Perspectivas

O primeiro-ministro José Sócrates diz que o programa de requalificação da rede escolar representa uma “revolução na antiga escola primária”. Diz ainda que “É também com bons centros escolares, tendo bonitos projectos de arquitectura e bons equipamentos, que se combate a crise. Estes projectos melhoraram não só a educação do país, mas também dão oportunidades de actividade às pequenas e médias empresas e dão emprego às pessoas”.

Algumas destas coisas podem até ser verdade. O problema é que, noutras, a fronteira entre a verdade e a ilusão é ténue. Não desminto que esta “É a maior operação de requalificação da escola pública que há memória em Portugal”, pelo menos num curto espaço de tempo. Ainda assim, carece de confirmação por alguém mais versado que eu em história da educação e do parque escolar. Uma revolução não é certamente. Quanto a isso discordo frontalmente. Estas obras são urgentes em muitas escolas. Há escolas onde as condições são degradantes para alunos, professores e funcionários. Não desvalorizo este esforço mas, em muitas outras escolas,  o dia-a-dia vai continuar difícil. Vejam-se, também, estes comentários à notícia do Público:

Na escola onde lecciono para que haja telefone os professores dividem a conta ao fim do mês! (…) – Anónimo, Seixal

(…) Na minha escola falta tudo, desde aquecimento a papel (…) – Rui Cardoso, Viseu

O relato deste professor, de uma escola em Setúbal, é também impressionante.

O frio é outro problema recorrente. A título de exemplo veja-se o caso de uma escola em Albergaria, de uma em Tondela e de outra em Castelo Branco onde chove e o frio é muito.  Acredito, se me disserem, que existem escolas com aquecimento. De todas as que conheci, enquanto aluno e professor, nenhuma tem salas de aula onde o frio não seja um problema nos piores dias de Inverno. O melhor que conheço são aquelas onde há pequenos aquecedores que, ainda assim, não estão presentes em todas as salas e, onde estão, são claramente insuficientes face à dimensão das salas.

Testemunhei, já, situações parecidas em algumas escolas. Ouvi também relatos de colegas professores em que, nas suas escolas, a falta de condições faz parte do dia-a-dia. Claro que nem todas as escolas vivem com estas dificuldades mas, em muitas, a falta de coisas simples como papel, fotocópias, tinteiros para impressoras, papel higiénico ou sabonetes nas casas de banho são a regra.

Só espero que, pelo menos, nas novas escolas ou nas que vão ser objecto de obras, depois de concluídas, não seja só fachada. Que o recheio corresponda ao revestimento, é o meu desejo, com ou sem Magalhães.

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