Regresso de férias

As férias já acabaram. Foram boas, maiores para o Equilíbrios que para mim, mas a cada um aquilo que merece!

O tempo foi de descanso, mas também de observação e de reflexão dedicada sobre o que me rodeia. Bem, pelo menos para algumas coisas, já que para a silly season houve pouca paciência.

Crianças, as férias foram bastante infantis. E, por isso, reparei que a minha filha (embora outros pais me tenham dito o mesmo), em idade de alargar a gramática, diz quando fez algo:

– Eu fazi.

Quando sabe (e sabe quase sempre):

– Eu sabo.

Quando trouxe alguma coisa:

– Eu trazi.

Ora, observado isto (entre outras delícias gramaticais), tendo em conta a má fama da língua portuguesa, e aproveitando o novo acordo ortográfico, pergunto eu, o português não seria uma língua mais simples (até para os adultos) se os verbos fossem de conjugação mais natural?

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7 Responses to Regresso de férias

  1. Rui Gomes diz:

    Caríssimo, bem-vindo de volta ao mundo extra-férias (sim, existe mesmo…rsrs.. eu próprio o descobri e não gostei…rsrs).

    De facto, concordo contigo quando dizes que não há paciência para a “silly season”. Pior do que isso só mesmo a “elections season” que aí se aproxima mas disso falaremos mais adiante concerteza!

    Mas o que me fez escrever em primeira instância foi o ter constatado que passamos pela mesa fase de desenvolvimento verbal nos nossos filhos. Foi gratificante (embora já mo tivessem dito ser normal) ver que todas as crianças passam por essa fase e o meu filho, que faz 3 anos este mês, tem tiradas espectaculares de uma gramática refinadíssima…rsrs!!!
    Quanto à tua questão final, era de facto muito útil e não só para os menos letrados mas também alguns a quem se exige correcção máxima na Língua Portuguesa como sejam, os jornalistas!!!

    Tenho dito!

  2. Sílvia B. diz:

    Olá!
    Desejo-te um fabuloso regresso ao trabalho e a Coimbra.

    Sem poder dar exemplos de filhos meus, devo dizer que a tua filha está a passar por uma etapa normalíssima do desenvolvimento da linguagem, ou seja, está a “sobre-regulamentar” as regras. Nos verbos esta sobre-regulamentação torna-se muito evidente e engraçada até, mas acontece também com outras regras, como na formação dos plurais (cãos em vez de cães, etc.).

    Quanto à tua questão da simplificação da conjugação dos verbos em português, parece-me que tens muita razão. Contudo, não penalizes demasiado a nossa língua! Estes problemas não são específicos do português. No francês a conjugação verbal também não é nada fácil! Eu não sei alemão, mas pelo que sei há outras dificuldades. Mesmo no inglês, com conjugação verbal mais simples, há certas dificuldades. Por exemplo, “fish” não poderia escrever-se “gheess”(gh = /f/ como em enough; ee = /i/ como em “see”; ss = /x/ como em mission)? Claro que aqui estou a adicionar as atribulações da leitura e escrita, que também temos em português… E além disso, não sou linguista, meto foice em seara alheira 😉

  3. Sónia Duarte diz:

    Ora bem! Essa menina é que sabe! Isto é realmente uma delícia! Uma boa prova da interiorização das regras é o “preenchimento” das irregularidades (neste caso, as verbais”) em concordância com aquelas, mas mais interessante do que isso, este fenómeno de interiorização primária dos paradigmas denuncia lindamente (porque é mesmo lindo) que a linguagem carece de concordância com as suas próprias normas e que apresenta desvios à sua própria lógica. Mas nesse carácter subversivo da linguagem há também alguma beleza, ou não?

    🙂

    Além disso, o que faríamos nós linguistas se tudo fosse assim tão fácil?

    😉

    Para terminar, uma nota para a Sílvia: foices e alheiras são duas coisas de que gosto muito, por isso, por mim, à vontade!

  4. João Sá diz:

    Obrigado a todos pelos votos de “recepção”.
    Sónia, há tantos trabalhos para os quais seria melhor que não necessitássemos deles… mas nunca me tinha lembrado de pôr os linguistas nesse saco. Atenta e cheia de graça a menina, não? Com que então foices e alheiras!? E o martelo? Será para esmagar a alheira? 😉

  5. Sónia Duarte diz:

    Não percebo, Joaõ, “para que trabalhos” preferias “não necessitar deles” nem quem são “eles”: os linguistas? Os votos de recepção? E em que “saco” metes os linguistas? Realmente só percebi a piada do martelo… Será reducionismo ideológico? Será já cansaço no regresso às aulas?
    Seja como for, longe de mim esmagar alheiras… Que sacrilégio! Prefiro usá-lo para dar o toque final nas batatinhas a murro que podiam acompanhar essas belas alheiras… com uns grelinhos a vapor… e um tinto maduro… Ou uma batatinha frita e uma saladinha de agrião e tomate… e um tinto maduro…

    Acho que vou mas é jantar.

  6. João Sá diz:

    Humm. A minha capacidade de comunicação também deve ter saído debilitada das férias!

    O mundo seria um lugar melhor se uma série de profissões não fossem necessárias, não achas? Isto sou eu a sonhar alto, mas concretizo. Se fôssemos seres perfeitos (risos, muitos risos!) para que seriam precisos médicos, enfermeiros(, medicamentos, e todos esses cuidados)?
    Para que precisaríamos de polícias num mundo sem crime? Por acréscimo, juízes e advogados. Não tenho nada contra estas profissões, note-se. Ainda bem que existem, mas só porque temos a sociedade que temos!
    Ficou mais claro?

    Quanto aos linguistas, seriam sempre precisos. Teriam era o trabalho mais facilitado. Ou melhor, não teriam certos “trabalhos”!

  7. Sónia Duarte diz:

    🙂

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