O «homem avaliado»

Ainda do livro de José Gil, “Em Busca da Identidade – o desnorte”, encontro na página 52 uma frase interessantíssima, quiçá visionária:

Vários autores alertaram já para o facto de se anunciar, como figura social do homem do século XXI, o «homem avaliado».

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7 Responses to O «homem avaliado»

  1. Sónia Duarte diz:

    Então é assim?! Não se diz mais nada?! E o que é que se entende por homem avaliado. Vamos lá a desenvolver o conceito. Não se deixa o povo assim a salivar… tsss, tsss

  2. João Sá diz:

    O livro é bom. Recomendo. Se faço aqui uma cópia, o autor acusa-me de plágio.

  3. Sónia Duarte diz:

    Ninguém falou em cópia, preguiçoso…

  4. João Sá diz:

    Pode ser antes procrastinação? O jantar aguardava-me!

    Queres começar por partilhar o teu entendimento?
    De seguida tento explicar o meu. O livro não tem a avaliação como tema central, apenas lhe recorre algumas vezes.

  5. Sónia Duarte diz:

    Uma vez li uma Numa crónica de opinião do El País Semanal sobre a permanente situação de avaliação a que se está exposto hoje em dia (social, profissional ou pessoalmente). Nunca mais esqueci esse texto, embora não me lembre do nome do autor. Os possíveis efeitos contraproducentes e até perversos de uma avaliação a partir do exterior (os outros) sempre me inquietaram muito. O processo importa mais que o resultado. A avaliação deve servir o processo e não ser um fim para o mesmo. Tentarei recuperar esse texto e partilhá-lo neste espaço. No entanto, João, não era esse entendimento, nem o meu, nem o teu que vinha a propósito do teu post, mas o do José Gil: o que entende ele pela situação de avaliação? O que define “o homem avaliado”? Claro que posso ler o livro, mas posso não ter sido a única a sentir que foste escasso nas palavras. Não precisas de fazer uma recensão crítica, mas uma apresentação sumária desta ideia era algo que se agradecia! 🙂 A teu ritmo, claro… 🙂 A procrastinação é um direito, sem ela nada feito! 😉

  6. Lurdes Gonçalves diz:

    Frequentei um curso de verão na Universidade do Minho sobre Avaliação e Profisionalidade Docente. O primeiro seminário conduzido pelo Professor Licínio Lima foi dedicado precisamente a falar de “Avaliação” e da importância que tem vindo a ganhar no mundo contemporâneo. De acordo com a análise do Professor, a avaliação é, neste momento, política! Estamos a passar de um estado regulador para um estado avaliador. E porque assim parece mais rentável! Mesmo com a crise financeira que o mundo atravessa, a economia rege as nossas vidas e sociedades… eu diria, na senda do professor Licínio, que o homem do séc XXI é o “homo economicus”.
    Aprendi muito neste seminário. Mas aprendi sobretudo que não podemos estar a olhar para trás, qual Orfeu. Sou a favor da avaliação dos professores, sou a favor da avaliação entre pares e também sou a favor que haja distinções entre os professores (embora o concurso a professor titular tenha sido um escândalo!). Cabe aos professores (eu incluída) contribuir para encontrar uma forma de avaliação que seja sobretudo formativa, transparente e participada. Eu tenho contribuído e continuarei a contribuir.

  7. João Sá diz:

    Há duas situações, entre outras, que fazem inevitavelmente parte da vida: a comunicação e a avaliação. Enquanto vivemos, comunicamos sempre. Até quando não estamos presentes num lugar onde era suposto estarmos.
    Já com a avaliação é muito semelhante. Estamos sempre a avaliar e a ser avaliados. Quando nos cruzamos com alguém na rua, de forma mais ou menos superficial, com mais ou menos informação prévia, com base em preconceitos e em experiências anteriores, estabelecendo comparações, fazemos sempre uma avaliação do outro. Isto é natural e inevitável.

    Mas não é dessa avaliação que falamos. Falamos da avaliação como processo de controlo institucional e político.
    Tentando dar a minha interpretação do que José Gil refere, utilizando algumas das suas palavras, ele fala na avaliação como diagrama. «O diagrama é um mapa co-extensivo à sociedade que cartografa as relações de poder que circulam por toda a parte. Estas são microscópicas, relações de força singulares, locais, …».
    Ele coloca a avaliação como uma forma de proceder à hierarquização, de seleccionar, de excluir e integrar. É uma forma de distribuir funções que funcionam segundo relações de poder. Assim, será a avaliação a moldar todo o ser: público e privado, pessoal e social, estendendo-se a todas as actividades: sexual, saúde, desporto, mental, cidadania, …
    Isto terá efeitos negativos (ele fala em mutilação) nos possíveis, no aleatório, na criatividade.
    Os efeitos maiores a que se refere:
    1. Captura das forças livres pelo diagrama «avaliação»
    2. O ser singular do indivíduo é submetido a uma grelha geral em que se comparam, se quantificam e se qualificam competências
    3. Induzem no indivíduo a convicção de que está sempre numa situação de inferioridade em relação ao avaliador

    «A avaliação visa a autocondenação pelo sujeito. É a lógica de toda a governação pelo saber.» (Citado também no livro, de Jacques-Alain MIller e Jean-Claude Milner).

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