Finalmente percebi

Finalmente percebi a razão de tanta insistência por parte de Maria de Lurdes Rodrigues em dizer que os professores vão ser avaliados este ano. Fez-se click ao ler esta notícia do Público.

É simples. Os professores já estão a ser avaliados. Todos os dias, como sempre foram. Pelos alunos, pelos colegas, pelos pais, pela comunidade, …

Afinal ela tem razão. Não vamos é ser classificados (digo, etiquetados) pelo modelo de avaliação do ministério.

E eu convencido de que a ministra mentia.

Avaliar: determinar a valia ou o valor de; apreciar o merecimento de; aquilatar, reconhecer a força de, a grandeza de; estimar, prezar;

Classificar: distribuir em classes; arrumar; ordenar; qualificar; determinar as categorias (de um conjunto); atribuir valores a.

É tão óbvio que até chateia.

Anúncios

5 Responses to Finalmente percebi

  1. Décio diz:

    desculpa a minha ignorância no assunto, mas já nem sei muito bem por quê tantos protestos!

    Porque tanto recuo e tanto avanço também por parte dos sindicatos?

    E agora, com estas novas mudanças, o que se segue??

  2. João Sá diz:

    À primeira pergunta só cada uma das partes lhes poderá responder. Eu tenho, naturalmente, a minha opinião. A resposta curta (mas complicada), que não adianta muito: o porquê está na(s) natureza(s) humana(s)…

    Bem, as mudanças na forma têm sido muitas mas servem todas para ocultar a essência do problema. Essa [essência] resume-se a duas ideias (não assumidas): gerar sucesso estatístico e poupar dinheiro à custa dos professores.

    O que se segue? Não sei. Não consigo prever o futuro. O próximo passo parece ser a proposta dos sindicatos para a avaliação de professores este ano lectivo. Aguardamos com expectativa e alguma apreensão.

  3. Décio diz:

    Então uma terceira pergunta: porquês destes processos todos dos professores? O que pretendem os professores?

    E outras se seguirão, mas: será que os sindicatos não vão acabar por compactuar com o estado e voltar tudo ao silêncio? Mas até quando? Quando é que vamos (sim, nós) parar e pensar a Educação como Educação?

    Os professores “dizem” que quererem ser avaliados, e a minha pergunta é: COMO!?

    Não são num sentido irónico as minhas dúvidas… apenas que no meio deste turbilhão de opiniões, gritos e euforias, já não entendo nada! Creio que todos se contrariam: a ministra, os sindicatos, os professores… até as minhas opiniões (porque estou fora e quase longe desse regime…)!

    Continuo na minha. os sindicatos andam a tentar remexer em caminhos turtuosos para desviar outras atenções; será? Políticas!? Também vou por aí; só não acredito que tudo isto vá resolver o problema grave que existe na Educação (não, não são – só – os professores): a EDUCAÇÃO na essencia!

  4. António Daniel diz:

    É óbvio que, quem assiste de fora, pouco ou nada percebe do que se está a passar. O problema começou com uma atitude de ofensa permanente por parte do governo à classe dos professores. São vários os registos onde esses ataques estão gravados. Os professores foram aguentando até… bom, até explodirem. É óbvio que me poderão dizer: mas não é isso que acontece na maioria das empresas? Se é, então lamento! Eu próprio, antes de exercer a profissão de professor, trabalhei numa empresa privada durante uns meses, pois estive desempregado e, digo-lhes, fui bem tratado. Mas também posso dizer que uma escola não é uma empresa e, portanto, qualquer tipo de imposição empresarial numa escola, falha! Porquê? Por que há idiossincrasias muito próprias: cada professor – falando do ensino secundário – dá aulas, em média a 100 pessoas, cada uma delas com características muito específicas e cada uma delas com comportamentos singulares em contexto grupal. Neste sentido, e numa primeira análise, ser professor é gerir recursos humanos, contribuindo para a aprendizagem e desenvolvimento pessoal dos estudantes. Não é promover a produção de artefactos, é moldar cabeças. Ora, aqui está o problema: se antes a escola era um agente poderoso de socialização, num primeiro momento, num segundom momento funcionava como um veículo de mudança social. Actualmente, em virtude de inúmeros factores, os grandes educadores são os média. Como dar resposta a isto? Será que a escola deve ir de encontro aos interesses dos alunos promovendo mecanismo pedagógicos oriundos das tic ou o texto, a escrita deve ser sempre um fim em si mesmo? Como conciliar estes níveis?
    A escola foi durante muitos anos um laboratório à mercê de inúmeros interesses, onde as pedagogias faziam as suas diatribes considerando alguns residir aí um dos grandes males de que o ensino padece. No meio disto tudo, os professores nunca foram peça fundamental e muito menos, digam o que disserem, foram os alunos. Neste sentido, a questão da avaliação de desempenho veio precipitar as coisas. Poucas pessoas sabem que os professores são das classes profissionais com melhores qualificações Há um número considerável de professores possuidores de formação pós-graduada. Se isto responsabiliza as pessoas, também lhes fornece mecanismos de reacção face a situações que são consideradas absurdas. À medida que a formação aumenta, o sentido crítico profissional também aumenta. Sublinhe-se, ainda, que a carreira do professor é a todos os títulos «limpa», não precisou de cunhas nem de subornos para chegar onde chegou. Não precisou de favores institucionais para chegar onde chegou. A sua formação consistiu numa licenciatura e num estágio pedagógico muito exigente. É das profissões que possui um dos estágios mais difíceis. Acrecente-se que a classe profissional dos professores é das mais consideradas. Face a tudo isto, o professor, orgulhoso do seu percurso, sente muito mais os ataques. ainda por cima quando os docentes, na maior parte dos casos, percorreram o país de lés-a-lés nas sucessivas colocações. No meu caso pessoal, minhoto de nascença, mais propiamente de Fafe, percorri todo o país para me estabelecer há relativamente pouco tempo em Torres Vedras. Mas não me lamento. Antes pelo contrário, foi muito enriquecedor. Mas também não faz mal nenhum haver um certo reconhecimento por parte da tutela. Pelo menos, por parte dos alunos vamos tendo. O que nunca houve foi reconhecimento por parte da tutela. Mas também não a o queremos. O que efectivamente queremos é que nos dêem possibilidades de fazermos um percurso autónomo, que nos responsabilize mais e não servirem-se de nós para finalidades que ultrapassam o bem do Estado.
    Todos sabemos que os resultados obtidos pelos alunos, os índices de retenções de de abandono ultrapassam em muito a escola, Estes aspectos são variáveis que dependem profundamente do desenvolvimento económico e cultural do país. Negar isto e demonizar a acção dos professores é negar a real educação. De facto, o Décio tem razão. É necessário pensar mutio bem na educação. Mas quem vai pensar. Que me perdoem os iluminados pedagogos deste país. O sujeito do pensamento deve situar-se no inteior de cada escola, fomentando a resolução de problemas, refectindo na definição de projectos educativos. Nâo queremos mais cabeças pensantes que se julgam familiarizadas com a escola. Pois é, sabemos que essa aparente familiaridade é um obstáculo epistemológico. Muito mais haveria a dizer. Mas para já ficamos por aqui. Fico à espera do contraditório.
    Boa noite
    António Daniel

  5. João Sá diz:

    Caro colega António, gostei da sua reflexão.

    Disse que “(…) os professores nunca foram peça fundamental e muito menos, digam o que disserem, foram os alunos. ”
    E eu acrescento: nem o conhecimento (mesmo que lhe queiramos chamar competências, aprendizagens, ou qualquer outra coisa).

    Esta frase resume a essência do(s) problema(s) da Educação. A mensagem passada nunca correspondeu às reais motivações da tutela.

    Actualmente, passam a mensagem de que o objectivo é ter uma escola (pública) de qualidade, reduzir o abandono escolar, promover a excelência, melhorar os resultados e o sucesso educativo.

    Como disse um colega no Prós & Contras: tretas.

    Desmontando toda a informação emanada do ME (legislação e não só) conclui-se que os objectivos reais são:
    – Reduzir a despesa (e o défice do país) à custa (também) dos professores
    – Promover o sucesso estatístico (números apenas – sem preocupação com o real sucesso educativo)
    – Reduzir os números de abandono escolar (sem preocupação com as razões reais – maioritariamente sociais, familiares e económicas)

    Enfim, como referi num outro post deste blog, a propósito de outro assunto, a Essência é uma mas a Aparência é outra bem diferente.

    Décio, a avaliação é importante mas é, neste momento, apenas um bode expiatório. A avaliação surge naturalmente num contexto de verdade e de seriedade. É preciso compreender que a escola não é uma empresa. Não é mesmo. Tu que me conheces, sabes como o posso distinguir…

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: