Eleições: o país em suspenso

Por muito importante e incontornável que seja a política, um país não se faz [apenas] dela. O país real, o país produtivo, o país que se faz hoje, o país que hoje prepara o futuro, parece sempre adiado.

As legislativas já lá vão. O PS, apesar de ter ganho, perdeu: deputados, número de votos e maioria absoluta. O PSD ganhou deputados e número de votos mas perdeu as eleições. O CDS e o BE ganharam à sua escala. A CDU ganhou votos e mais um deputado mas perdeu posição e velocidade, mantendo o mesmo discurso de sempre. Os pequenos partidos continuam pequenos. O partido com mais votos é a abstenção.

Hoje, aguarda-se o comunicado do Presidente da República que, espera-se, apresente o desfecho de mais uma novela que prejudica a democracia e nada acrescenta de bom.

Ao mesmo tempo, por esse país real fora, começa a campanha para as autárquicas com muitas novelas em formato curta-metragem.

Tudo isto parece um filme permanente. Um entretenimento de fraca qualidade com o bilhete pago por todos nós. É por isso que somos obrigados a assistir e a assobiar. Os actores principais não merecem palmas. Os que as merecem, não têm tempo nem espírito para as receber.

Enquanto isso, sabe-se que o défice duplica e que o desemprego pode chegar aos 650 mil já em 2010. Ninguém parece preocupado: há inaugurações, comícios, arruadas, aparência de festa e campanha.

4 respostas a Eleições: o país em suspenso

  1. João Leal diz:

    O resultado das legislativas mostraram que grande parte do país está satisfeita com as medidas tomadas por Sócrates e pelo PS.

    Quer se queira, quer não o PS ganhou as eleições em quase todos os distritos.

    O analafabetismo funcional e a ignorância imperam num país que pensa e analisa cada vez menos. Esse é um dos principais problemas do nosso país e das futuras gerações. Por outro lado, é uma grande notícia e um grande trabalho realizado pelos “grandes senhores” que continuarão a ser “grandes”!

  2. Sónia Duarte diz:

    Parece-me que neste post (e note-se que digo “neste post”) confundes política e partidocracia, coisa que noutros posts e noutros lugares te esforças por distinguir. Aqui fica a crítica, mas tenho a certeza que te vais defender bem dela…🙂

  3. João Sá diz:

    João, nestes caso não podemos querer ou não querer. Um democrata tem de aceitar e respeitar os resultados das eleições. Isso não implica que não se possa fazer uma leitura e uma crítica sobre eles. O problema está, parece-me também, numa falta de análise e reflexão sobre os problemas por parte de muitas pessoas. Nuns casos será por algum “analfabetismo funcional”, como dizes, noutros por desistência e desencanto, noutros ainda porque o ambiente social e profissional em que somos obrigados a viver torna difícil ter tempo cronológico e mental para dedicar a esses assuntos.
    Pior ainda, é a situação daqueles que têm todos os mecanismos para pensar, fazem-no, mas preferem manter o status quo porque lhes convém. Isto é muito mais triste que o analfabetismo funcional: é a perversão dos valores humanistas e a subjugação do social ao individualismo egoísta e a uma certa amoralidade. Seja como for, é importante não desistir, continuar a pensar, continuar a praticar valores que a história mostra serem essenciais à paz e à defesa da humanidade, e ter esperança que cada vez haja mais gente a fazê-lo!

    Sónia, não penso que me precise de defender: nem estou à defesa nem penso que me estejas a atacar!😉
    Quanto à “alegada” confusão (já posso ser jornalista :)), ela não existe. Acontece que um pequeno post num blogue não é um tratado sobre o assunto em causa, logo não se pode estar a definir com precisão cada conceito abordado. Claro que, neste post, assumo apenas uma perspectiva da política que incide mais sobre a partidocracia – fruto da época que vivemos. Mas repara que, implicitamente, acabo por dizer que não basta isso. Há muito mais para além disso.

  4. Sónia Duarte diz:

    Efectivamente eu não te estava a atacar e tu não precisavas de te defender e, nesse sentido, não precisavas de escrever o segundo parágrafo…😉

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