda nada de substancial. Mas a tecnologia é impressionante. É poderosa. É (ou pode ser) catalisadora. Facilita. Torna mais rápido e mais fácil. Em alguns casos, torna possível. Eu gosto de tecnologia(s). Mas não nos deixemos fascinar por ela(s). Não mudarão nada [de relevante] se nós não mudarmos primeiro.


Fragilidades

Novembro 18, 2009

Temos tantas fragilidades e gostamos de parecer tão fortes.

Outras vezes, temos tanta força e pensamos ser tão frágeis.


Certezas

Novembro 15, 2009

Depois de reflectir sobre algumas situações com que nos deparamos, chego a estas conclusões (obviamente, sem certezas):

– As dúvidas são as certezas dos fortes.

– As certezas são a força dos fracos.


Da natureza humana

Outubro 1, 2009

ser_humanoO que move cada ser humano? E a humanidade, o que a move?

Estas são perguntas que todos farão pelo menos uma vez na vida – parece-me -, mas que muitos optam por afastar da mente pelo desconforto que lhes causará. Não deviam, parece-me também. É que ao fazê-lo estão a desistir de uma boa parte da vida. Exceptuando alguns casos, parte dos quais seguidores convictos de alguma religião, a maior parte está a ceder a um materialismo fácil ou ao que de mais primário e animalesco o ser humano tem. Que desperdício!

Olhemos à nossa volta, sendo que na sociedade dos nossos dias, o local de trabalho é o campo de mais fácil observação, quer pelo tempo que lá se passa quer pelas regras competitivas que o mercado vai impondo às relações humanas que se estabelecem.

Ao pensar nisso, surgiu-me uma alegoria que, à parte das falhas que naturalmente terá, parece resumir o comportamento de alguns seres humanos. Curiosamente, estes, são aqueles que mais nos chamam à atenção – talvez pelo cheiro! Desculpem-me alguma vulgaridade nos termos, mas nada como tornar a descrição simples: trata-se do mijo de cão.

Tal como os cães – nem todos, pois há-os com mais sofisticação -, gostam de deixar a sua marca por onde passam. É para marcar o território, dizem. Enfim, gostam de ver o nome escrito na parede ou sentir que lideram alguma coisa – qual projecto estalinista.

Esquecem-se, no entanto, que basta uma chuva ligeira para limpar o cheiro com que procuraram marcar cada esquina. É por isso que – parece-me – deviam voltar à pergunta: o que me move a mim e à humanidade?

É por isto, também, que continuo a achar, como escrevi aqui: o que faz falta é uma visão cósmica do mundo.


Fronteiras

Março 26, 2009

Sempre, desde pequeno, senti alguma angústia quando olhava para as pessoas que defendiam uma “camisola” acriticamente. O sentimento mantém-se e os exemplos continuam abundantes. Talvez o mais presente, e evidente, seja o futebol e o radicalismo de alguns adeptos. Por que razão se é de determinado clube? Será porque gostamos da cor do equipamento? Será porque alguma figura parental nos influenciou? Será porque nascemos (e crescemos) num contexto que promove determinada orientação? Estas são algumas possibilidades, outras, igualmente válidas, existirão. Não me preocupa muito qual a razão. Preocupa-me, antes, que algumas pessoas defendam uma camisola sem saber por que a defendem. Estou convencido que é essa a fonte da maior parte dos conflitos, sejam grandes ou pequenos. Isso e as limitações da comunicação.

Quantas vezes assistimos a discussões em que ambos os lados, se existirem apenas dois, defendem posições aparentemente opostas com empenho e entusiasmo, algumas vezes excessivo e até violento, quando na essência do problema defendem o mesmo e estão do mesmo lado?

Tudo isto, claro, admitindo que ambos os lados (consideremos apenas dois para simplificar) estão de boa fé e com empenho sincero na causa, seja ela qual for.

Comecei com o exemplo dos clubes de futebol. Mas o que dizer da(s) guerra(s)? Quais as verdadeiras razões para uma guerra em que se matam (leia-se, acaba com a vida de) seres em tudo semelhantes. O que se ganha com o domínio (ilusório) de uns sobre os outros? Nada (de bom). Apenas a perpetuação de uma competição acéfala com um único destino: o abismo.

O que faz falta é uma visão cósmica do mundo. Se todos os seres humanos percebessem que são tão insignificantes (ou importantes) como um grão de areia, tão importantes (ou insignificantes) como um planeta inteiro, um sistema solar ou uma galáxia, talvez a compreensão, a tolerância e a aceitação fossem uma realidade humana.

Um mundo sem fronteiras deve ser o objectivo. Basta pensar no acaso. Por que razão somos humanos? Por que razão nascemos num país e não noutro? O que é isso de um país? Será que o universo quer saber de países ou fronteiras?

Claro que alguns dogmas religiosos se oporão a esta visão. Esses, são fáceis de desmontar. Afinal, não serão esses dogmas apenas mais uma fronteira ou “camisola”?