Mas anda tudo maluco?

Hesitei entre colocar este post na categoria “Educação” ou na categoria “Humor”. Decidi-me pelo “Humor”. Veja-se porquê…

Diz uma notícia do Público:

A Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) determinou hoje a realização do desfile de Carnaval dos alunos do Agrupamento de Escolas de Paredes de Coura embora os professores ainda não tenham decidido se acatarão a ordem da DREN não obstante a critica dos pais dos alunos a esta posição dos docentes.

(…)

Contactada pela Lusa, a directora daquele agrupamento, Cecília Terreleira, escusou-se a fazer qualquer declaração, alegadamente por ter sido “proibida de falar” 

(…)

“Não sei até que ponto a DREN tem competência para pôr em causa e contrariar uma decisão do Conselho Pedagógico. Vamos ver”, acrescentou a fonte.

(…)

O desfile de Carnaval pelas ruas da vila de Paredes de Coura dos alunos do agrupamento estava previsto para sexta-feira, mas os professores, em reunião do Conselho Pedagógico, decidiram cancelá-lo, alegando falta de tempo para o preparar. 

(…)

A CONFAP, no seu site, também se pronunciou:

Neste leque de actividades canceladas encontram-se, por exemplo, o desfile de carnaval, a habitual ida à praia das crianças do pré-escolar, várias visitas de estudo ou a participação em programas educativos de âmbito nacional. 

(…)

A associação de pais não compreende esta tomada de posição por parte dos docentes, que irá causar graves prejuízos aos alunos…

(…)

Tal situação configura um ‘motim’

(…)

E digo eu: mas anda tudo maluco? Agora a escola passou a ser organizadora de carnavais? Tenham mas é juízo.

15 respostas a Mas anda tudo maluco?

  1. curiosidadesonline diz:

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  2. A Rodrigues diz:

    Não concordo com o teu comentário.
    Em primeiro lugar actividades carnavalescas sempre foram comuns pelas escolas do país. Eu enquanto aluno participei em muitas. Logo o “passou a ser” está incorrecto. Já o é há muito.
    Em segundo lugar, atendendo ao último parágrafo, parece que não é só o desfile de Carnaval que está em causa. E a ser verdade parece ser um caso grave. Afinal o que está em jogo, qual a razão deste “motim”? Tem de haver alguma. Falta esclarecer esse ponto.
    Mas seja qual for a razão, utilizar os alunos como arma de arremesso ou de retaliação parece-me errado.
    Infelizmente parece estar a tornar-se comum os professores adoptarem posições que prejudicam exclusivamente os alunos nas suas guerrilhas com a entidade patronal.

  3. João Sá diz:

    🙂
    Obrigado pelo reparo no que aos tempos verbais se refere. Concordo a esse nível. Discordo a todos os outros.

    Não vejo nenhum mal em que a(s) escola(s) organize(m), como muitas têm feito ao longo do tempo, carnavais ou outros eventos lúdicos. Mas, atenção, muita atenção, essa não é a função da escola. Isto levar-nos-ia a uma discussão mais profunda sobre a função da escola. Estou disponível para essa discussão, mas não me parece que este seja o tópico mais adequado.
    Só quem não conhece o que se abateu nos últimos tempos sobre as escolas, nomeadamente em termos de volume de trabalho, é que pode achar que há tempo para dedicar a “coisas” que não são prioritárias.

    Quanto à CONFAP e aos seus comentários, é preciso enquadrar a organização. Muito haveria a dizer, parte do qual tem sido amplamente discutido em diversos blogs. Deixo aqui só uma pista…
    http://www.profblog.org/2008/03/gabinete-da-ministra-da-educao-paga.html

    E a propósito das palavras, cuidado com a importância que se dá ao que cada uma das partes afirma. É preciso ir para além do verbo. Motim? Será que a palavra se justifica? Duvido muito. Claro que, certezas, só estando lá para ver…

    Não foi por acaso que, recentemente, surgiu uma nova confederação de pais e encarregados de educação – a CNIPE (http://cnipe.org/)…

    Refuto completamente a última afirmação. O ME é, neste momento, quem mais prejudica os alunos. Não fossem os professores com o seu profissionalismo a manter alguma serenidade e, hoje, muitas escolas seriam um caos.

  4. António Prof diz:

    ao sr? ou sra? A Rodrigues:
    1º os professores não são obrigados a realizar actividades não lectivas;
    2º Fazem-no porque ainda têm respeito pelos alunos;
    3º Os pais deste país estão loucos, tal como quem nos governa.

  5. António Prof diz:

    Ao autor do blog,
    Esqueci-me de mencionar que este post só mesmo na categoria de humor…
    obrigado e boa noite

  6. A Rodrigues diz:

    A função da escola é realmente um tema longo. Mas a função da escola não é apenas ensinar, é algo mais abrangente do que isso.
    Claro que outros problemas se colocam. Há tempo? Há condições? Há dinheiro? Há motivação?
    E é essa parte da história que não ficou clara na notícia. Após ler o post dei-me ao trabalho de a procurar, assim como outras relacionadas, e nada ficou claro. Por um lado a escola refugia-se no argumento de excesso de trabalho, por outro os país acusam a escola de “motim”.
    A única certeza é que as consequências são sofridas pelos alunos.

    Por outro lado não se pode resumir este caso a um desfile de Carnaval.
    O Carnaval é em Portugal, tal como na maioria dos países cristãos, uma tradição similar ao Natal e à Páscoa. Aliás, apesar de ser considerada uma festa pagã, está directamente conectada à Páscoa. Não se pode ver o Carnaval apenas como um grupo de palhaços, é mais profundo do que isso.
    É também uma festa de importância para as crianças. Agora imaginem estas crianças, na expectativa de participar nesta festa, provavelmente já com planos e adereços, tudo organizado no seu mundo de imaginação, serem desapontados por um grupo de professores super ocupados para quem os assuntos laborais se sobrepõem aos dos seus próprios alunos. Qual o respeito que estes mesmos alunos sentirão por estes professores.

    A agravar os factos acrescentam-se às actividades canceladas visitas de estudo.

    A aprendizagem não se faz apenas pelos livros. A aprendizagem faz-se também por observação, por imitação, por participação. Tudo é aprendizagem.
    As actividades extra curriculares têm uma função essencial na aprendizagem pois permitem reter outras experiências e observar factos aprendidos apenas no papel.

    Um professor é aquilo a que os ingleses chamam Role Model, (mas infelizmente há poucos). As crianças, embora de forma discreta, retêm o que observam nos professores. A forma de falar, de escrever, de agir e de reagir. A iteração professor/aluno é de primordial importância.
    Mas na aprendizagem tanto se retém o que é bom como o que é mau.
    Ora, estas guerrilhas têm um impacto negativo nos alunos. Por um lado desmotiva-os. Por outro lado servem de exemplo para a sua vida futura. Estes mesmos alunos, que agora se sentem desrespeitados pelos professores, um dia serão país e professores e terão a mesma atitude, pois foi a que lhes serviu de modelo.

    Ao Sr, António Prof., se considera que ser professor é executar actividades lectivas e que o resto é apenas boa vontade, então ainda não aprendeu a essência de ser professor.

  7. João Sá diz:

    À parte de um ou outro reparo de pormenor, muito do que dizes faz sentido. Mas porque é que deixas sempre implícito, ao longo do discurso, que a “culpa” é dos professores?
    Cuidado, muito cuidado, com as generalizações.

    Do mesmo modo no que respeita aos pais, há os bons, há os maus e há os assim-assim.
    Vê esta notícia: http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1365769&idCanal=58
    Apesar de notícias deste tipo serem cada vez mais frequentes, será que isto faz com que possamos pôr todos os pais no “mesmo saco”?
    O aumento da violência nas escolas devia ser caso de preocupação e não de desvalorização permanente, numa tentativa de criar a imagem de que ela não existe. A procura de soluções, a identificação e punição dos culpados em cada caso, isso sim, teria um efeito pedagógico. Será que a culpa também é “dos professores”?

    Em sociedade todos somos Role Models e os pais são os principais. Os professores talvez se sigam em termos de relevância nesse papel. Porque dizes que há poucos? Baseias-te na tua experiência enquanto aluno? Será que basta? Há algum estudo que o confirme? Existem estudos que o contradigam? Esses estudos são promovidos por quem?
    É que raramente estas questões são neutras…

    Ainda a propósito de role models, será que os professores seriam bons modelos para os alunos se ao ver a sua dignidade afectada, a sua desautorização permanente, a desvalorização do trabalho pedagógico, a funcionalização para tarefas ilusórias que promovam o sucesso estatístico e a aparência dos números aceitassem tudo acriticamente?
    Queremos ser (e formar) cidadãos ou queremos ser (e formar) ovelhas?

  8. A Rodrigues diz:

    Concordo plenamente com o que dizes sobre os pais. Mas não concordo que essa questão seja desvalorizada. Acho que cada vez é mais visível. O que ainda não se viu foram as consequências desses actos.

    Relativamente à tua ultima questão, e que é o caso em questão neste post, serão Role Models se defenderem a sua dignidade perante os que a ferem, não perante os alunos.
    Cancelar actividades em prejuízo dos alunos, fazer greve em dias de exame, e outras situações similares é uma forma errada de defender a sua dignidade.
    É um pouco como a história do machão que chega a casa aborrecido com o trabalho e descarrega na mulher e nos filhos.

    Suponho que existe uma ideia preconcebida entre os professores, ou pelo menos entre muitos professores a avaliar pelos seus comentários, de que as pessoas não sabem o que se passa nas escolas.
    Esquecem que, por um lado a escola é um local publico com enorme visibilidade e à qual muitos de nós tem acesso. Por outro lado a profissão de professor é uma profissão comum. Todos nós temos familiares e amigos professores. Todos nós conversamos com professores. Todos nós ouvimos as suas queixas e opiniões diferenciadas. Professor não é uma profissão de confraria, é uma das profissões mais expostas da sociedade.

  9. João Sá diz:

    E a guerra é forma de defender a dignidade? E se nos apontarem uma arma, deixamos que disparem contra nós?
    Estas situações são muito delicadas. É necessário conhecê-las profundamente. Todos falam da guerra, mas quem lá está é que sente e sofre…
    Não vou aprofundar a discussão sobre se os alunos são ou não prejudicados. Só aceito ter essa discussão (mais longa) se colocarmos no centro dela a função da escola e as preocupações pedagógicas. Tudo o resto é demagogia e populismo.

    Concordo que a escola é das profissões mais expostas. Todos temos ou tivemos contacto com a escola e com professores. Quanto à ideia, que dizes preconcebida, dos professores sobre o facto das pessoas não saberem o que se passa nas escolas, faz todo o sentido que exista. Isto porque as pessoas vêem apenas uma parte do que se passa na escola… Não conhecem as condições de trabalho de muitas delas porque preferem não ver. Aliás, se até alguns professores preferem não ver e tentar passar outra imagem… Dá que pensar, não dá?

    De uma vez por todas, deixemo-nos de generalizações e preocupemo-nos realmente com a Escola e com a Verdade. Queremos uma sociedade (e uma escola) de verdade ou uma sociedade (e uma escola) de ilusão?

  10. Sónia Duarte diz:

    Resisti durante algum tempo a intervir numa discussão que revelava, entre os dois principais interlocutores, uma confiança que não queria romper de forma intrusiva. Depois, acabei por decidir-me: afinal essa discussão ocorre no domínio público de um blog aberto ao díalogo. Desculpem-me desde já, no entanto, se este ambiente de confiança me contagiar e propiciar alguma fraqueza que possa ser sentida como abusiva e “àspera” por quem não me conhece.
    Para começar, tenho que discordar do que diz o João (embora me pareça que ele próprio evolui na sua opinião ao longo dos comentário) e concordar com A. Rodrigues em que a função da escola é mais do que instruir/ensinar (é também educar, particularmente no ensino não-superior) e que efectivamente a escola é mais que o espaço físico a que se confina, e estou ainda de acordo com o mesmo em que a actividade docente não se esgota nas actividades lectivas. Concordo, contudo, com o João, em que não será esse o tópico mais adequado para discussão num momento, como o actual, em que nem a função primária de instruir se realiza plenamente e com qualidade.
    O que eu acho que é essencial discutir é o que é lectivo e não lectivo nesta profissão (e sublinho “profissão”). O Estatuto da Carreira Docente (ECD), como penso que é do conhecimento público (sem ironia), define o seguinte:

    “Artigo 76º

    Duração semanal

    1 – O pessoal docente em exercício de funções é obrigado à prestação de 35 horas semanais de serviço.

    2 – O horário semanal dos docentes integra uma componente lectiva e uma componente não lectiva e desenvolve-se em cinco dias de trabalho.

    Artigo 77º

    Componente lectiva

    1 – A componente lectiva do pessoal docente da educação pré-escolar e do 1º ciclo do ensino básico é de vinte e cinco horas semanais.

    2 – A componente lectiva do pessoal docente dos 2º e 3º ciclos do ensino básico é de vinte e duas horas semanais.

    3 – A componente lectiva do pessoal docente do ensino secundário, desde que prestada na totalidade neste nível de ensino, é de vinte horas semanais.

    4 – A componente lectiva dos docentes da educação e ensino especial é de vinte horas semanais.

    Artigo 78º

    Organização da componente lectiva

    1 – Na organização da componente lectiva será tido em conta o máximo de turmas disciplinares a atribuir a cada docente, de molde a, considerados os correspondentes programas, assegurar-lhe o necessário equilíbrio global, garantindo um elevado nível de qualidade ao ensino.

    2 – É vedada ao docente a prestação diária de mais de cinco horas lectivas consecutivas.”

    O que fica por esclarecer é o que pertence a cada uma destas duas componentes: em meu entender, uma discussão que tem sido relegada mais recentemente. Não é claro que a componente lectiva seja “a das aulas” e a não lectiva aquela componente mais “elástica” onde cabe “tudo o resto”: preparação de aulas, elaboração de material didáctico, concepção e correcção de testes e exames, avaliação de professores, exercício de cargos de gestão e coordenação educativa, reuniões, formação, actividades de complemento curricular….. Que é uma componente “elástica” eu não contesto, mas que seja aquela onde cabe “ o resto” é tema controverso. Vejamos: na componente não lectiva presencial (no estabelecimento) dos professores estão previstas aulas de substituição e aulas de apoio pedagógico acrescido (!!!!)…
    A. Rodrigues parece reconhecer, mas desvalorizar o argumento de falta de tempo e excesso de trabalho que é apresentado pelos professores, mas esse argumento tem que se ser perspectivado não em defesa dos professores, mas dos alunos. Sejamos objectivos e façamos as contas: 35 horas de trabalho; 22 horas para aulas (na maior parte dos casos) e 13 horas para “o resto” das quais há que subtraír (no mínimo e na maior parte dos casos) quatro para trabalho “não lectivo na escola”. Sobram 9 horas que (sem contar com mais nada… nem sequer que as quatro horas de trabalho na escola também requerem preparação) reverteriam, feita a divisão, em menos de uma hora de prepararação para cada hora de aula. Parece suficiente? E como ainda temos que considerar “tudo o resto”, pode dar-se mesmo o absurdo. Passo a exemplificar com uma situação que vivi no início do ano e que descrevi noutro lugar: “Esta semana tenho oito reuniões de Conselhos de Turma. A uma média de hora e meia por reunião, as contas dão em doze horas de reuniões. Tendo em conta que, por semana, trabalho vinte e quatro horas e quarenta e cinco minutos na escola (um total de vinte e sete tempos), das dez horas que recebo, só me sobram… quinze minutos para preparar tudo isto. Os meninos e os papás ficam avisados! Protestem, que eu faço o mesmo.” (in http://esplendor-na-relva.blogspot.com/2008/10/e-as-aulas-senhores-e-as-aulas.html ). Desde já aviso que as reuniões normalmente duram pelo menos duas horas…
    Não discuto se participar no Carnaval é ou não uma actividade “educativamente” válida. Com tudo se aprende, mas a escola tem a responsabilidade e o dever de justificar a sua actuação em função de objectivos pedagógicos explícitos. Claro (?) que, quando era catraia, adorava mascarar-me e desfilar no Carnaval das Escolas, mas a única vez que aprendi algo foi quando me “impingiram” o tema politicamente correcto e “fashion” da reciclagem e em casa me fizeram depois uma “lavagem cerebral” com a falta de qualidade estética das estruturas de reciclagem, Resultado: fui o único “caixote do lixo” que empunhava um cartaz com o “slogan”: “Vidrão? Ao pé de minha casa , não!!!” Acho qu o único que apreciou a iniciativa foi o professor de Educação Visual e nunca mais esqueci que a actuação da escola, quando destituída de intencionalidade, pode até ser contraproducente e deseducativa…Já para não falar que pode servir interesses de promoção dos executivos camarários… não sejamos ingénuos! Sou de S. Jão da Madeira e duvido que o escultor Paulo Neves goste de ver as suas peças nas rotundas da cidade enfeitadas com barretes vermelhos e barbas brancas por altura do Natal…ainda que seja com produtos reciclados…
    Para muitas das actividades que fazem nas escolas apetece-me até perguntar: “com que legitimidade?”. Pensemos nas inúmeras peças de teatro encenadas em contexto escolar: em quantos casos há lugar a contratação de pessoal com formação específica em expressão dramática, sonoplastia, cenografia, etc.? “Meter a foice em seara alheia” não poderá ser perigoso para formação das crianças e jovens? E as inúmeras projecções de filmes ou recurso a discos não autorizado(a)s ou a utilização de software ilegal? Não deveríamos educar para o respeito pelos direitos de autor (não me refiro aos das editoras)? Sobre as visitas de estudo, prefiro nem me pronunciar para já, tantas são as “espinhas” que tenho atravessadas…
    Rejeito de qualquer forma a ideia de que não alinhar com este estado de coisas seja “utilizar os alunos como arma de arremesso ou de retaliação” e menos ainda que seja “um pouco como a história do machão que chega a casa aborrecido com o trabalho e descarrega na mulher e nos filhos”, como afirma A. Rodrigues. De acordo com o exposto anteriormente, penso que bloquaer a continuidade de uma escola de “carolice” é a atitude mais profissional e deontologicamente correcta, porque em última instância defende os alunos. Se não os nossos e deste ano… os de todos e de sempre.
    Discordo ainda de que “infelizmente parece estar a tornar-se comum os professores adoptarem posições que prejudicam exclusivamente os alunos nas suas guerrilhas com a entidade patronal” . Os professores saem também prejudicados na alegria com que desempenhavam até aqui o seu trabalho e na realização plena da função de educador a que se dedicaram. Não se trata de “guerrilhas” mas de “uma luta por uma educação de qualidade”. Concordo, no entanto, que é com uma “entidade patronal” que nos relacionamos, pelo que, sendo muito generoso o voluntariado, acho inadmissível que a própria entidade patronal o pretenda regular como se viu recentemente (relativamente aos professores reformados) e acho vergonhoso que a escola/o ME aproveite para se promover (em rankings e propaganda política) através do um plano de actividades sustentado pelo trabalho voluntário dos professores e, ainda por cima, num contexto de crescente desemprego docente…
    A esta luz, concordo com o João: “O ME é, neste momento, quem mais prejudica os alunos.” e dou ainda mais um exemplo ilustrativo desta actuação perversa no que às actividades de complemento curricular se refere: quando, na minha escola, os professores apresentaram propostas para ocupação dos seus tempos de escola com projetos diversos (elaboração de materiais didácticos, trabalho coooperativo de preparação de aulas, mas também ciclos de cinema, hortas biológicas, clubes de cerâmica, radios escolares, ateliers de escrita criativa…) a ideia teve curto tempo de vida: ainda no mesmo ano, esses tempos de projecto foram reconduzidos para “aulas” de subsitituição (explicar as aspas alongaria demasiado este já muito extenso comentário…). E, afinal, que é que, noutras profissões, acusa os trabalhadores, de não fazerem horas extraordinárias gratuitamente em prol de uma melhor produtividade da empresa (perdoe-se a imagem economicista…)?
    Não me pronuncio sobre o grau de conhecimento da realidade da profissão docente pela população em geral: como em tudo o resto, evito generalizar.

  11. […] sobre o Carnaval… …e para os mais distraídos, depois deste meu post, aqui ficam mais dois documentos sobre o assunto. Da DREN e  da […]

  12. João Sá diz:

    Sónia, boa resposta. Obrigado pelo contributo enriquecedor que deste à discussão.
    Apenas dois comentários meus:
    – Nunca hesites em participar nas discussões deste blog. É público e aprecia (ele e o autor) as tuas intervenções.
    – Não considero que tenha havido uma evolução na minha opinião ao longo dos comentários. Houve, antes, uma clarificação. O post foi demasiado curto e um pouco satírico. Assim, é natural que a minha posição necessitasse/necessite de ser clarificada.

  13. joão coelho diz:

    Escrevo a quente, depois de ver num canal de TV a reportagem sobre a atitude de professores de Paredes de Coura no desfile de Carnaval das crianças. Depois da posição, já idiota, que tomaram, decidem agora participar, vestindo luto, com adesivos na boca e , alguns, algemados. É impressionante ver individuos que se julgam professores a fazer estas figuras absolutamente lamentáveis, próprias de atrasados mentais, junto das crianças que, supostamente, deveriam ajudar a crescer e ensinar. Trazendo Paredes de Coura, pelos piores motivos, à actualidade do país.
    Não percebo como esperam – vão fazê-lo sentados – contar com a compreensão dos seus concidadãos para a sua “luta”, praticando acções tão imbecilizantes com esta.

    João Coelho

    Lisboa

  14. A Rodrigues diz:

    Eu tinha dado por terminada a minha participação neste post, mas dado que evoluiu para o pós-desfile não resisto a deixar aqui a minha opinião.
    Relativamente ao comentário de João Coelho, cuja opinião respeito profundamente, eu considero que esta sim é uma forma saudável de contestar, sem qualquer prejuízo para as crianças. Não concordo que sejam atitudes imbecis ou figuras de atrasados mentais, mas atitudes de contestação pacífica, saudável e responsável. Todas as formas de contestação deveriam ser assim, sem excessos, sem violência, sem atitudes menos correctas, sem linguagens obscenas.
    Considero ainda que têm motivo para demonstrar o seu descontentamento, pois embora eu condene a posição da escola em cancelar actividades como forma de retaliação, condeno também a posição da DREN de obrigar os professores a participar no desfile.

  15. João Sá diz:

    Então não é carnaval? Já nem a máscara se pode escolher livremente?🙂

    A. Rodrigues, este último comentário foi muito mais sensato.😉

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