Mais 40 milhões de desempregados

As notícias sobre o desemprego não param. Diz o público (os destaques são meus):

Quarenta milhões de pessoas podem engrossar este ano o número de desempregados no mundo, se a situação económica se continuar a deteriorar, prevê a Organização Internacional do Trabalho (OIT), num relatório hoje divulgado.

No quadro mais grave, o número de desempregados subiria para 230 milhões

(…)

O agravamento da situação económica empurraria também 200 milhões de trabalhadores, principalmente das economias em desenvolvimento, para situações de pobreza extrema.

(…)

A mensagem da OIT é realista, não alarmista. Estamos numa crise global de emprego. Muitos governos estão conscientes e a actuar, mas é necessária uma mais decisiva e coordenada acção internacional para impedir uma recessão social global”, disse o director-geral da OIT, Juan Somavia.

Quarenta milhões é o equivalente a quatro vezes a população de portugal. Isto daria um total de vinte e três vezes a população portuguesa no desemprego (e não estou a falar só da população activa, pois esses são bem menos).

Dizem eles que “Muitos governos estão conscientes e a actuar”. Mas o que é isto? Conversa de call-center? Vamos continuar alegremente a deixar estes desgovernantes levarem o mundo para o precipício? Será que estes senhores não percebem que estão a tentar apertar um parafuso sem rosca?

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2 Responses to Mais 40 milhões de desempregados

  1. A Rodrigues diz:

    Não é uma critica, mas poderias ter desenvolvido e justificado o ultimo parágrafo. Só depois de ler o tópico seguinte (leia-se anterior) é que percebi o que querias dizer.
    Pois bem, ao ler o ultimo parágrafo fica a sensação de que é mais um comentário do género “o governo é que tem a culpa”, a sensação de pessimismo por puro pessimismo, sem qualquer argumentação que justifique o porquê de “conversa de call-centre”.
    Eu não iria tão longe ao duvidar de algumas das medidas que estão a ser tomadas por alguns governos. Há uma certeza, só saberemos da sua eficiência daqui a alguns anos. Poderás ter razão, ou talvez não. As pessoas (algumas pessoas) já têm consciência de que o paradigma do capitalismo, ou o que lhe queiram chamar, tem de mudar. Lembro de uma frase que o nosso ministro das finanças pronunciou alguns meses atrás aquando da falência súbita de bancos de nome conceituado: “… é o fim do mundo que conhecemos …”. Embora não sejam palavras suas, porque outros as pronunciaram na mesma altura, mas reflecte que há consciência de que o paradigma faliu.
    Só espero que não esqueçam estas palavras e realmente busquem uma alternativa a este mundo de economias virtuais. Em 2001 o fim da bolha e virtualismo das dot-com poderia ter-nos ensinado algo, mas não, acabaram as dot-com, ficaram os bancos e os seus produtos financeiros virtuais. E a consequência destas crises é sempre o mesmo, o despedimento em massa.

  2. João Sá diz:

    Tens razão, poderia (e deveria) ter desenvolvido o último parágrafo. Discordo quando dizes que não é uma crítica. Sim, é uma crítica. E ainda bem que é. Eu gosto de críticas, desde que sejam honestas e construtivas. Obrigado.

    Ainda bem que percebeste a minha posição ao ler o post anterior. Ganhei em síntese, perdi em clareza. Nunca disse que era perfeito… 😉
    Pode realmente ficar a sensação tão bem dada pelo tue exemplo: “o governo é que tem a culpa”. Não era essa a minha intenção. Aliás, não aprecio esse tipo de abordagem, mas também é verdade que um blog tem uma sequência e um contexto próprio.

    Eu não iria tão longe ao duvidar de algumas das medidas que estão a ser tomadas por alguns governos.
    Claro que há medidas positivas. Até no nosso governo, que é o que penso conhecer melhor, e sobre o qual sou muito crítico. Sinto que não é um governo que valorize a verdade. Sinto uma supremacia constante da aparência face à essência. Sou sensível a isso e, para mim, é muito grave.

    Mas já não estamos no domínio das medidas individuais. Este é um problema sistémico que exige medidas estruturais (realmente estruturais – acho que esta palavra é utilizada demasiadas vezes e com leviandade).

    E as medidas individuais, mesmo que positivas, sofrem de outro mal. São muitas vezes incoerentes com medidas anteriores. Esse é um cenário que vejo muitas vezes. Há demasiado pragmatismo (e é bom ser pragmático, mas com peso e medida) e uma postura de resposta a problemas pontuais e isolados. Isto leva a medidas que muitas vezes são incoerentes. Assentam numa lógica de desnorte, sem ideologia, onde não há memória nem uma visão clara do que se quer para o futuro, ainda que muitas vezes se diga o contrário.

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