Em Busca da Identidade – o desnorte

gilNa continuação do post anterior, mas pelo abismo que vai da notícia aí citada a esta análise séria, por respeito a José Gil, não podia incluí-lo num post da categoria “Humor”.

Aconselho a leitura deste livro. É uma análise séria e profunda sobre os problemas da nossa sociedade. Fala-nos da identidade nacional, do chico-espertismo, dos processos de subjectivação, da obsessão pela avaliação, da relação dos indivíduos com o poder, dos processos de dobragem que se dão no âmbito da subjectivação. Vale a pena ler estas 59 páginas para nos compreendermos melhor: a nós e ao que nos rodeia.

Quanto ao post anterior, talvez não precisemos de Freud. Este texto de José Gil ajuda-nos a compreender muita coisa. Fica uma das partes mais “leves”:

(…)

Uma primeira característica da retórica de José Sócrates: quando inaugura uma escola, um tribunal, quando celebra as virtudes de uma iniciativa do Governo ou premeia os resultados de tal grupo da sociedade civil, uma ideia surge sempre, reiterada até à exaustão – a ideia de que aquela «é a obra necessária, que vem na hora certa para a modernização do país»; era daquilo «que nós precisávamos», e de que vamos precisar»; e que toda a acção do Governo «vai naquele sentido, porque é o sentido certo, e devemos insistir cada vez mais em acções e iniciativas daquela natureza». E assim por diante, batendo incessantemente na mesma tecla (…)

Talvez seja esta uma das grandes originalidades de um discurso que, por outro lado, repete sempre as mesmas ideias, quase com as mesmas frases, literariamente medíocre, lexicamente pobre, sem rasgos nem surpresas: é que está constantemente no presente mítico, transformando a obra mais banal num acontecimento de relevância única, exemplar, modelar.

(…)

É preciso ser realista. Assim começa a interiorização da obediência (e, um dia, do amor à servidão, como notou La Boétie).

No processo de domesticação da sociedade, a teimosia do primeiro-ministro e da sua ministra da Educação representam muito mais do que simples traços psicológicos. São técnicas terríveis de dominação, de castração e de esmagamento e de fabricação de subjectividades obedientes.

(…)

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