Gestão danosa?

Se, como diz o DN, há hospitais a pagar a médicos o dobro do que define a lei. Se, como diz a mesma notícia, as razões se devem à falta de médicos, impõe-se a pergunta: porque razão temos falta de médicos?

Se não me falha a memória, há poucos dias ouvi uma notícia num jornal televisivo onde referiam que, actualmente, entram pouco mais de 400 médicos por ano para as universidades portuguesas, em contraste com os anos 70, em que entravam cerca de 800.

Quem tem responsabilidades no planeamento das vagas e do acesso a cursos universitários? Porque razão há milhares de licenciados, nomeadamente de cursos de letras e ciências sociais, no desemprego? Porque razão parece haver uma gestão diferente relativamente a outros cursos? Por exemplo, existindo actualmente um número suficiente de professores de infomática, este ano, as universidades que tinham na sua oferta curricular cursos de informática – ramo educacional, receberam ordem para não abrir nenhum desses cursos.

Dois pesos e duas medidas? Lobbies?

Não sou jurista, mas não será a isto que se chama gestão danosa?

Neste caso com evidente prejuízo do país.

3 respostas a Gestão danosa?

  1. A Rodrigues diz:

    A noticia cita que os hospitais não têm alternativa. Que os médicos não aceitam ser pagos a esse valor.
    Olhando para a situação como um facto isolado até pode ser verdade. Um hospital não consegue contratar médicos porque estes não aceitam ser pagos ao preço de lei.
    Mas se generalizarmos a situação, que pela notícia parece ser o caso, então os hospitais têm a faca e o queijo na mão. Se os hospitais, como um todo, recusarem pagar acima do preço de lei os médicos ou aceitam ou ficam no desemprego. E como o comum dos cidadãos não tem dinheiro para pagar a médicos privados, eles (os médicos) não terão outra solução senão trabalhar para o SNS ao preço de lei.
    O que me parece neste caso é que os administradores dos hospitais estão do lado dos médicos e utilizam a desculpa de não terem outra saída.

  2. João Sá diz:

    Seria uma abordagem para resolver o problema. Mas também admito que haja problemas de comunicação e até alguma competição entre administrações hospitalares, portanto, seria difícil agir dessa forma.

    Para além disso, o problema tem outras raízes que se prendem com as motivações neoliberais da nossa economia, que tendem a encarar bens públicos essenciais como meros produtos transaccionáveis: saúde, educação e até a segurança e a justiça. É um caminho que interessa percorrer aos arautos dessas políticas. Havendo um pior serviço público, florescem os privados.

    Fazendo uma análise simples, exclusivamente no que toca a sistemas de saúde, é como colocar o sistema de saúde americano num extremo e o cubano no outro. Nós estaremos algures no meio, com alguns senhores a quererem que percorramos o caminho na direcção da liberalização dos cuidados de saúde.

    Nunca percebi, e continuo sem perceber, como se pode falar em lucro de actividades não produtivas como a saúde, educação e justiça.
    Enfim, são as perversões [conceptuais] do capitalismo.

  3. Sónia Duarte diz:

    🙂

    Eu podia ter escrito isto!!! Subscrevo integralmente!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: