Big Brother is watching your health care

As surpresas anti-democráticas, pró-ditatoriais e desumanizadores não param neste belo país à beira mar plantado.

Desta vez a desculpa é a avaliação dos médicos.

Administração de hospital do Porto quer usar um sistema de televisão para controlar produtividade

O bastonário da Ordem dos Médicos, Pedro Nunes, acha que instalar um sistema interno de televisão para vigiar a produtividade dos profissionais de saúde “viola profundamente os direitos humanos”. E abrirá “processos disciplinares a quem der consultas debaixo de uma câmara de filmar”.

(…)

O bastonário acha que fazer aquilo “não é normal, num país democrático e civilizado”. Enquadra tal pretensão numa “cultura gestionária que não leva a nada”. “As administrações não querem saber se o médico opera bem ou mal, querem é saber quantas operações faz; o que conta é a produtividade.”

(…)

Desta vez estou totalmente de acordo com o bastonário da Ordem dos Médicos, quando diz que esta ideia viola profundamente os direitos humanos e que não é normal num país democrático e civilizado.

Porque é que esta gente anda toda obcecada com números. Será que os números são assim tão importantes? (Logo eu a perguntar isto – que até gosto de matemática!)

É este cenário em todo o lado. Parece que a única coisa que conta são números e estatísticas. Parece que tudo pode encaixar no modelo da fábrica com linha de produção.

Mas que raio de país(es) é(são) este(s) onde as pessoas não interessam? Onde as pessoas são tratadas como uma massa anónima e estatística, que têm apenas importância como um número. Número que se traduz em votos. Votos que se traduzem em lugares. Lugares que se traduzem em poder, salários e outros privilégios. Isto, só para alguns que tudo fazem para manter os números que os levaram onde estão!

Será que esta gente não percebe que o ser humano não é um número? Falta bom senso. Falta muito bom senso a esta gente.

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4 Responses to Big Brother is watching your health care

  1. pms diz:

    Meu caro, não esteja de acordo com quem não consegui interpretar um texto. Aquilo que a admistração do HSJ anunciou foi a publicação num canal de televisão interno dos resultados da produividade médica com base na informação existente no sistema de gestão hospitalar num sistema e não de filmar os consultórios. E esta informação só estará disponível nas áreas de pessoal e não para utentes. A versão da lista de caloteiros na versão “médicos que nada fazem”.
    Fico na dúvida se este bastonários é burro ao lançar polémicas destas ou se pensa que o povo Português é burro. Não é a primeira vez, nem a décima nem vigésima, que este senhor sai em defesa da classe médica de uma forma sindicalista, quando deveria agir como observador e regulador da actividade dos membros da ordem. Tipo quem nada faz não dignifica a actividade médica e por isso ser-lh-ia retirada a carteira profissional.

  2. João Sá diz:

    Caro pms,

    Compreendo que a interpretação e/ou divulgação jornalística da informação não tenha sido a correcta. Assumi isso algumas horas após esta notícia ter sido divulgada, através de uma nova notícia onde tal foi esclarecido. Fico satisfeito por isso. Melhor e mais cuidada comunicação – precisa-se!

    Apesar disso, o meu comentário não se centra unicamente nesta notícia. Refere-se a uma lógica dominante, onde esta notícia seria mais um exemplo, de submeter questões humanas a uma lógica contábil, administrativa e tecnocrática.

  3. Sónia Duarte diz:

    Concordo com o João relativamente ao carácter redutor/economicista (e, nesse sentido, perigoso) desta medida. Como utente, não estou interessada em que meçam a produtividade/resultados dos médicos e menos ainda que os difundam (ainda que em circuito interno,) pois a resposta dos médicos a essa exposição (com todo o respeito pelo profissionalismo de cada um) pode ser também perigosa (se se tornar competitiva), sobretudo, se houver implicações na progressão na carreira.
    Estou mais interessada em saber o “porquê” que o “quanto”. A avaliação das condições do exercício da actividade é que é, em minha opinião, importante e urgente e julgo que cabe dentro das atribuições do bastonário. Não creio que seja matéria estritamente sindical nem que o qualificativo “sindicalista” tenha uma carga depreciativa (pergunto-me se era essa a intenção).

  4. João Sá diz:

    Sónia, estou plenamente de acordo com o que dizes.
    Acho que este tipo de medidas pode ser (e não digo é porque há sempre uma ou outra excepção) contra-producente em alguns profissionais (médicos e não só – se pensarmos noutros sectores). Com a vontade de “agradar”, de obter melhores resultados, podem embarcar nesta lógica e perder a qualidade que tinham antes. Imagina o que seria um médico (ou outro profissional) sempre com este pensamento em mente: quanto mais rápido despachar este melhores serão os resultados. Sem dúvida que os números melhoram… Sem dúvida que a qualidade do serviço piora…

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