Quantos seremos (pouco) importa

Não sei quantos seremos, mas que importa?!
Um só que fosse, e já valia a pena
Aqui, no mundo, alguém que se condena
A não ser conivente
Na farsa do presente
Posta em cena! 

Não podemos mudar a hora da chegada,
Nem talvez a mais certa,
A da partida.
Mas podemos fazer a descoberta
Do que presta
E não presta
Nesta vida. 

E o que não presta é isto, esta mentira
Quotidiana.
Esta comédia desumana
E triste,
Que cobre de soturna maldição
A própria indignação
Que lhe resiste. 

Miguel Torga, Câmara Ardente

Uma resposta a Quantos seremos (pouco) importa

  1. | rlb | diz:

    Bravo!
    “(…)comédia desumana(…)”
    uma esperança, pois não há comédia senão humana…

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