Chicken a la Carte

Será que estas crianças escolheram viver assim?
Vamos continuar a fingir que não sabemos, a cultivar a insensibilidade e a viver como se nada fosse?
Será este o mundo que queremos?

Filme também disponível aqui.

8 respostas a Chicken a la Carte

  1. Sónia Duarte diz:

    Recomendo ver sem som…

    As imagens são muito fortes e demasiado familiares, mas com outros rostos, com outros olhos menos rasgados. Lembram-me imagens de ruas onde vivi e de lugares por onde passei.

  2. Rui Gomes diz:

    O filme é tão forte que me deixa sem palavras para descrever a minha revolta contra tamanha injustiça neste mundo…
    Resta-me apenas responder às tuas questões, sendo que as respostas são tão óbvias que podem parecer clichés…
    Não escolheram viver assim, de facto, mas as pobres, porque as que frequentaram o restaurante de fast-food escolheram e vão continuar a viver assim!!!
    Vamos continuar a viver como se nada fosse, infelizmente. O nosso egoísmo é tão forte que nos cega e faz com que os “pequenos” problemas da nossa vida sejam encarados por nós como o fim do mundo, quando situações como esta são bem pior que o fim do mundo, pelo menos aí, estas crianças não teriam de comer do lixo…
    Quanto à ultima questão, a resposta está nas entrelinhas do que disse anteriormente!!!

  3. Sónia Duarte diz:

    Relendo as respostas e as perguntas, reparo que ao usar numas e noutras a primeira pessoa do plural (“vamos, sabemos, queremos”) estamos a fazer uma segunda exclusão: a das famílias com fome desse “nós”. Acredito que o estado das coisas só vai mudar quando “nós” formos “o outro”, ou seja, quando pensarmos na situação do outro como se fosse nossa. É assim que eu entendo a solidariedade: de uma forma tão exigente que também falha no meu discurso feito de uns e de outros…

  4. A Rodrigues diz:

    É tudo muito, muito complexo.

    Não concordo com o Rui quando diz que as crianças que frequentam o fast-food escolheram ser assim. Não, não escolheram. Se pudessem escolher provavelmente estariam a comer iguarias num restaurante de luxo. Mas a fast-food é o que está ao seu alcance, assim como o lixo é o que está ao alcance das outras crianças. Todas são vitimas da sociedade em que vivemos. nenhuma teve o livre arbítrio para escolher ser assim.
    O que está mal aqui não são as crianças que vão ao fast-food, nem o facto de deixarem mais de metade da comida no prato. O que está mal aqui é que não deveriam existir as outras, as que comem lixo. Ou melhor, deveriam existir sim, mas com condições de vida justas.
    Aproveito para perguntar ao Rui. Teve a oportunidade de escolher ser o que é hoje, ou simplesmente cresceu num ambiente que lhe proporcionou ser o que é? Se tivesse tido oportunidade de ter uma vida ainda melhor não a teria aproveitado? E isso é um erro?
    Concordo plenamente com a Sónia. Apenas colocando-nos (nós, vós, todos) na posição daquelas crianças podemos pensar objectivamente sobre o assunto.
    Já agora deixo aqui uma provocação. Apesar de termos visto este vídeo continuamos a almoçar e a jantar todos os dias. Continuamos a deixar comida no prato. Continuamos a ir ao restaurante. Afinal o que fazemos nós para erradicar estes casos? Escrever umas simples linhas no nosso teclado? Teclado esse que daria para comprar uma refeição decente para uma destas crianças.

  5. João Sá diz:

    Já vi sem som, já me lembrei de situações parecidas que acontecem perto dos nossos olhos, já pensei no que podemos e não podemos fazer, já… tanta coisa…
    Mas, como disse o A. Rodrigues, escrever estas linhas não muda muito, é verdade. Mas não as escrever ainda muda menos. Ser indiferente é bem pior. Escrever, falar ou pensar sobre isso tem reflexos nas nossas atitudes e comportamentos. E isso pode fazer toda a diferença.

    A Sónia tocou num ponto muito importante. Até os tempos verbais que utilizamos revelam o nosso pensamento e, em consequência, a forma como encaramos o mundo e agimos sobre ele. Aí é que a mudança é difícil. Se não pensarmos nisso, continuamos a alimentar e a propagar uma cultura “errada”, sem a questionar. Só reflectindo sobre ela é que a poderemos mudar, em nós e nos outros.

    A verdadeira solidariedade passa pelo que a Sónia disse. Isto em oposição a coisas como caridade, pena, compaixão. E aqui entro na provocação do A. Rodrigues. Trocar o meu teclado por uma refeição seria fazer caridade. A caridade atenua problemas, pontualmente, mas nunca os resolve. Eu prefiro escolher um caminho mais longo e mais difícil sabendo que as soluções definitivas são possíveis. Portanto, para mim, a caridade não é o caminho. A solidariedade sim, essa é. E essa é muito difícil e conquista-se [em nós e nos outros] muito devagar.
    É verdade que é um assunto “muito, muito complexo”, mas esta frase tem normalmente uma carga de resignação e de fecho de ideias. Penso que não podemos ir por aí. Essa é o caminho para que nada mude. Tal como a palavra mudança, não basta falar nela. Mudar por mudar não adianta. É preciso mudar com sentido. E mudar nas pequenas coisas para que as grandes mudem também. Por exemplo, não adianta dizer que não somos racistas se os nossos pensamentos mais profundos e a nossa concepção do mundo tiver lá dentro uma pontinha de racismo. Depois, no dia a dia, aplicamos filtros e não somos genuínos. Portanto, escrever, falar e pensar pode mudar muito mais do que trocar um teclado por uma refeição para a dar a quem dela necessita.

  6. Sim,
    É um assunto demasiado complexo para caber em blogs. Embora os blogs cumpram a sua função é preciso falar deste tema em conversas do dia-a-dia, em livros, nos media, nas redes sociais, no voto, enfim. Concordo que a caridade também não é a solução de fundo, mas como sugeres João, não a fazer é ainda pior.
    Recomendo a leitura de “How are we to live” de Peter Singer, julgo que existe já uma versão em português.

  7. Anabela Monteiro diz:

    Sim
    Concordo com todos vocês, contudo convêm olhar ao nosso redor, pois já existe crianças a passar necessidades idênticas, de fome, de carinho, de amizade, de rumo, de falta de valores básicos.
    Eu como pessoa tento ao meu redor fazer o que penso ser o correcto, dar um pouco de mim a todos os que de mim necessitam, neste caso falo em alunos e colegas, que tantas vezes de uma palavra necessitam, de um valor de uma luz ao fundo do túnel. Já tive a sorte de ao longo da minha vida me encontrar com pessoas maravilhosas, que me deram com as suas palavras força para o dia a dia, que me deram um ombro onde chorar, que me deram um silêncio onde reflectir.
    Talvez um dia consiga dar mais, muito mais, na nossa sociedade a mais fome da alma do que da alimentação (para já).
    Desculpem alguma coisinha.

  8. João Sá diz:

    Ora essa, não há razão nenhuma para pedir desculpas.
    Quem participa numa discussão destas deve receber, no mínimo, um agradecimento.
    Só isso já é demonstração de generosidade.

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