Papa proíbe casamento entre católicos e não católicos

Cada vez estou mais convencido que, apesar de partilharmos todos o mesmo planeta, muitos vivemos em realidades paralelas e isoladas incomunicáveis.

Diz o jornal i:

Bento XVI proíbe casamento entre católicos e não católicos

Baptizados ou não baptizados, todos vão ser afectados pela decisão papal ontem tornada pública. Bento XVI comunicou à comunidade católica que os casamentos entre católicos e não católicos não são considerados válidos. O Santíssimo Padre decidiu alterar o Código de Direito Canónico e apertou o cerco aos menos ortodoxos dentro da Igreja Católica. Mas não foi apenas o sacramento do casamento que sofreu alterações. No documento papal, Bento XVI altera ainda os artigos 1008 e 1009, impedindo os diáconos – homens ao serviço da Igreja, alguns deles casados – de substituir o padre nas suas funções.

O alterado artigo 1124 estabelece que “é inválido o matrimónio entre duas pessoas, uma das quais baptizada pela Igreja Católica ou nela integrada e outra que não seja baptizada”. Ou seja, católicos e não católicos deixam de poder casar-se pela Igreja. Fica por esclarecer se os casamentos celebrados antes desta alteração são abrangidos pelas novas regras – ou seja, se deixam de ser reconhecidos todos os matrimónios celebrados entre baptizados e não baptizados ou com pessoas de outras religiões. Também os baptizados que hoje professem outros credos são afectados pela alteração. O casamento “entre duas pessoas baptizadas, uma das quais baptizada pela Igreja Católica ou nela acolhida através do baptismo, e a outra integrada numa comunidade eclesiástica que não está em plena comunhão com a Igreja Católica não pode celebrar-se sem a autorização expressa de uma autoridade competente”, lê- -se no documento papal.

(…)

10 respostas a Papa proíbe casamento entre católicos e não católicos

  1. Pedro diz:

    Chamaste?🙂

    Como os meus comentários anteriores ilustram a minha posição relativamente à religião, não vou divagar por aí. No entando, concordo com decisão de Joseph Alois Ratzinger, Bispo de Roma, que passo a explicar:

    Em primeiro lugar, acho que os líderes da Igreja Católica, e também os outros nas suas respectivas, têm todo o direito de decidir o caminho que querem seguir e informar os seus “subalternos” de acordo com isso. Como acho que ainda(?) somos livres de decidir quais os grupos aos quais nos queremos juntar, quem não concordar pode “rezar a outro sítio”… Não são mais nem menos que os presidentes do clube recreativo do bairro que decidem o que devem fazer e como devem fazer.

    Embora eu tenha uma opinião nada favorável à religião em geral e em especial às grandes monoteístas pelo seu protagonismo, continuo a respeitá-las e aos seus crentes. Por isso, acho sinceramente que o “Casamento pela Igreja” é simplesmante uma oportunidade de fazer uma “festança bonita” e, para a esmagadora maioria, aquelas coisas que se dizem de na cerimónia não têm valor nenhum…

    De todos os casamentos a que já assisti e muitos mais que tive notícia, são escassos os que continuam a cumprir o que prometeram depois da festa acabar. Basta ver como (não!) estão as igrejas cheias de recém-casados e mesmo pré-casados na hora da eucaristia…

    Acho sinceramente que isso é uma falta de respeito pela instiuição e que estas medidas se destinam a limitar estes casos. É claro que não impede “católicos” de casar com Católicos, mas isso é outro caso…

    Pode ser uma oportunidade de negócio para as capelas de casamento tipo Vegas…

  2. João Sá diz:

    A chamada está sempre implícita. Ou, antes, o apelo para a partilha e discussão de ideias…
    Mas, confesso, começo a encontrar aqui um padrão nos comentários de certas pessoas a certos tipos de posts!🙂

    Os líderes da Igreja estão no seu direito, também concordo. Nem podia ser de outra forma, visto esta ser uma organização hierárquica com grande rigidez a nível orgânico.
    Mas, apesar desse direito, não significa que eu não possa ter uma opinião sobre cada decisão. Afinal, eu e qualquer outro cidadão na minha condição, católicos ou não, estamos forçosamente imbuídos de influências judaico-cristãs (e católicas). Mas não é apenas essa a razão. Não é a igreja católica que defende a tolerância, a aproximação religiosa, a não discriminação, entre outros valores desta matiz?

    Se assim é, esta decisão parece-me no mínimo incoerente.
    Suponho, também, que a igreja pretende atrair crentes que, tudo indica, se afastam cada vez mais. Nesta perspectiva, esta não me parece a melhor estratégia.

    Noutra perspectiva, de desvirtuamento de alguns princípios católicos, aí sim, compreenderia esta decisão. Mas mesmo aqui o preço a pagar pela igreja seria/será muito alto.

    À parte de tudo isso, o que mais me preocupa são os sinais implícitos de intolerância e de afastamento com base na(s) diferença(s) que vão sendo dados.

  3. Talina diz:

    Sendo assim ,não é de admirar que cada vez mais a Igreja católica tenha menos fiéis

  4. Pedro diz:

    Agora pra não variar…

    “Mas, apesar desse direito, não significa que eu não possa ter uma opinião sobre cada decisão”

    Claro que podes. Eu, pelo menos, deixo-te ter à vontade!😉

    “Afinal, eu e qualquer outro cidadão na minha condição, católicos ou não, estamos forçosamente imbuídos de influências judaico-cristãs (e católicas)”

    Admito perfeitamente que as minhas opiniões e modo de pensar também sofreram essa influência, que é positiva a muitos níveis, mas acho que deixa de o ser a nível institucional.

    Eu admiro aquele tipo maluco que há cerca de 2000 anos atrás tinha a lata de dizer para sermos bons para o próximo e a fazer uns truques de magia pra alegrar o pessoal. Acho somente que aqueles que se dizem seus seguidores fazem um mísero trabalho em relação ao seu verdadeiro legado.

    “Não é a igreja católica que defende a tolerância, a aproximação religiosa, a não discriminação, entre outros valores desta matiz?”

    Ainda acreditas nessa cantiga? Conheces a história dos Cátaros (http://en.wikipedia.org/wiki/Catharism) do Sul de França?

    “Se assim é, esta decisão parece-me no mínimo incoerente.”

    Se fosse a primeira incoerência da Igreja Católica…

    “Mas mesmo aqui o preço a pagar pela igreja seria/será muito alto.”

    Aqui estou totalmente de acordo no curto prazo. Aí pode ser contra-producente, mas acho que pode ser uma estratégia de ganhar um mercado mais sólido a longo prazo.

    Discordo que esta seja uma das razões pela qual a Igreja Católica tenha cada vez menos fiéis. Não é por limitar o casamento entre elementos de clubes, perdão, religiões diferentes que se perdem adeptos, perdão, fiéis. Os que se ganhariam do exterior não seriam verdadeiros! Mesmo assim, “o mercado aparente” continua a ser muito grande…

  5. A Rodrigues diz:

    O comentário mais comum que ouvi dos alemães quando o Ratzi (diminutivo alemão) foi “eleito” para Papa foi de que a inquisição iria regressar.

    Apesar de os comentadores “entendidos” em assuntos religiosos opinarem de que ele deveria manter uma linha semelhante ao seu antecessor para que a igreja se adaptasse aos tempos modernos, a verdade é que desde cedo começou a tomar decisões polémicas. E aos poucos vai implementando a sua visão pessoal de igreja.

    Na Alemanha não teve êxito (chegou a propor a proibição do preservativo) devido à pouca expressividade da igreja católica e ao espírito liberal dos alemães. Mas agora com o poder que Deus lhe deu vai conseguindo aproximar a igreja dos ideais que a fizeram nascer. Assim ele viva muitos anos.

  6. João Sá diz:

    Pedro, respondendo à tua primeira pergunta… retórica, sabes bem que não… mas não tenho de acreditar ou deixar de acreditar para fazer uma análise. É mais uma incoerência a juntar à lista, como de outro modo dizes logo a seguir.

    Quanto à segunda pergunta, não conheço assim tão bem a história dos Cátaros, mas se bem percebi a intenção, basta olharmos para as diferenças entre as várias igrejas, ordens ou movimentos católicos. Ou de forma mais abrangente, para as diversas religiões cristãs (Católica, Ortodoxa, Protestante, Anglicana, …).

    A. Rodrigues, não percebi se a afirmação «Assim ele viva muitos anos.» é uma manifestação de vontade ou apenas o fecho de uma opinião sobre o que acontecerá (o caminho seguido pela igreja católica) se ele se mantiver no lugar durante muito tempo.

  7. A Rodrigues diz:

    Obviamente que o meu desejo é que o homem viva bastante tempo. Não lhe quero desejar qualquer mal.
    Mas não é meu desejo que ele suceda com a sua visão inquisicionista.

  8. João Sá diz:

    Esclarecido! Estamos no mesmo barco.

  9. Pedro diz:

    Só para ficar mais explícito, os cátaros eram uma seita de raízes cristãs que foi sistematicamente eliminada pela Igreja Católica. Isto porque criaram o seu próprio clube e se recusaram a servir o Papa e a se submeter às políticas da Igreja Católica.

    Foi somente um exemplo ilustrativo da “tolerância, a aproximação religiosa, a não discriminação”…

  10. Sónia Duarte diz:

    Não é que as decisões sobre os sacramentos me afectem muito ou pouco, mas as razões e “desrazões” por detrás delas, costumam ser indicadores não negligenciáveis sobre a mentalidade dominante, para além de normalmente convocarem reacções intensas.
    Esta posição do papa sobre o casamento resume-se em minha opinião ao seguinte: amai-vos uns aos outros, mas com restrições”(?!?!?!)
    Lá dizem as outras(http://asboasraparigas.blogspot.com/) “as boas raparigas vão para o céu; as más vão para todo o lado…” Prefiro ir para todo o lado e com quem quiser!

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