Apoio à família ou demissão dos pais?

Diz a CONFAP que o balanço do ano lectivo é positivo. Talvez seja ou talvez não, adiante.

Sendo a CONFAP uma associação que [supostamente] representa os pais (a mim não representa certamente e até existe outra confederação de que pouco se fala mas que parece ser igualmente representativa – a CNIPE), sabe-se através de notícia do Expresso:

O Conselho Geral da CONFAP (Confederação Nacional das Associações de Pais) fez hoje um “balanço positivo do ano lectivo 2008/2009 e da actual legislatura”, que critica apenas por “não ter avançado com a componente de apoio à família”.

(…)

Falhou apenas a componente de apoio à família, relacionada com a organização de espaços para que as crianças possam ficar na escola quando os pais não podem estar com eles“, defende Albino Almeida, presidente da CONFAP.

(…)

Albino Almeida recomenda também a instituição de campos de férias e a implementação de “um sistema de transporte escolar que permita que as crianças do interior visitem o litoral e vice-versa“.

(…)

Mais tempo na escola (a famosa “escola a tempo inteiro”), campos de férias, transportes litoral-interior podem ser muita coisa, menos apoio às famílias. Talvez seja apoio aos pais que encaram a educação e o tempo passado com os filhos como uma obrigação e algo a evitar. A cumprirem-se medidas como estas nem durante as férias os pais estariam com os filhos. Durante o ano lectivo, as crianças estariam na escola de sol-a-sol. Durante as férias, as do interior visitariam o litoral e as do litoral o interior. (Des)encontros apoiados! Daqui a pouco pedem-se camas para as escolas com a desculpa do “apoio às famílias”. Afinal, há muitos pais que trabalham de noite.

Apoio às famílias seria criar condições sociais e laborais que servissem para conciliar horários, permitindo que uns tivessem tempo para estar com os outros.

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12 Responses to Apoio à família ou demissão dos pais?

  1. Sónia Duarte diz:

    “Apoio às famílias seria criar condições sociais e laborais que servissem para conciliar horários, permitindo que uns tivessem tempo para estar com os outros.”

    Voto favoravelmente e com aclamação. Podias ter chamado a este post “o dedo na ferida”…

  2. A Rodrigues diz:

    O que me assusta neste e noutros assuntos que têm sido discutidos à volta da educação não é tanto o estado da educação actual, mas a educação desta geração de adultos.
    Que género de educação tiveram estes pais?

  3. João Sá diz:

    Cuidado com as generalizações.
    “Os adultos não são todos iguais.”

  4. Sónia Duarte diz:

    🙂

  5. A Rodrigues diz:

    Pára com essa história de generalizações.
    Generalizar significa tomar como referência um conjunto de características presentes numa maioria. Logo implica que existem excepções.
    Parece-me que confundes generalizar com “absolutalizar”.

    Além disso eu não generalizei. Eu disse “este pais”.

  6. João Sá diz:

    🙂

  7. Marta Malva diz:

    Se a demissão dos pais que falas pudesse ser traduzida em números, tenho a impressão, infelizmente, que ultrapassaria e em grande escala a taxa de desemprego actual.
    Para mim, é assustadora a mentalidade da maioria dos pais, assim como a educação que transmitem(?) aos filhos.

  8. João Sá diz:

    Marta, a minha experiência também me diz que são muitos os pais que se demitem da educação dos filhos, embora esta noção de demissão deva ser mais explicada. Há muitas formas de demissão. Verdade seja dita que os valores que a sociedade actual promove, principalmente através dos meios de comunicação social e da publicidade, convidam a isso, o que não é desculpa, mas ajuda a perceber o que acontece.
    Fiquei na dúvida se querias estabelecer alguma relação entre as pessoas que estão em situação de desemprego e a relação que têm com a educação dos filhos. Penso não haver nenhuma relação, mas também me parece que em número é superior.

    Fiquei curioso sobre a forma como vês a “mentalidade” desses pais e da educação que transmitem (ou não) aos filhos.

  9. Marta Malva diz:

    Não pretendi estabelecer qualquer ligação entre desempregados e a educação dos seus filhos.
    A analogia foi derivada da tendência dos engenheiros traduzirem muita coisa em números, de os ditos pais ao se demitirem serem “desempregados” neste contexto e ainda de achar que são em número nada desprezável à semelhança do desemprego real e actual.

    🙂

  10. Lurdes Gonçalves diz:

    O apoio às famílias é importante e deve ser real. Não me parece que seja necessariamente mau que haja campos de férias e que, eventualmente, seja a escola a organizá-los. Sei que há muitas crianças portuguesas que mesmo na era da mobilidade e até tendo um computador não se afastaram do local de residência mais de 100 km e a maior parte dessas deslocações são organizadas pela escola. (Não conheço estudos que contrariem este conhecimento que tenho da realidade onde trabalho).
    Também não me parece que os pais que defendem a criação de campos de férias se estejam a demitir da sua reponsabilidade de educadores. Não esqueçamos que os pais que trabalham têm apenas 22 dias úteis de férias e as crianças entram em férias no final de Junho e regressam à escola apenas em Setembro. Não será, pelo contrário, também uma preocupação educativa com os seus filhos, que em vez de os deixarem em casa entregues a si próprios, a ver televisão ou a jogar jogos de computador, sabem que estão ao cuidado de profissionais que preparam actividades com experiências variadas que também são necessárias ao crescimento?
    Além disso, um campo de férias tem geralmente uma duração de uma ou duas semanas e não dois meses.

  11. João Sá diz:

    Também considero que não é necessariamente mau a existência de campos de férias, nem que seja a escola a organizá-los.
    Seria, aliás, uma experiência bastante útil e rica para os filhos daqueles pais que têm uma postura de super (ou hiper) protecção e que estão no extremo oposto à demissão – querem estar sempre presentes e controlar tudo.

    Mas tudo requer uma contextualização e uma análise do histórico. O que quero dizer com isto? Que é preciso ter em conta o ambiente das escolas, o que queremos realmente dela e a forma como os professores e alunos se sentem nela; que é preciso ter em conta a postura que a CONFAP tem tido ao longo do tempo – aquilo que tem defendido e com que objectivos (explícitos e implícitos).

    Mas podemos pensar numa lógica mais ampla. Que caminho temos vindo a seguir em termos de relações sociais e familiares? As escolas abertas durante 12 horas são um bom reflexo disso! Para mim, o problema não é a escola estar aberta 12 horas. Pode ser muito útil. Aliás, até poderia estar aberta 24 horas se fosse num ambiente de convivência saudável e onde todos os elementos da comunidade se sentissem bem.
    Não “quereremos” a escola aberta 12 horas apenas porque alguns pais têm uma vida profissional tão exigente que não lhes dá espaço para acompanhar mais de perto a educação dos filhos? E aqueles outros casos em que os pais, mesmo saindo do trabalho a horas “decentes”, deixam os filhos na escola (ou no infantário – casos que conheço de perto), vão para o shopping passear, sendo muitas vezes os últimos a ir buscar os filhos!
    Não podemos conceber a escola como um espaço onde os alunos estão porque são obrigados, os professores estão porque os obrigam a desempenhar tarefas sem sentido para eles e, onde, de um modo ou de outro, a desmotivação é enorme.

    A propósito, quem seriam os profissionais que iriam “tomar conta” das crianças nos campos de férias? Espero que não sejam os professores. É que a maior parte deles não têm nem vocação nem formação a esse nível.
    Para além disso, as crianças também precisam de desenvolver a autonomia e independência. Não podem passar o ano inteiro dentro de um ambiente controlado e previamente planeado, mesmo que tenha contornos de informalidade e liberdade.

    Resumindo, (quase) todas as medidas podem ser boas. A questão é, qual o significado que essas medidas adquirem em função dos contextos e quais as melhores medidas em determinado contexto?

  12. Lurdes Gonçalves diz:

    Concordo que, com efeito, uma medida tem que ser sempre contextualizada e envolve muito mais questões para além da acção específica que propõe.

    A escola, enquanto centro educativo, e inserida numa comunidade poderá fazer muito no sentidos de cuidar as relações sociais e de promover acções neste sentido. E, também creio, que é através de acções diferentes das actividades curriculares que poderemos “ganhar” os alunos para a escola enquanto, repito, centro educativo que proporciona experiências ricas a quem lá se dirige. Talvez esta seja uma visão idílica da função social da escola, mas parece-me que o futuro da escola enquanto instituição passa pela sua abertura e conexão à comunidade. É neste sentido que penso que se integram actividades do tipo de “campos de férias” ou outras. E quando me refiro a “profissionais” também podem ser professores que se sintam motivados e com capacidades para tal. Mas não necessaria e unicamente professores. É algo que se deverá organizar com a intervenção de diferentes instituições e organizações da comunidade. Só assim estas medidas podem, na verdade, constituir uma mais valia e ser significativas paras as comunidades que delas usufruem.

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