Escolher que religião seguir

Lembro-me dos Gato Fedorento (ou teria sido apenas Ricardo Araújo Pereira?) terem dito que se pode fazer humor com tudo excepto com o que é sagrado. E acrescentaram/ou (não necessariamente por esta ordem): para uns é sagrado o clube de futebol, para outros a família, para outros a religião, …

Conclusão [óbvia?]: podemos fazer humor com tudo.

Nesse espírito, fica uma espécie de fluxograma para escolher a religião mais compatível com cada um.

caminho_religioso

(Imagem retirada daqui)

9 respostas a Escolher que religião seguir

  1. Sónia Duarte diz:

    Desde quando é que o ateísmo é uma religião?!?!?
    Tsss, tssss

  2. João Sá diz:

    Bem, podíamos convocar a hermenêutica ou a teologia para nos ajudar, mas quem sou eu!

    Numa humilde tentativa, consulto o dicionário que nos dá como sinónimos de religião: reverência, respeito, escrúpulo, doutrina ou crença religiosa, entre outras.
    Se concordarmos que é uma doutrina ou crença, por afirmação ou por negação de uma (ou várias) entidade(s) divina(s), parece-me que o ateísmo pode ser considerado uma religião. Para alguns, será uma forma de preencher a dimensão espiritual que todos temos – parece-me!

  3. Pedro diz:

    Bem, João, finalmente “obrigaste-me” a escrever aqui alguma coisa😉

    IMEO🙂 o ateísmo não é uma religião, mas sim a negação da religião, da *fé* no sobrenatural. Os ateus mais emblemáticos que conheço, Richard Dawkins e Christopher Hitchens, também partilham esta ideia.

    Mas tudo depende do modo como olhamos para este tema tão complexo. Por exemplo, podemos dizer que a religião budista é ateia… Há ainda quem não considere o budismo como uma religião…

    Para quem quiser aprofundar estes temas, pode procurar informação sobre Teísmo, Ateísmo, Secularismo, Irreligião, Animismo, Paganismo, e as religiões “oficiais” e ver onde se encaixam as suas convicções.

    Quanto ao esquema, se alguma vez vier a ser rico passo a ser automaticamente Cientologista? É que não suporto o Tomás Cruzeiro!

  4. João Sá diz:

    Não quero obrigar ninguém a nada, muito menos a escrever por aqui.😉 Mas ainda bem que não obriguei, apenas “obriguei”! A vida é muito melhor quando vivida de livre vontade. Os blogs também!
    Assim, aproveito esta “obrigação” de bom grado.

    Quanto ao assunto, acho que é apenas uma questão de linguagem e de significados, o que não torna a discussão menos interessante.
    O que me parece importante é que estamos no domínio das crenças religiosas (ou da ausência delas). Um ateu, para se definir/assumir como ateu, teve necessariamente de reflectir sobre o assunto (logo está assumir e a participar, de certo modo, na sua dimensão religiosa, ou talvez seja melhor dizer espiritual?). Neste caso coloca-se numa posição onde defende a não existência de deus (ou de deuses). Pode apresentar uma série de argumentos a favor dessa posição. Outros tantos poderão ser apresentados contra. Não importa. Continuamos no domínio das crenças religiosas (ou da ausência delas). Um ateu é um crente na não existência de deus(es). Não saímos nunca do domínio do espiritual.
    Se assumirmos o religioso como o – dito de modo simplista – que diz respeito à espiritualidade, é uma coisa, se assumirmos como o que diz respeito à espiritualidade institucionalizada, é outra, se assumirmos como o que diz respeito à espiritualidade teísta, será outra.
    Como disse inicialmente, parece-me que é apenas uma questão de linguagem e de delimitação de significados. O importante são os conceitos, não os nomes que lhes damos.

    PS: Quanto ao budismo, pelo pouco que sei, também não me choca nada dizer que a religião budista é ateia. Tal como não me choca dizer que não é uma religião (se entendermos religião apenas numa lógica teísta). O que é certamente, é uma crença (ou conjunto de crenças) do domínio espiritual.

  5. Pedro diz:

    Mesmo no domínio da linguagem/semântica, discordo com “Um ateu é um crente na não existência de deus(es)”.

    Um ateu não é *crente* porque não *crê*. É exactamente o oposto de crente. Não precisa de crer! Não existe manifestação concreta de algo que não existe! Pode ainda não existir uma explicação (científica) para um determinado fenómeno, mas um ateu atribui a isso uma questão de tempo até existir. O ateu não precisa de acreditar que o sobrenatural não existe.

    Há uma frase do Arthus C Clarke que diz “Qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível da magia”. Suficientemente avançada quer dizer que se lá pode chegar, onde diz tecnologia pode ser “milagre” e magia pode bem ser qualquer “crença religiosa”.

    Um teísta (mono, poli, pan,…) tem de acreditar em algo que não é concreto, logo *crê*.

    Um ateu pode ser ou não anti-teísta, ou seja, pode activamente exercer proselitismo (epá, aos anos que ando a tentar usar esta palavra… :)) ateu ou guardar as suas crenças para si própio. Ao ser proselitista ateu basta dizer: como não reconhece nenhuma prova da existência do sobrenatural, logo não existe! Para ser proselitista teísta tem que convencer as pessoas que existe algo que não é concreto. Ou seja fazê-las *crer* em algo.

    Eu sei que concordas comigo e eu concordo com o que estás a tentar dizer. Só estou a meter nojo…😉

  6. João Sá diz:

    De acordo, mas continuo a achar que é apenas uma questão de linguagem.
    Usei o verbo crer no sentido de acreditar. Não podendo provar a existência ou não existência de deus, o ateu decide acreditar e basear tudo o resto num pressuposto: o da não existência de deus. A forma como depois justifica essa opção, caminho, posicionamento (ou devo dizer crença!) é outro assunto. Basear toda essa argumentação na ciência é uma possibilidade. Não será a única.

    Faço minha a tua última frase.

  7. Sónia Duarte diz:

    O facto de esta ser uma questão de linguagem não significa que seja de somenos importância, João.
    Por ser o meio através do qual nos apropriamos do mundo,s a linguagem é importantíssima! Da necessidade de darmos nome às coisas nasce a nossa tentativa de entendimento das mesma e, muitas vezes, nesse processo, chegamos a criar realidades até aí inexistentes.
    Sempre achei que tinha sido isso o que tinha acontecido com a palavra “ateu”. Cá para mim…😉 resultou da necessidade dos que professavam um culto se distinguirem dos que não professavam nenhum: inventaram o “ateísmo”! Nunca tive necessidade de pôr no mesmo saco (caixinha ou etiqueta) todas as pessoas
    que não alimentam uma crença religiosa e nunca me agradou muito que me tivessem metido aí…
    Mas enfim…como linguista, acho o exercício de nomenclatura muito válido e, pessoalmente, acho-o mesmo quase mágico e a palavra até me agrada do ponto de vista do seu processo de construção. Só não é uma religião e religião não se confunde com espiritualidade.

  8. João Sá diz:

    Oops, Sónia. Acho que toquei num ponto sensível. Claro que a linguagem é importante. Mas não é o mais importante. Os conceitos estão acima da linguagem. A linguagem torna-se apenas uma ferramenta para compreender e comunicar conceitos (quem nos manda ser seres limitados?!).

    Não te preocupes, há muitas outras coisas que são menos importantes. A informática é uma delas, mesmo tendo muitas linguagens lá dentro.😉

  9. Sónia Duarte diz:

    🙂

    O mais importante para mim no meio disto era a discussão e dessa eu gostei!

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