O que é preciso é… conter salários

Um texto rigorosíssimo:

Responsabilidade e rigor técnico
Ou: Pronto, Leva Lá a Bicicleta

Quem me conhece sabe que eu sou um bocado obtuso, teimoso e difícil de ensinar; mas mesmo com estas deficiências todas seria impossível ouvir tanto tempo os nossos políticos a dizer a mesma coisa, com o aval entusiástico dos líderes das confederações patronais, dos jornalistas de negócios e dos economistas do regime, sem acabar por lhes reconhecer razão.

Então é assim:

Se há perigo de inflação, é preciso conter os salários.

Se há perigo de deflação, é preciso conter os salários.

Se a crise é económica, é preciso conter os salários.

Se a crise é financeira, é preciso conter os salários.

Se não estamos em crise, é preciso aproveitar para melhorar a competitividade – e portanto conter os salários.

Se o défice das contas do Estado está alto, é preciso conter os salários.

Se o défice das contas do Estado está baixo, é preciso não entrar em euforia – e conter os salários, claro está.

Se o desemprego está alto, é preciso encorajar as empresas a empregar mais gente – o que só se consegue contendo os salários.

Se o desemprego está baixo, os salários tendem a subir – e portanto contê-los é mais necessário que nunca.

Finalmente percebi. Não vale a pena perguntar em que circunstâncias é que os salários podem aumentar: a resposta politicamente responsável e tecnicamente rigorosa é que não podem aumentar em circunstâncias nenhumas.

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