Uma boa medida

Mil desempregados vigiam floresta

(…)

No ano em que já arderam 16 227 hectares de floresta, entre povoamentos e matos, o que representa o quádruplo da área ardida em relação ao ano anterior (ver apoios), a GNR decidiu recrutar os vigilantes através dos centros de emprego, para dispor de uma ‘maior oferta de candidatos’ e ainda obter ‘alguma poupança’.

(…)

Os primeiros 140 vigilantes, que são responsáveis por 70 postos de vigia, começaram a trabalhar no início do mês e apenas entre as 11h00 e as 19h00. A partir de 1 de Julho estarão em funcionamento, 24 horas por dia, os 236 postos de vigia a cargo da GNR, aumentando para quase mil o número de vigilantes contratados para fazer este serviço.

(…)

Há bastante tempo que defendo este tipo de articulação.

Embora com as devidas distinções, seria também interessante pôr em prática medidas semelhantes para alguns reclusos. Com equipas de coordenação bem formadas seria possível produzir muito trabalho útil para a sociedade, fazendo com que estas pessoas se sintam legitimamente úteis e evitando alguma preguiça latente.

4 respostas a Uma boa medida

  1. A Rodrigues diz:

    Concordo plenamente.
    O serviço social deveria ser um dever. Afinal a sociedade pertence-nos, mas para podermos usufruir dela deveremos também contribuir.
    Obviamente que qualquer trabalho deve ser recompensado, mas a prioridade para este género de serviços deveria ir exactamente para os que precisam. Dando assim oportunidade de emprego e de condições dignas a desempregados, pessoas com menores qualificações e/ou empregos de baixo rendimento (diga-se degradantes), reclusos, cidadãos com dificuldades de integração, etc.

  2. Nuno diz:

    Embora seja uma forma de manipular os números de desemprego (pois estas pessoas deixam de contar como desempregados, embora recebam o subsídio na mesma) e de, com estes contratos, no final o empregado não ter forma de receber do desemprego. Quanto aos postos de trabalho, existiriam na mesma!
    Isto já acontece em muitas outras áreas (posso dar o exemplo dos museus, bibliotecas, etc.)…o estado aproveita os desempregados para, a troco do subsídio de desemprego, trabalharem nas suas instituições. Aliás, também quiseram fazer isto (e existiram algumas situações que o fizeram) com os professores: nas AEC’s do 1º Ciclo, mas os sindicatos protestaram!
    Na vertente de Gestor penso ser uma óptima forma de se canalizarem recursos a baixo custo e diminuir os números do desemprego. Moralmente, deixo ao critério de cada 1…

  3. João Sá diz:

    A. Rodrigues, duas notas.
    A sociedade não nos pertence. Nós fazemos parte dela e devemos contribuir para ela, uma vez que recebemos muito dela, sendo que algumas dessas coisas não são tangíveis.
    A segunda nota, não acho que esses trabalhos sejam degradantes. São trabalhos que exigem menos qualificações e que a sociedade se habituou a depreciar. No entanto, a sociedade depende tanto desses trabalhos como de outros tidos como mais nobres. É apenas uma questão cultural e de relações de forças.
    Se os espaços (casas, ruas, …) que frequentamos estiverem sujos, se os incêndios baterem à nossa porta porque as matas não são limpas, se as estradas estiverem cheias de buracos porque ninguém as quer arranjar, talvez passemos a atribuir outro valor aos trabalhos tidos como menos nobres.

    Nuno, desconheço se deixam realmente de contar como desempregados e parece-me estranho que continuando a receber o subsídio de desemprego, com o pagamento de apenas 20% pela GNR, no final deixem de o receber.
    Há postos de trabalho que não existiriam. Quem se tem preocupado em vigiar ou limpar as matas?

    Quanto à manipulação estatística, é triste mas é o que acontece em diversas situações. Temos de fazer por mudar essa manipulação.

    Quem está inactivo pode produzir trabalho útil para a sociedade, ainda mais recebendo subsídios que resultam dos nossos impostos. Este é um princípio que defendo. Obviamente que não defendo no meio de uma mentira, seja ela qual for.

  4. A Rodrigues diz:

    Corrijo-me “… se nós usufruímos da sociedade a que pertencemos …”

    Quanto ao “emprego degradante” eu queria dizer “em condições degradantes”. Referia-me a trabalhadores com baixos salários e sem quaisquer condições laborais. De uma forma simples, trabalhadores explorados.
    Na minha opinião um trabalhador explorado tem tanto direito a ajuda do Estado como um desempregado. Pois trabalhar em condições degradantes por 200 ou 300 euros e sem qualquer vinculo contractual é o mesmo que estar desempregado. Aliás os desempregados com subsidio de desemprego ganham mais do que isso.

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