Este mundo é mesmo estranho

Como é possível que ainda se digam coisas destas?

Um bispo anglicano nigeriano pediu ao Parlamento que impeça os casamentos entre homossexuais. E como medida adicional a prisão para quem tiver a coragem de aparecer na boda.

(…)

Longe de esgotar os adjectivos acrescenta ainda que é “uma perversão, um desvio e uma aberração capaz de engendrar o holocausto moral e social” do país. 

As penas que propõe para “castigar” os prevaricadores são cinco anos de prisão para os contraentes e um ano para quem tiver o arrojo de ser testemunha do enlace 

(…)

Ainda mais tratando-se de um bispo de uma igreja cristã. Não é o cristianismo que defende “coisas” como a paz, a tolerância, a compreensão e outras coisas bonitas de se dizer? E a prática? Fica para os outros?

Cuidado para quem estiver a pensar ir a algum casamento à Nigéria. Ainda sai de lá só passado um ano. Ou cinco!

(Actualização)

E na Venezuela segue-se o caminho oposto:

A Venezuela vai legalizar as uniões homossexuais.

(…)

O novo estatuto será chamado de “associações de convivência”. O Projecto de lei Orgânica para a Equidade e Igualdade de Género “está quase pronto” e a poucos dias de ser objecto de deliberação no Parlamento. 

(…)

Parece-me bem que legalizem o “casamento” homossexual. Tenho algumas dúvidas quanto a chamar-lhe casamento. São dúvidas de ordem meramente terminológica (e etimológica) sobre a palavra casamento. Dúvidas menores, parece-me.

Se a etimologia da palavra casamento estiver, sem qualquer dúvida, em “casa” então concordo que se lhe chame casamento. Vou investigar!

Mas nem tudo são rosas. A discussão sobre a procriação e a continuidade da espécie humana também tem que se lhe diga… É um ponto sensível? O casamento homossexual também.

10 respostas a Este mundo é mesmo estranho

  1. Sónia Duarte diz:

    Na Venezuela a palavra seria “matrimonio” e não casamento… seja como for, também vou investigar (Recomendo Houaiss e José Pedro Machado para o caso português). Quanto à questão da reprodução, nem parece de um “gajo das TIC” não pensar nas inúmeras possibilidades abertas pela ciência…

    Sónia

  2. João Sá diz:

    E cá também poderia ser? Ou melhor, não poderia. Matrimónio provém de mãe, não é? Se sim, está explicado.

    “Um gajo das TIC” (não de TIC) é da técnica, não é da ciência. Embora eu me considera uma pessoa de ciência. Resta saber de que século!🙄

    E também sou um “gajo das filosofias”, daí a continuidade da espécie humana… Não merece comentário(s)?

    Quando “a ciência” lá chegar falaremos novamente sobre o assunto. Eu disse que “tem que se lhe diga”, não disse o quê, ainda!

  3. Sónia Duarte diz:

    Já pensaste por que “matrimónio” significa “casamento” e “património” significa “bens”. E venham cá dizer-me que as línguas são arbitrária… A linguagem sim, o signo linguístico sim, mas a construção de cada comunidade é dependente da ideologia predominante em cada uma delas, como se pode ver.
    O meu comentário sobre a continuidade da espécie humana ia ligada ao das possibilidades das ciência. Não me coloca reservas éticos que um casal mulheres homosexuais recorram aos bancos de esperma para se reproduzirem, ou que um casal de homens homossexuais recorra a uma “barriga de aluguer”, para o mesmo efeito. Penso que a situação dos bissexuais não é tão relevante para esta discussão.

  4. Sónia Duarte diz:

    Peço desculpa pela escrita apressada e pelos erros já por mim detectados no meu anterior comentário.

  5. A Rodrigues diz:

    Fugindo um pouco à questão, em Espanha criaram uma formalidade para o reconhecimento de uniões de facto. Um casal amigo já com um filho viram-se no dever de formalizar a sua união de facto ao mudarem-se para Espanha. A formalidade era muito semelhante ao do casamento civil, logo decidiram casar-se.

    Isto vem no seguimento do que o João disse. O sentido de casamento define-se em casa. Tudo o resto são papéis.
    Ser casado, ser namorado, ser homossexual, na minha humilde opinião não altera nada. O casamento é o sentimento, o respeito, o desejo de partilhar, e não uma série de deveres conjugais aceites ao longo dos tempos.

    Agora abordando o comentário da Sónia relativamente à Ciência. A Ciência resolveu parte do problema, não resolveu o problema em si. A Ciência ajuda a procriar, dai o nome procriação assistida. Mas não procria. A probabilidade de uma mulher engravidar por meios assistidos é ainda a mesma da procriação natural.

  6. A Rodrigues diz:

    Só para clarificar antes que o João me caia em cima. Eu sei que ele não disse que o casamento se define em casa, mas antes enunciou a origem da palavra.
    Foi uma interpretação ad-hoc da minha parte.

  7. João Sá diz:

    Pois, a ciência até pode vir a possibilitar a geração de vida humana sem intervenção humana. É isso que queremos? Essa é outra discussão ética. Acho que deve ser promovida com muita seriedade, com muita calma e desapaixonadamente.
    Nessa altura, na posse de outros dados, teremos de repensar as nossas ideias acerca de muitas outras coisas.

    Sobre a doação de esperma e sobre a barriga de aluguer, embora não sendo contra, tenho algumas reservas. Mesmo a propósito do “património” genético… A opção pela adopção. Sempre se ajudam a resolver outros problemas sociais (imediatos) do nosso mundo. Ou o argumento de “parte” do património genético pertencer a um dos membros do casal homossexual pesa mais? Se sim, então também deve pesar para o outro lado. Isto levar-nos-ia a outra discussão sobre os testes genéticos de paternidade/maternidade e a impossibilidade legal de uma criança ser filha de pai incógnito.

  8. Sónia Duarte diz:

    A. Rodrigues,

    Fugindo um pouco à questão, em Espanha criaram uma formalidade para o reconhecimento de uniões de facto. Um casal amigo já com um filho viram-se no dever de formalizar a sua união de facto ao mudarem-se para Espanha.”
    O desvio ao tema dá-se porque não se está a falar de um casal homossexual, correcto? A linguagem pode ou não, neste caso, denunciar uma atitude condicionada pela heterossexualidade dominante .
    Em relação ao valor da relação sobre o da sua certificação, estou totalmente de acordo.

    João,

    Sobre as tuas reservas às possibilidades da ciência, entendo-as, mas em si mesmas; penso que elas não incidem especificamente sobre a procriação homosexual.

  9. Sónia Duarte diz:

    É verdade: esta foi uma das raras vezes em que o dicionário Houaiss não pôs termos às minhas inquietações. Falta-me o dicionário etimológico do José Pedro Machado… Pode ser que uma alma caridosa que veja este comentário venha em nosso auxílio…
    🙂

  10. João Sá diz:

    Percebeste mal, Sónia. As minhas reservas não são sobre as possibilidades da ciência. A ciência não é estática e não sabemos o que nos reserva. Não me atreveria a dizer que nunca será possível que um homem ou uma mulher, sozinhos, possam gerar um ser humano. Embora levianamente, admito, até sou capaz de afirmar que me parece mais fácil para um homem do que para uma mulher (por causa dos cromossomas): o homem é XY e a mulher é XX (mais incompleta?!!).

    As minhas reservas são sobre mim mesmo, isto é, não tenho uma opinião que considere (ainda) satisfatória e totalmente formada sobre todos os temas. E sobre este, especificamente, tenho uma opinião formada com algumas reservas que carecem de amadurecimento.

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