O homem que votou duas vezes

A história do homem que votou duas vezes

Vitor Santos conseguiu a “proeza” de votar duas vezes nas Europeias em duas freguesias. Primeiro foi à freguesia da Golpilheira, Batalha, de onde é natural. Depois, voltou a votar na freguesia da Maceira, Leiria, onde reside há 28 anos.

E como é que isto foi possível? Na Batalha utilizou o cartão de eleitor, documento que possui desde os 18 anos. Na segunda localidade, através do cartão de cidadão que tem desde 2008 e que o recenseou automaticamente em Maceira.

Mas o que pretendia provar Vítor Santos? “Saber se o meu nome estava nos cadernos da Golpilheira. E estava”, confirmou ao i. “Votei no mesmo partido”, salientou. Mas a experiência pode ser cara: a lei eleitoral prevê que quem vote mais do que uma vez incorre num crime com pena de prisão de seis meses a dois anos e multa de 100 a 500 euros. A Comissão Nacional de Eleições admitiu ao i outros casos: podem ter existido “quatro a cinco casos” iguais disse Nuno Godinho de Matos, porta-voz da CNE. O responsável esclarece que os resultados eleitorais não estão em causa.

Em vez de agradecerem ao homem por mostrar as falhas do sistema, preocupando-se de seguida em resolvê-las, só se fala do crime…

Oxalá todos os crimes fossem actos de cidadania, digo eu!

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6 respostas a O homem que votou duas vezes

  1. A Rodrigues diz:

    Estive para fazer o mesmo, ver se conseguia votar em Frankfurt com o cartão de eleitor.

    Associar o local de voto à morada não é uma boa ideia. Os cidadãos deveriam poder escolher o local de voto.

    Numa era em que a mobilidade é geral, em que as pessoas moram e trabalham em locais afastados, em que as deslocações prolongadas são frequentes e em que a flexibilidade laboral é uma moda, não faz sentido obrigar as pessoas a deslocarem-se à freguesia do local da sua residência oficial.

    Eu, por exemplo, estava registado no consulado de Frankfurt por conveniência. No entanto com o cartão de cidadão o meu local de voto foi mudado automaticamente para a freguesia da residência oficial.
    Outros cidadãos houve que foram mudados da freguesia onde moram para a freguesia adjacente porque segundo os registos o seu código postal ali pertence, embora geograficamente não seja assim.
    Outros ainda afirmam que não foram avisados da mudança de local de voto. (Eu por acaso fui, informalmente e depois por escrito)

    O que o João diz é verdade, mas a CNE já afirmou que não tem conhecimento formal deste caso. Uma forma de dizer “como não conhecemos o problema não é nada connosco”.

  2. João Sá diz:

    Mais ainda, está mais que na altura de se permitir o voto online. A desculpa da segurança já não serve. Todos estes problemas ficariam resolvidos. Manter-se-ia o sistema tradicional para quem quisesse e as mesas de voto descarregariam o voto na base de dados… sem listas em papel.

  3. Sónia Duarte diz:

    Depois de saber que até a Comissão Nacional de Protecção de Dados perde dados, eu tenho ainda algum receio… , mas admito que a ignorância é o maior alimento desse meu receio.

  4. João Sá diz:

    Se perdem dados não é certamente por não estarem em papel. Também há papéis que se perdem, quando não se transformam!
    Quando os sistemas (tecnológicos ou tradicionais) são bem concebidos podemos confiar neles.

  5. Sónia Duarte diz:

    Correcto! Ambos os sistemas são falíveis. Mas a minha experiência em mesas de voto, diz-me que, quando há cidadãos que ainda não sabem votar em papel e membros de mesa que desconhecem regras básicas, primeiro é necessário aproximar as pessoas do processo, seja ele qual for.
    Mais importante que a revolução tecnológica (contra a qual nada tenho, note-se), urge a revolução “pedagógica”… E o Estado tem aí um papel por cumprir…

  6. João Sá diz:

    Sim, e pode ser [também] pedagogia tecnológica.

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