A mentira tem perna curta

Nada de novo, mas pelo menos é o desmentido formal… acerca do que disse José Sócrates no último Natal, a 25 de Dezembro de 2008, em que deu a entender que a descida das taxas de juro se devia às políticas do governo. Vem agora o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean Claude Trichet, desmentir essa informação.  Na altura, só não viu [a mentira] quem não quis. Como esta [mentira], tantas outras…

Mais informação aqui.

Coitados dos Cabo Verdianos que levam com mais um esfrega de propaganda ao Magalhães. Continuo sem perceber qual é a legitimidade de um primeiro ministro andar a fazer de vendedor de uma empresa privada (os computadores Magalhães são produzidos pela JP Sá Couto)! Primeiro foi com a Venezuela, depois na cimeira Ibero-Americana. Agora é em Cabo Verde. Escapou-me alguma pelo meio?

4 respostas a A mentira tem perna curta

  1. A Rodrigues diz:

    Relativamente ao primeiro ponto falta saber quem ém que está realmente a mentir. Trichet foi brutalmente encurralado pelo presidente Sarkozy durante a presidência francesa da UE para que descesse as taxas de juro.
    Quanto ao segundo ponto, deixa-me recordar a ultima visita da ex-secretária de estado norte-americana a Portugal com um único ponto na agenda, convencer José Sócrates a desistir de um negócio de manutenção de aeronaves da Líbia a favor de uma empresa norte americana. Ou até mesmo a recente visita do presidente Cavaco Silva à Alemanha cujas conversações garantiram o fabrico de mais um modelo da VW em Portugal.
    Que não gostas do homem é um facto, mas tenta pelo menos ser um pouco mais justo na forma como fazes propaganda gratuita.

  2. João Sá diz:

    Não gosto mesmo. Assumo-o frontalmente. E não se trata apenas de uma divergência de opinião política. Não gosto porque representa, em termos de carácter, aquilo que não aprecio num ser humano. Representa a ilusão, onde a aparência é uma e a essência é outra. Logo, não se trata de propaganda gratuita. Trata-se de uma opinião aberta, honesta, frontal e fundamentada. Estou no pleno direito do exercício da minha liberdade.
    Queres que “equilibre”? Acho que é determinado e, até certo ponto, corajoso. São as únicas qualidades que lhe encontro. Não são suficientes para compensar o resto.

    Quanto à justiça de que falas, quem sou eu para ser juiz em causa própria. Ainda assim, não entro por caminhos que não sejam factuais. Repara, nunca fiz um comentário acerca do caso freeport (ou fripór, se preferires). Para não alargar muito o leque (embora haja matéria para tal), continuemos com o Magalhães. Porque razão merece uma empresa específica tratamento tão especial, com um vendedor de luxo ao seu serviço?

    Invertendo a ordem, e voltando ao primeiro ponto, o BCE tem independência dos estados membros da UE, tal como Trichet o afirmou e como consta nos estatutos do BCE. Não considero que Sarkozy tenha tanto poder de influência e que o comportamento do BCE tenha resultado desse tipo de pressão. Quanto aos americanos, a esse nível não são exemplo para ninguém. Vejamos o comportamento recente de Hillary Clinton em relação à China. Inadmissível. Meter economia à frente dos direitos humanos é, em minha opinião, totalmente inadmissível. Infelizmente todos sabemos qual é a prática dos Estados Unidos neste domínio. Infelizmente, também, Portugal é um discípulo.

  3. A Rodrigues diz:

    Não és obrigado a gostar do homem. Mas não deverias ser injusto.
    Contrariamente ao que afirmas o marketing de um país é responsabilidade do seu governo. Principalmente num momento de crise em que os principais exportadores “nacionais”, Quimonda e Auto Europa, entraram em ruptura. Portugal necessita destas iniciativas que permitem vender o que se faz por cá.
    Ao colocares os teus interesses políticos pessoais à frente dos interesses nacionais estás a ser injusto. A não ser que para ti ser Português não tenha qualquer valor, o que não acredito.

    Quanto ao Sr. Trichet, o homem respondeu a uma questão do CDS/PP. E deu a única resposta que podia dar “O BCE é independente”. Não seria de esperar outra resposta.
    Contudo o Conselho do BCE, que é o órgão máximo, é constituído pelos seus 6 administradores e pelos 16 governadores dos bancos centrais. Ora os bancos centrais também são, de acordo com os estatutos, independentes. Mas será que o são mesmo? Ou será que utilizam todos o mesmo critério?
    Quando se iniciou o conflicto Sarkozy/Trichet, SArkozy defendia a baiza das taxas de juro para fazer face à crise, Trichet defendia a sua subida para fazer face à inflação. Trichet não compreendia, ou não queria compreender, que em tempo de crise os critérios de convergência tinham deixado de ser realistas. Sarkozy fez disto um dos seus cavalos de batalha e tentou sensibilizar alguns dos seus parceiros europeus.
    É demasiado óbvio que estando os governos preocupados com a crise é impossível que não haja pressões sobre os bancos centrais.

    Portanto, embora a baixa de juros não tenha sido obra do Divino Santo Sócrates, não é de excluir que Portugal tivesse participado na pressão que se fez sobre o BCE.

    Sabes uma coisa? o BCE é mesmo aqui ao lado. A sua estrutura é a mesma que a da EUMETSAT e da ESA. Os conselhos são os órgãos máximos e são constituídos por representantes de todos os países. Ficarias admirado com falta de transparência das decisões nestas organizações, e com os jogos de poder. E como organizações intergovernamentais estão dependentes do orçamento de cada país. Basta um dizer que não participa em determinada iniciativa para fazer tremer o barco.

  4. João Sá diz:

    Não tenho interesses políticos (e muito menos partidários). Tenho orientações e convicções ideológicas que podem ser interpretadas politicamente, e que me fazem ter uma opinião. A liberdade que faço questão de exercer dá-me direito a exprimir essa opinião.

    Não me interessa muito se sou Português ou não. Obviamente que ter nascido em Portugal me deu algumas referências, tal como as teria se nascesse noutro país. Sou um cidadão. Sou um ser humano. Isto não se sobrepõe a tudo o resto?

    Naturalmente que, por viver em Portugal, é natural que esteja mais exposto aos estímulos do que acontece mais próximo de mim. Em função desses estímulos é natural que tenha reacções. Com isto, não estou a dizer que sou apenas um ser reactivo!

    Não estou a defender o BCE. Não é o tipo de organização em que me reveja. Ainda assim, confio mais na “verdade” do BCE que na verdade do “Sócrates”. Já para não falar na influência [diminuta] que um país como Portugal tem/teria no BCE.

    Não comparemos o peso da Qimonda ou da Autoeuropa com a negociata do Magalhães e de uma empresa como a JP Sá Couto.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: