Viver aqui

Há dias em que faço perguntas. Há outros em que procuro respostas. Hoje é dia de escrever.

Porque vivo aqui? – é uma pergunta que me ocorre. Aqui, um país que se agarra a uma história requentada, que quer ser grande mas nem sabe se é pequeno, que procura pertencer à Europa mas está entre África e o Atlântico. É um país que tem gente boa e não sabe que tem. É um país que tem gente má e diz que é boa.

São as desigualdades. É a saúde para todos mas que só chega a alguns. É a educação de primeira e a de segunda. É a justiça que não se compreende, lenta ou sem fim. É a casa pia, o apito dourado, o caso Maddie e o freeport. São os crimes da noite. São os casos autárquicos – tantos! É o BPN e o BPP. É a DREN. É o caso Charrua e outros mais. São as tensões contidas ou abafadas dos militares e das forças de segurança. É a TVI e o Jornal Nacional. É o Público. É o DN. São as escutas da presidência – agora! É tudo aquilo que excedeu a memória disponível.

Será que isto é mesmo um lamaçal? Começa a ser difícil saltar de pedra-em-pedra.

Se a isto se chama um país, quero viver noutra dimensão.

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2 Responses to Viver aqui

  1. Sónia Duarte diz:

    Gostei do texto. Acho que todos ou muitos nos fazemos essa pergunta, mais ou menos vezes consoante o grau de inquietação de cada um. Talvez a resposta esteja em que nos outros países para os quais nos passa pela cabeça ir há outros a perguntar-se a mesma coisa… Nascemos num sítio por acaso mas a razão pela qual permanecemos nele ou mudamos para outro não é matéria do acaso. Cada um terá que procurar as suas respostas para ir ou ficar, mas muitas vezes a razão para a pergunta está naquela canção do António Variações em que ele dizia mais ou menos isto:

    “Porque eu só estou bem onde eu não estou.”

  2. João Sá diz:

    Obrigado, Sónia, pela tua compreensão. 🙂

    Também gosto muito de António Variações e, em particular, dessa música. Mas para mim a questão não é bem o “estar bem onde não estou”. É mais o dilema entre o que fazer para mudar o estado de coisas ou, a alternativa, passar a funcionar de acordo com estas regras que, do meu observatório, parecem promiscuas e sem valor.

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