Haiti

Somos realmente frágeis (todos, sem excepção!).

Haiti: primeiro-ministro fala em “bem mais de cem mil mortos”

Poderão ter morrido “bem mais de cem mil pessoas” no terramoto no Haiti, afirmou à estação de televisão norte-americana CNN o primeiro-ministro do país, Jean-Max Bellerive. A afirmação segue-se às declarações do Presidente, René Préval, que falou da possibilidade de terem morrido milhares de pessoas no sismo, que causou ainda danos “inimagináveis”.

Sabia-se já que três milhões de pessoas foram afectadas – ou seja, um terço da população. O tremor de terra – que com magnitude 7 foi o pior no país em 200 anos – fez ruir o palácio presidencial, o Parlamento, um edifício da ONU, escolas, hospitais e casas de lata à beira de ravinas. A capital do Haiti, Port-au-Prince, ficou coberta com um manto de poeira de edifícios destruídos.

O Presidente disse ainda que se ouviam gritos de pessoas sob os escombros do edifício do Parlamento, onde ainda estava soterrado o presidente do Senado.
(…)

Mas compreender e aceitar isso só nos vai tornar mais fortes, pelo menos do ponto de vista humano.

8 respostas a Haiti

  1. João Leal diz:

    “Para viver melhor, é preciso aceitar a própria vulnerabilidade. Ao reconhecê-la em nós, podemos nos livrar das máscaras que camuflam nossos rostos e espíritos e que são insuportáveis para os outros. É através da percepção de que somos frágeis que nos tornamos aptos para descobrir a verdadeira força que há em nós e valorizar as boas coisas da vida, que, inevitavelmente, vamos deixar para trás um dia.” Jean-Claude Carriere in Fragilidade.

    Pensa nas flores, são frágeis e por isso bonitas. Para além disso, quanto mais bonitas, mais frágeis se tornam!

    Fortes são edifícios de cimento armado, os móveis, os burros e outras bestas de carga. E, infelizmente, alguns homens e mulheres.

    Ali a natureza demonstrou que essa brutalidade e força apenas existe dentro de algumas mentes.

  2. João Sá diz:

    Muito boa citação. E a música também é uma boa escolha… gosto muito de Jorge Palma.
    Sobre a relação entre beleza e fragilidade, não sei se é tão simples. Há coisas frágeis e belas, coisas fortes e belas. Talvez todas elas se alicercem na nossa vulnerabilidade, tal como defende Jean-Claude Carriere, mas algumas fragilidades não são nada bonitas de se ver, embora possam proporcionar outras formas de beleza, como trazer ao de cima o que de mais belo o ser humano tem.

  3. Sónia Duarte diz:

    Parodiando Orwell, se é verdade que todos somos frágeis, por outro lado, alguns são mais frágeis do que outros…e não por estar na nossa natureza, mas precisamente pelas desigualdades sociais de que sim falava o escritor norte-americano em “Animal Farm”.
    Outro alerta pertinente para o lado político das catástrofes “naturais” pode ser encontrado aqui: http://www.cubadebate.cu/noticias/2010/01/17/caricom-protesta-obstaculos-norteamericanos-ayuda-haiti/

  4. Pedro diz:

    Sónia, permita-me um pequena correcção: Eric Arthur Blair (cujo pseudónimo era George Orwell) era britânico. Nasceu na Índia sob domínio britânico em 1903.

    É verdade que Orwell quer no “Animal Farm” quer no “Nineteen Eighty Four” e também no menos famoso “The Road to Wigan Pier” traça um retrato da sociedade onde uns são mesmo mais frágeis que os outros.

    “If you want a vision of the future, imagine a boot stamping on a human face, forever” como dizia o O’Brien ao Winston Smith no Room 101.

  5. João Sá diz:

    Sónia e Pedro,

    É verdade que uns são mais frágeis que outros, ou, pelo menos, estão mais expostos e têm menos meios de protecção. Todos sabemos que os países ricos, seja pela qualidade da construção, pelo melhor ordenamento do território, pela organização e meios de resposta a catástrofes, etc., conseguem conter ou minimizar os danos de algumas catástrofes.
    No entanto, não podemos reduzir tudo a política ou a política materialista. A condição humana é o que é, portanto somos realmente frágeis e vulneráveis, ricos ou pobres. Talvez os pobres até tenham mais consciência disso e isso seja uma riqueza para eles.

    Pedro, “permite-me” ainda uma intromissão… acho que ambos (vocês) preferem um tratamento mais informal.

  6. Pedro diz:

    Intromete-te à vontade…🙂 Claro que EU prefiro, como bem sabes!

    De qualquer modo, não me parece de bom tom que na primeira vez que me dirijo a alguém, que não conheço, ainda por cima para fazer uma correcção irrelevante, o faça num estilo familiar. Se fosse contigo sabes bem que seria diferente!

    Não resisti neste caso porque a minha s’tor’ice e cromice, especialmente em relação a este autor não o permitiram…

  7. João Sá diz:

    🙂
    Eu sei disso tudo, e conhecendo os dois achei melhor intrometer-me.

  8. Sónia Duarte diz:

    Eu agradeço as “correcções e intromissões” de um e outro. É verdade que, pela minha formação, não deveria ter cometido o lapso. É verdade é que, por carácter, não sou formal. Também é verdade que não pretendia ser redutora numa perspectiva materialista, mas sim ampliar o foco que parecia excluí-la.

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