Parecem-me poucos…

e-escolasDiz a DECO que:

135 consumidores queixam-se do e-escolas

 

Atrasos e problemas nos equipamentos são motivos para pedir a intervenção da DECO junto das operadoras.

Optimus, TMN e Vodafone, as queixas vêm de todas as empresas. (…)

E digo eu, só 135? Alguém anda com problemas na aritmética!

7 respostas a Parecem-me poucos…

  1. Helder Ferreira diz:

    Se os consumidores soubessem por onde passam os portáteis e o que lhes acontece antes de serem entregues se calhar esse numero (estupidamente baixo, como é óbvio) seria inferior (ou não).

    Os consumidores não fazem ideia do trabalho que dá produzir cada portátil. Se calhar se soubessem não se queixavam tanto de coisas as vezes insignificantes.

  2. João Sá diz:

    Olá Helder,

    Fico contente com as visitas dos meus antigos alunos ao blog. É sempre bom sentir que as relações não terminam com o final de cada ano lectivo.
    A propósito do teu comentário, talvez eu o entenda mas, podes explicar melhor o que queres dizer com “o que lhes acontece antes”? E também com “coisas às vezes insignificantes”?

  3. Helder Ferreira diz:

    Olá Professor (?),

    Admiro bastante o seu trabalho em todas as áreas e sempre que posso vou dando uma espreitadela. Se um dia seguir o ensino, terei bastante em conta a forma como as suas aulas foram dadas ao longo do meu 12º ano.

    Sobre as questões que me colocou algumas eu teria de ‘contar umas historias’ e não é propriamente isso que se quer, porque iria fugir bastante ao tema de conversa.

    “o que lhes acontece antes” foi uma expressão com vários significados. Se por um lado essas “coisas que acontecem” são más para os consumidores, por outro lado são coisas que deviam ser do conhecimento publico para que houvesse uma maior compreensão em relação as “coisas às vezes insignificantes”. O primeiro deles é simples:

    » Existem vários processos por onde passam os portáteis antes de chegarem ao cliente. Os portáteis são enviados pelas fabricas/marcas para armazéns. Nos armazéns são feitas as instalações a nível de software, são testados/verificados e voltam a ser embalados para serem entregues nas lojas. Cada portátil não é produzido individualmente e exactamente por isso nem sempre é possível que à primeira as coisas saiam bem (como os clientes/consumidores esperam). Se acham que quando compram o vosso portátil ele é novinho e são os primeiros a estrear estão bem enganados. Antes de “vocês’ lhes tocarem já eles passaram por muitas mãos, mesmo depois de ‘construídos’. Mentiria se não vos dissesse que muitos deles já deram uns valentes tombos. Ou que estiveram ligados dias seguidos à corrente. Ou que até mesmo o S/N do vosso portátil não corresponde ao da embalagem.

    Em segundo lugar:

    » Infelizmente (ou felizmente para mim), os portateis e-escola não são produzidos por robots. São humanos (incrivel!!!) que fazem esse trabalho que muitos não se sujeitariam a fazer, podem ter certeza. Se vos disser que por dia são produzidos mais de 500 portáteis, acreditariam? E que cada portátil desses passou por um grupo de pessoas considerável? É humanamente (fisiologicamente) possível, mas é psicologicamente esgotante. Para conseguirem imaginar, basta pensar num macaco. Que repete um clico vezes e vezes sem fim, durante 8 horas. As vezes em espaços que se lhes chamasse-mos pouco saudáveis estaríamos a ‘falar bem da coisa’.

    Teria umas páginas para escrever e explicar como tudo isto funciona…
    Estou aberto a perguntas e criticas:)

    P.S.: Depois de escrever tudo isto é ‘porreiro’ ver um smile🙂 no final da página hehe

  4. João Sá diz:

    Helder,

    Compreendo o teu ponto de vista. É verdade que os processos de fabrico/produção não são iguais em todo o lado e para todas as marcas. Há uns mais automatizados e outros mais manuais. É também por isso que os produtos são diferentes, que têm características e preços diferentes, e que o mercado não é a preto-e-branco.

    “Antes de “vocês’ lhes tocarem já eles passaram por muitas mãos, mesmo depois de ‘construídos’. “
    Sim, mas isso é normal. Todo o processo tem intervenção humana em algum ponto, nem que seja indirectamente – o que não é o caso, pelo que dizes.

    Mentiria se não vos dissesse que muitos deles já deram uns valentes tombos.
    Isto já me parece um pouco mais grave. É para evitar este e outros problemas que os processos de fabrico/produção devem ser melhorados e alvo de um controlo de qualidade rigoroso. Há muitos factores que para isso contribuem, estando entre eles as condições de trabalho adequadas (instalações, ferramentas, equipamentos, …).

    Ou que até mesmo o S/N do vosso portátil não corresponde ao da embalagem.
    Isto também é grave. Revela falta de cuidado e um processo sem rigor. Claro que um sistema de produção bem montado tem de ser imune a este tipo de arbitrariedades.

    São humanos (incrivel!!!) que fazem esse trabalho que muitos não se sujeitariam a fazer, podem ter certeza.
    Esta afirmação pode ser vista de várias perspectivas. Há trabalhos mais agradáveis e outros mais desagradáveis. É natural. Nem todos temos apetência e/ou capacidade para lidar com determinado tipo de tarefa.
    A outra perspectiva que me ocorre, mais grave, é a de as condições de trabalho não serem adequadas. Para evitar que isso aconteça é que existem leis e entidades como a ASAE. Se algo não está de acordo com o que deveria estar então pode ser necessária intervenção externa.

    É humanamente (fisiologicamente) possível, mas é psicologicamente esgotante. Para conseguirem imaginar, basta pensar num macaco. Que repete um clico vezes e vezes sem fim, durante 8 horas. As vezes em espaços que se lhes chamasse-mos pouco saudáveis estaríamos a ‘falar bem da coisa’.
    Isto leva-me a tender para a segunda perspectiva. Não estou de modo algum a duvidar do que referes, mas será que não estás a fazer uma leitura demasiado negra da situação? É que se assim não for parece-me realmente importante uma denúncia às entidades competentes.

    Como nota final, e apesar de estar convencido de que o sabes, quero alertar-te para o facto deste blog ser de visibilidade pública. Digo isto apenas para que não escrevas aqui nada que não possa ser tornado público.

  5. A Rodrigues diz:

    Relativamente à primeira explicação do Helder, sobre o ciclo de configuração dos portáteis, tenho a acrescentar o seguinte. Quanto mais mãos pelas quais o portátil tem de passar, maiores as oportunidades de controlar a sua qualidade. Por cada mão que passa, o portátil que se apresente defeituoso ou mal configurado deverá ser rejeitado. Trata-se de um filtro natural.
    O que pode acontecer é que não hajam instruções nesse sentido, e as pessoas em questão, por lealdade ou por um sentido de empenho erróneo, fechem os olhos e sigam com o processo. Isto é grave porque ao pensar que estarão a poupar tostões ao patrão ao não rejeitar o equipamento, na realidade estão a aumentar os custos da sua manutenção no futuro.

  6. João Sá diz:

    É verdade, o facto de um equipamento (portátil, neste caso) passar por muitas mãos poderia ser utilizado como forma de melhorar o processo de qualidade. “Quatro olhos vêem mais do que dois”.

    Mas para além da possibilidade referida de não haver instruções para o efeito, podem haver ainda instruções (e/ou pressões – que são piores) em sentido contrário. Muitas vezes, com a febre da produtividade e do lucro, associada à precariedade de alguns trabalhos e à dificuldade em conseguir outros, assistimos a um ambiente de trabalho pouco saudável que nada abona em favor da qualidade dos produtos, já para não falar na qualidade e no ambiente de trabalho sentidos pelo trabalhador.
    Não faço ideia se é o caso. Estou apenas a pôr hipóteses em abstracto.

    Felizmente nem todas as marcas/empresas são assim. Sabemos disso. Mas também sabemos que há muitas que se preocupam com a aparência (mesmo com a aparência da qualidade) sem querer saber da essência. Dito de outro modo, desde que pareça não interessa o que é.

  7. Helder Ferreira diz:

    O meu comentario colocado ontem não deve ter sido correctamente Submetido. Mas foi um texto tão grande que acho que já não tenho coragem de voltar a explicar tudo de novo. :S

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