Mas o que é isto?

A Presidência da República divulgou ontem este comunicado (os destaques são meus):
Nos últimos dias, detectou a Presidência da República, face a contactos estabelecidos por jornalistas, tentativas de associar o nome do Presidente da República à situação do Banco Português de Negócios (BPN).
Não podendo o Presidente da República tolerar a continuação de mentiras e insinuações visando pôr em causa o seu bom nome, esclarece-se o seguinte:
1. O Prof. Aníbal Cavaco Silva, no exercício da sua vida profissional, antes de desempenhar as actuais funções (nem posteriormente, como é óbvio):
a) nunca exerceu qualquer tipo de função no BPN ou em qualquer das suas empresas;
b) nunca recebeu qualquer remuneração do BPN ou de qualquer das suas empresas;
c) nunca comprou ou vendeu nada ao BPN ou a qualquer das suas empresas.
2. O Prof. Cavaco Silva e a sua Mulher:
a) nunca contraíram qualquer empréstimo junto do BPN; 
b) não devem um único euro a qualquer banco, nacional ou estrangeiro, nem a qualquer outra entidade.
3. O Prof. Cavaco Silva e a sua Mulher têm, há muitos anos, a gestão das suas poupanças entregues a quatro bancos portugueses – incluindo o BPN, desde 2000 – conforme consta, discriminado em detalhe, na Declaração de Património e Rendimentos entregue no Tribunal Constitucional, a qual pode ser consultada.
As aplicações feitas pelos bancos gestores constam, detalhadamente, da referida Declaração de Património, entregue no Tribunal Constitucional – assim como o número de todas as contas bancárias do casal, excepto uma, aberta no Montepio Geral, por acolher apenas depósitos à ordem – a qual, repete-se, pode ser consultada.
As alienações de títulos efectuadas pelos bancos gestores constam, nos termos da lei, e como pode ser verificado, das declarações de IRS do Prof. Aníbal Cavaco Silva e de sua Mulher, preenchidas com base nas informações fornecidas anualmente pelos referidos bancos.
4. Ao tomar posse como Presidente da República, o Prof. Cavaco Silva e a sua Mulher deram instruções aos bancos gestores das suas poupanças para não voltarem a comprar ou vender quaisquer acções de empresas portuguesas, excepto no exercício de direitos de preferência.
Palácio de Belém, 23 de Novembro de 2008
A cada dia que passa consigo ficar mais estupefacto com a vida política nacional. É impressão minha ou este texto tem fortes traços de humor (a roçar o estilo Gato Fedorento ou Contemporâneos)? É a isto que se resume a política nacional?
Sei que o caso BPN é sério e grave. Sei que o Presidente da República deve ter o máximo cuidado com a sua reputação – não por si, mas pelo país. Mas, que eu saiba, nos últimos tempos não houve nenhuma tentativa de associação do seu nome ao caso BPN. Tenho andado atento aos media, ainda assim, admito a possibilidade de me ter escapado algum facto. Pelo que me apercebi, o que houve, e isso seria a meu ver inevitável, foi a constatação de que a maior parte das figuras de peso do BPN tiveram um passado político ligado ao PSD e, em particular, ao cavaquismo.
Com a torrente de informação dos nossos tempos, e não havendo combustível para que a chama ardesse, este tipo de insinuações(?) rapidamente se atenuariam e cairiam no esquecimento. Assim, talvez não!
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