Fronteiras

Sempre, desde pequeno, senti alguma angústia quando olhava para as pessoas que defendiam uma “camisola” acriticamente. O sentimento mantém-se e os exemplos continuam abundantes. Talvez o mais presente, e evidente, seja o futebol e o radicalismo de alguns adeptos. Por que razão se é de determinado clube? Será porque gostamos da cor do equipamento? Será porque alguma figura parental nos influenciou? Será porque nascemos (e crescemos) num contexto que promove determinada orientação? Estas são algumas possibilidades, outras, igualmente válidas, existirão. Não me preocupa muito qual a razão. Preocupa-me, antes, que algumas pessoas defendam uma camisola sem saber por que a defendem. Estou convencido que é essa a fonte da maior parte dos conflitos, sejam grandes ou pequenos. Isso e as limitações da comunicação.

Quantas vezes assistimos a discussões em que ambos os lados, se existirem apenas dois, defendem posições aparentemente opostas com empenho e entusiasmo, algumas vezes excessivo e até violento, quando na essência do problema defendem o mesmo e estão do mesmo lado?

Tudo isto, claro, admitindo que ambos os lados (consideremos apenas dois para simplificar) estão de boa fé e com empenho sincero na causa, seja ela qual for.

Comecei com o exemplo dos clubes de futebol. Mas o que dizer da(s) guerra(s)? Quais as verdadeiras razões para uma guerra em que se matam (leia-se, acaba com a vida de) seres em tudo semelhantes. O que se ganha com o domínio (ilusório) de uns sobre os outros? Nada (de bom). Apenas a perpetuação de uma competição acéfala com um único destino: o abismo.

O que faz falta é uma visão cósmica do mundo. Se todos os seres humanos percebessem que são tão insignificantes (ou importantes) como um grão de areia, tão importantes (ou insignificantes) como um planeta inteiro, um sistema solar ou uma galáxia, talvez a compreensão, a tolerância e a aceitação fossem uma realidade humana.

Um mundo sem fronteiras deve ser o objectivo. Basta pensar no acaso. Por que razão somos humanos? Por que razão nascemos num país e não noutro? O que é isso de um país? Será que o universo quer saber de países ou fronteiras?

Claro que alguns dogmas religiosos se oporão a esta visão. Esses, são fáceis de desmontar. Afinal, não serão esses dogmas apenas mais uma fronteira ou “camisola”?

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8 Responses to Fronteiras

  1. A Rodrigues diz:

    Excelente post.

    Não queria contudo deixar de acrescentar algo a que não podemos ser indiferentes.

    Nós humanos somos tão insignificantes como qualquer outro animal do nosso planeta. E nessa insignificância partilhamos algo que é característico da maioria dos terráqueos. O sentimento de posse ou de pertencer a algum lugar.

    Nós humanos defendemos o nosso espaço tal como um cão defende o jardim do seu dono, um pássaro defende a sua árvore ou um cardume de peixes defende o seu recife.
    Esse sentimento de pertencermos a algum lugar ou de possuirmos espaço é inato. Logo os regionalismos e as fronteiras são naturalmente explicáveis.

    O que não é explicável é que se use da mais horrível violência (a morte, ou melhor, a morte da nossa própria espécie) para defender o nosso espaço. Assim como também é inexplicável que destruamos o mesmo espaço que tanto defendemos.

  2. João Sá diz:

    Obrigado.
    É verdade o que dizes, mas não será isso (a defesa do espaço e o sentimento de posse) algo que está “gravado nos nossos genes” e que nos possibilitou a sobrevivência e evolução enquanto espécies?
    Será que não atingimos já um estado de evolução que nos permita passar por cima dessas programações genéticas (como fazemos com outras)?

    A diferença entre a barbárie e a civilização está na educação.

    Já fomos nómadas… deixámos de ser… será que não está na altura de passarmos a ser outra coisa?

    Lembro-me várias vezes de uma frase de Carl Sagan. Cito de memória: “viver aqui é um favor geológico”.
    O aqui pode ser muita coisa… a rua, a aldeia, o país, o planeta, …

  3. Sónia Duarte diz:

    🙂

    Algumas notas soltas (peço desculpa, mas o discurso articulado não é compatível com a carência de sono que sinto):

    – Apesar de todas as limitações da comunicação, o teu post é prova viva de que vale a pena o esforço e de que até dá gozo. Independentemente das limitações, é um mundo de possibilidades;a incomunicação é uma espécie de abstinência: conduz è esterilidade!

    – Mais uma frase para “etiquetares” como “poesia”:

    “O aqui pode ser muita coisa… a rua, a aldeia, o país, o planeta, …”

    Eu diria que também pode ser um corpo ou um grupo, até mesmo um grupo disperso no espaço e até disperso no tempo.

    – A referência a Carl Sagan faz-me sentir “em casa” ou ,talvez melhor, de regresso a casa: tenho uma grata recordação/nostalgia de figura de Carl Sagan e da companhia do programa “Cosmos”. Na altura era muito pequenina… Devia revê-lo agora, porque felizmente, não parei de crescer.

  4. A Rodrigues diz:

    “Já fomos nómadas… deixámos de ser”

    Será que deixámos? Ou será que nunca o fomos?
    Tu próprio admites que o aqui pode ser muita coisa.

    Temos uma casa, mas muitos de nós têm duas casas. Crescemos numa casa com os pais, mas depois casamos e mudamos de casa. Depois encontramos um emprego melhor e voltamos a mudar de casa.
    Portanto onde está a fronteira entre ser nómada ou não ser?
    O nosso lugar é onde nos sentimos bem, é onde queremos estar.
    Se vives prolongadamente numa cidade podes ter como definição que nómadas são os que mudam de cidade. Se vives em prolongadamente num pais mas mudas de residência com frequência podes ter como definição que os nómadas são os que mudam de pais.
    É demasiado abstracto distinguir onde acaba o nosso lugar e começa o mundo do nomadismo.

    Como se sentirão as aves migratórias ao mudar constantemente de lugar? Será que sentem que estão a mudar o seu lar, ou será que acham que o seu lar é a imensidão dos lugares que percorrem? E porque será que percorrem sempre os mesmos lugares ano após ano? Não será porque essa é a sua casa? Tal como nós vagueamos do quarto para a sala, da sala para a cozinha, da cozinha para o quarto, sem sentirmos que abandonamos o nosso lar. Porque o lar é a imensidão de toda a casa.

    Pegando nesta abstracção, o que nos resta como humanos?
    Lutar pela nossa rua, pela nossa aldeia, pelo nosso pais ou pelo planeta? E em termos sociais, lutar pelo nosso clube, pelo nosso partido, pelo nosso governo, pela nossa União Europeia ou por uma entidade a nível planetário?

    Eu não sou anti-globalização, mas sou anti-federalista. O federalismo diminui a quantidade dos mandantes aumentando a dimensão dos mandados.

    O equilíbrio de forças tem as suas vantagens, permite a variedade de opiniões e o confronto de ideias. Esse mesmo confronto de ideias pode gerar guerras, mas também gera a discussão e a multiplicidade de soluções.
    Sou a favor de países, sou a favor de regiões, sou a favor de diferentes governos com os seus poderes autónomos.

    Um mundo sem fronteiras é um mundo em que uns poucos se sentem no direito de governo todos os restantes ignorando as minorias.
    Um mundo sem fronteiras é um mundo onde as diferenças culturais tendem a desaparecer para dar lugar aos consensos.
    Um mundo sem fronteiras é uma mentiram em que dizemos que somos todos iguais quando não somos. Em que dizemos que os problemas de uns são os problemas de todos, quando não são.
    Um mundo sem fronteiras é um mundo em que as prioridades se focarão no interesse das massas ignorando os problemas das minorias.

    Não, eu não quero um mundo sem fronteiras.
    Quero um mundo com fronteiras, mas em que se respeitem os que para além delas vivem.

  5. João Sá diz:

    A noção de nómada pode ser maltratada até se chegar a várias interpretações, mas não tanto. Não queiramos adaptar as palavras e suas significações às nossas conveniências argumentativas. Fiquemo-nos pelo que vem no dicionário que, aliás, não era mais que a minha intenção. Destaco algumas definições que me parecem relevantes: «que não tem habitação fixa; que está sempre a mudar de habitação ou ocupação; errante; relativo às pessoas ou aos povos que se deslocam permanentemente». Uma pessoa que muda algumas vezes de casa por alteração da situação, seja profissional ou outra, não me parece que encaixe no conceito de nómada.

    Concordo que o nosso lugar deve ser (porque nem sempre é) onde nos sentimos bem, como dizes.

    “Pegando nesta abstracção, o que nos resta como humanos?”
    Procurar ultrapassar os nossos limites (e fronteiras), sejam tangíveis ou não.

    As lutas são importantes, mas não a luta pela luta. A luta deve ser séria, reflectida e profundamente convicta. Porquê lutar por um clube de futebol e não por outro? Porque fomos influenciados nesse sentido? Porque gostamos mais de determinada cor? Serão estas razões suficientes, ou a procura deve ser mais profunda? Concordarás, com certeza, que não é igual lutar pelo clube de futebol ou pela sobrevivência da espécie humana. Mas, mesmo esta (a luta pela sobrevivência da espécie humana) não é absoluta… Se o universo estiver em perigo, será que o ser humano é mais importante que o universo ou justificar-se-á o seu sacrifício (do ser humano) para salvar o universo (já para não dizer que o fim do universo implicaria também o fim do ser humano… e para não entrar em discussões metafísicas sobre a noção de fim do universo)?

    O resto das afirmações, genericamente sobre um suposto “mundo sem fronteiras”, não me parecem ter qualquer tipo de fundamentação e misturam uma série de factos (ex: claro que não somos todos iguais, e quem o diz ou mente ou vive em delírio)com um conjunto de opiniões políticas que me parecem facilmente contestáveis. Não vamos por caminhos tortuosos e não abusemos das interpretações.
    As fronteiras existem e são necessárias. Um rio é uma fronteira, para dar apenas um exemplo geológico. Temos outras fronteiras, muitas delas invisíveis, que nos são apresentadas e, muitas, aceitamos sem questionar. Refiro-me quer a fronteiras políticas quer a fronteiras ideológicas. Temos ainda as fronteiras das nossas limitações.

    Defendo um mundo sem fronteiras como objectivo, mas não podemos acabar com todas as fronteiras indiscriminadamente. Tal como seria impossível (e indesejável) acabar com os rios!!, seria também impossível abolir uma série de fronteiras políticas e ideológicas por magia. Mas, atenção, tal como para um rio (voltando ao primeiro exemplo de fronteira) construímos pontes para passar de um lado ao outro, podemos construir pontes para ultrapassar outras fronteiras naturais (ex: não criamos microscópios e telescópios para ultrapassar as fronteiras das nossas limitações visuais?) ou questionar ideias e desmontar aquelas que não fazem sentido e servem apenas para dividir, daí o exemplo dos dogmas (se são dogmas…) religiosos e de outras ideias que nos e que muitas vezes recebemos acriticamente.

  6. luiz heinrrike diz:

    poha kara ajudo d+
    c é muito fdap msm
    vle aii =O
    preascisa pod sóma
    http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?rl=fpp&uid=3316945035637044142

  7. Bumbum diz:

    Todas as outras perguntas são uma piada!Eu só queria saber ” porque as fronteiras mudam?” para um trabalho , mas nesse site não explica nada!!!
    Que furada!!!É muita mancada com as outras pessoas!!!

  8. Secreto diz:

    Todas as outras respostas são uma piada!Eu só queria saber “porque as fronteiras mudam?” para um tabalho, mas nesse site não explica nada!Que furada!É muita mancada com as outras pessoas!Pelo menos, deveriam responder o que as outras pesoas pedem!Não, deve ser pedir de mais!!!!!!!!!

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