CR vs Pandemia

Apercebi-me, ontem, através do twitter, que as duas grandes notícias do dia foram a gripe A como a primeira pandemia do século XXI e a transferência pornograficamente milionária de Cristiano Ronaldo para o Real Madrid. Não fiquei surpreendido com nenhuma delas.

À noite, o Jornal das 9 da SIC Notícias abriu com a notícia sobre CR. Tudo bem, pensei, já se sabe que o futebol move massas galácticas. Esperei que a notícia sobre a gripe A viesse logo a seguir. Seriam os dois destaques, pensei mais uma vez. E veio, mas 30 minutos depois! Também não fiquei surpreendido, mas escandalizado! Durante meia hora, contada pelo próprio relógio da SIC-N, exploraram o assunto até à exaustão. Mais parecia artigo de revista cor-de-rosa com direito a reportagem paparazzi. Até a hora a que CR entrou e saiu da casa de Paris Hilton teve direito a crédito.

Sobre a pandemia, a seguir, notícia de 2 minutos (contados também pelo relógio da SIC-N), com um tom asséptico e fugidio.

Se há momentos em que me sinto optimista em relação à sociedade, como no domingo passado – sobre os resultados das eleições europeias, por vários motivos, até pelo significado da abstenção -, há outros, como este, em que a religião-futebol e o fenómeno social associado quase me tiram a esperança.

Ao menos, até no mundo do futebol vamos tendo acesso a uns rasgos de sensatez, como este do ministro britânico do desporto ou este do presidente da UEFA. Valha-nos isso.

5 respostas a CR vs Pandemia

  1. A Rodrigues diz:

    Foquei esta questão no passado no meu Blog.

    Estas foram as tuas palavras na altura:

    “Quanto a opções editoriais, discordo de muitas, o que é natural. Mesmo que discorde, aceito, desde que as tome por honestas e sem má fé.”

    Assumindo que tudo o que disseram sobre o CR foi honesto, porque razão te sentes indignado?

  2. João Sá diz:

    Bem visto.🙂
    Curioso também é o facto de ter escrito neste post uma frase onde dizia algo semelhante. Acabei por não a incluir.

    Naturalmente que são opções editoriais e, por isso, aceito e discordo.
    Não diria que fiquei indignado, mas sinto feridas algumas das minhas expectativas em relação à SIC-N, daí o escandalizado (que talvez seja um termo um pouco forte). Talvez por associar muito a SIC-N ao Mário Crespo…

  3. Sónia Duarte diz:

    Três comentários:

    Tenho demasiado respeito pela palavra pornografia (v. http://www.ciberduvidas.com/pergunta.php?id=4787)! Por isso não a teria usado no contexto em que surge, mas são opções editoriais… Aceito, ainda que não concorde.😉

    Não tenho tanto optimismo pelo significado da abstenção como pelo significado do voto em branco…

    Já deixei de ter grandes expectativas em relação aos órgãos de comunicação social ditos “independentes” que são propriedade de grandes grupos económicos… Tantas vezes ausentes de onde estão as notícias, tantas vezes a fazer notícias onde há um vazio delas…😦

  4. João Sá diz:

    Quanto à palavra pornografia, foi no sentido de obscenidade. Tenho uma reflexão semelhante acerca da palavra “pedofilia”. Havemos de voltar a essa conversa… sobre o real significado das palavras e sobre o emprego que se lhes dá.

    Bem, quanto à abstenção, depende da leitura que fazemos dela. Naturalmente que respeito mais os votos em branco, mas quando a abstenção significa mais que um protesto, sendo já reflexo de uma descrença no “sistema”, acho que constitui uma desacreditação dos principais actores. Não quero meter todos no mesmo saco, como sabes, mas a verdade é que vai continuando tudo na mesma ao longo de muito tempo… Se é verdade que alguns bem intencionados procuram mudar o sistema por dentro, a verdade, também, é que muitas vezes entram nesse sistema e contribuem mais para o protelar que para o mudar.

    Sobre os órgãos de comunicação social, é verdade o que dizes, mas precisamos deles. Mesmo dos “ditos independentes”. Afinal, são os que predominam e os que vão garantindo algum tipo de concorrência que leva a alguma distinção entre eles. Dá-nos é mais trabalho filtrar e interpretar a informação. Não nos basta aceitar a informação, é preciso interpretá-la e desmontá-la. São energias que poderiam ser canalizadas para outros fins…

  5. Sónia Duarte diz:

    Gostei das respostas.🙂
    Também devíamos voltar a essa ideia da “concorrência”: acho que é sobrevalorizada nos dias de hoje.

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