A Bíblia

Novembro 3, 2009

Após a recente polémica sobre as declarações de José Saramago acerca da Bíblia, decidi iniciar uma leitura protelada há algum tempo. Da Bíblia, claro está. Comecei pelo Evangelho segundo Mateus, do Novo Testamento.

Sobre o (em minha opinião) omnipresente maniqueísmo e a tendência para encaixar tudo em termos de “bem” ou de “mal”, deixo algumas passagens a que gostaria de voltar mais tarde.

«Ninguém pode servir a dois patrões: ou não gosta de um deles e estima o outro, ou há-de ser leal para um e desprezar o outro. Não podem servir a Deus e ao dinheiro.»

Também me parece interessante a discussão sobre a “carga” machista que encontrei em várias passagens, como esta:

«Também foi dito: Todo o homem que se divorciar da sua mulher deve passar-lhe uma declaração. Mas eu digo-vos: Todo o homem que se divorciar da sua mulher, excepto no caso de adultério, é culpado de a expor ao adultério. E o homem que casar com ela também comete adultério.»

E porque alguém falou no pior da natureza humana:

«Todo aquele que se declarar a meu favor diante dos homens, também eu farei o mesmo por ele diante do meu Pai que está nos céus. Mas àquele que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante do meu Pai que está nos céus.»

«Não pensem que vim trazer a paz à Terra. Não vim trazer a paz, mas a guerra. Vim, de facto, trazer a divisão entre filho e pai, filha e mãe, nora e sogra: os inimigos de uma pessoa serão os da sua própria família.

Aquele que amar o pai ou a mãe mais do que a mim, não é digno de mim; e o que amar o filho ou a filha mais do que a mim, não é digno de mim. Aquele que não pegar na sua cruz e não me seguir, não é digno de mim. Aquele que pensa que tem a sua vida segura, perde-a, mas aquele que me perder a sua vida por minha causa é que a tem segura.»

A outra parte da discussão que me interessa, passa pelo que deve e pelo que não deve ser interpretado literalmente na Bíblia. Se durante séculos foi feita pela Igreja uma interpretação literal, porque não a poderemos fazer agora? Mas se a interpretação literal não é aconselhada, abre-se o campo a todo um universo de subjectividades. Quem dita aquelas que serão válidas?


Ainda não me tinha apercebido!

Outubro 20, 2009

Diz o Sol:

Portugal cai de 16.º para 30.º nos países que mais respeitam os jornalistas

A organização Repórteres Sem Fronteiras considera que a liberdade de imprensa diminuiu este ano em Portugal, com uma queda do 16.º para o 30.º lugar na lista dos países que mais respeitam o trabalho dos jornalistas

Apesar de classificar Portugal como estando «em boa situação» face à liberdade de imprensa, a organização internacional afirma ter-se verificado uma queda de 14 posições na lista dos mais respeitadores da liberdade de imprensa, passando a estar ao mesmo nível da Costa Rica e do Malí.

No ano passado, Portugal estava em 16.º lugar, a par da Holanda, Lituânia e República Checa.

A Repórteres Sem Fronteiras alerta ainda que a Europa, em conjunto, recuou em termos de liberdade de impressa.

«A Europa, que foi durante muito tempo um exemplo em matéria de respeito pela liberdade de imprensa», recuou na lista, contabilizando apenas 15 países na lista dos 20 primeiros classificados, contra os habituais 18.

Claro que não podemos generalizar. Claro que há jornalistas excelentes. Claro, também, que muitos jornalistas podiam fazer melhor trabalho e serem mais respeitados. Claro que alguns não o fazem porque têm que “tratar da vidinha” e o emprego está difícil para quem se rege por alguns princípios éticos. Claro que há aqueles que não resistem às pressões. Claro que também há jornalistas que resistem.

Claro que há órgãos de comunicação que estão vendidos. Claro que esses órgãos dão emprego a muita gente. Claro que isto é só parte da história.

Mas há quem esteja atento a coisas como a recessão censurada ou os insultos omitidos. Há quem tenha estado atento a telejornais como o de dia 17 (vi o da SIC e o da TVI) que deram a notícia da comemoração dos 100 anos do liceu Camões, mostrando apenas as intervenções politicamente correctas e incipientes do Presidente da República e da Ministra da Educação, não tocando numa palavra do aluno que acusou o Ministério da Educação de “tirar credibilidade à democracia”.

Há todos os outros exemplos que conheço-mas-que-não-me-apetece-lembrar-porque-já-dá-para-ver-onde-quero-chegar. Há todos aqueles de que não me apercebi (mas que devem existir!!) porque a-minha-vida-não-é-caçar-jornais/notícias-tipo-mentirosos.

Com isto tudo, parece que ainda não me tinha apercebido que Portugal caiu de 16º para 30º.

Pensei que ainda estava [só] pelo 29º!


Gripe A é uma coisa banal

Outubro 7, 2009

Finalmente aparece alguém com peso no espaço da opinião pública na área da saúde para contrariar o “pensamento único” ou “informação única” que tem dominado este assunto.

O Bastonário da Ordem dos Médicos diz que há excesso de alarme na resposta à Gripe A. Também me parece. Estranho é que praticamente toda a comunicação social embarque nesta onda e nos ande a distrair dos problemas realmente importantes e estruturais.

Diz o bastonário:

“o melhor contributo da Ordem dos Médicos é chamar a atenção dos médicos e, através deles, das pessoas, de que isto é uma doença banalíssima e que não é preciso andarmos todos assustados”.


Eleições: o país em suspenso

Setembro 29, 2009

Por muito importante e incontornável que seja a política, um país não se faz [apenas] dela. O país real, o país produtivo, o país que se faz hoje, o país que hoje prepara o futuro, parece sempre adiado.

As legislativas já lá vão. O PS, apesar de ter ganho, perdeu: deputados, número de votos e maioria absoluta. O PSD ganhou deputados e número de votos mas perdeu as eleições. O CDS e o BE ganharam à sua escala. A CDU ganhou votos e mais um deputado mas perdeu posição e velocidade, mantendo o mesmo discurso de sempre. Os pequenos partidos continuam pequenos. O partido com mais votos é a abstenção.

Hoje, aguarda-se o comunicado do Presidente da República que, espera-se, apresente o desfecho de mais uma novela que prejudica a democracia e nada acrescenta de bom.

Ao mesmo tempo, por esse país real fora, começa a campanha para as autárquicas com muitas novelas em formato curta-metragem.

Tudo isto parece um filme permanente. Um entretenimento de fraca qualidade com o bilhete pago por todos nós. É por isso que somos obrigados a assistir e a assobiar. Os actores principais não merecem palmas. Os que as merecem, não têm tempo nem espírito para as receber.

Enquanto isso, sabe-se que o défice duplica e que o desemprego pode chegar aos 650 mil já em 2010. Ninguém parece preocupado: há inaugurações, comícios, arruadas, aparência de festa e campanha.


Viver aqui

Setembro 20, 2009

Há dias em que faço perguntas. Há outros em que procuro respostas. Hoje é dia de escrever.

Porque vivo aqui? – é uma pergunta que me ocorre. Aqui, um país que se agarra a uma história requentada, que quer ser grande mas nem sabe se é pequeno, que procura pertencer à Europa mas está entre África e o Atlântico. É um país que tem gente boa e não sabe que tem. É um país que tem gente má e diz que é boa.

São as desigualdades. É a saúde para todos mas que só chega a alguns. É a educação de primeira e a de segunda. É a justiça que não se compreende, lenta ou sem fim. É a casa pia, o apito dourado, o caso Maddie e o freeport. São os crimes da noite. São os casos autárquicos – tantos! É o BPN e o BPP. É a DREN. É o caso Charrua e outros mais. São as tensões contidas ou abafadas dos militares e das forças de segurança. É a TVI e o Jornal Nacional. É o Público. É o DN. São as escutas da presidência – agora! É tudo aquilo que excedeu a memória disponível.

Será que isto é mesmo um lamaçal? Começa a ser difícil saltar de pedra-em-pedra.

Se a isto se chama um país, quero viver noutra dimensão.


Pontos de viragem

Setembro 16, 2009

A rádio, a televisão e a Internet. O vinil, a cassete e o CD. O VHS e o DVD.  O computador, o telemóvel e o iPod.

Tantas mudanças tecnológicas. Talvez esta seja mais uma.

Um marco no caminho que se iniciou há algum tempo, da conquista de audiência por parte dos livros digitais (e-books) face aos livros tradicionais (em papel). Obviamente que os livros em papel terão sempre o seu espaço, até pelo culto que representam: o toque; o cheiro; o gesto do desfolhar; o ritmo da leitura; as pausas! Um livro é um livro.

Mas… numa leitura mais pragmática, as vantagens dos livros digitais são óbvias: a pesquisa; os apontamentos; a portabilidade; o preço!

Por tudo isso, talvez este seja mais um ponto de viragem.

Amazon vende mais e-books do último livro de Dan Brown do que edições impressas

Apesar dos preços mais baixos, os e-books ainda estão muito longe da popularidade dos livros em papel. Mas as vendas de versão electrónica do último romance do conhecido autor Dan Brown ultrapassam na Amazon as vendas da versão convencional.

(…)


Lâmpadas de incandescência fora do mercado

Setembro 9, 2009

lampadaAs lâmpadas de incandescência começaram este mês a ser progressivamente retiradas do mercado. Quem o diz é o Jornal de Negócios, que estima uma poupança de 50 euros anuais para as famílias que façam a substituição.

Que aproveitem os coleccionadores. Daqui a uns meses serão mais raras.


Gripe A: contrariar a “febre”

Setembro 7, 2009

Para fugir um pouco à histeria que alguns teimam em promover e que outros aceitam entrar, sobre a gripe A, um texto do Jornal de Negócios:

“Papão” da gripe A cura-se com menos de quatro euros

Curar uma gripe A custa menos de quatro euros. Em geral, um pediatra prescreve, a uma criança até aos 12 anos, o comum analgésico paracetamol, bem como o antiinflamatório Ibuprofeno. Cura-se a gripe A como uma gripe sazonal.

Aos pais, é aconselhado desinfectarem as mãos e utilizarem uma máscara cirúrgica, que custa cerca de 30 cêntimos a unidade. E pouco mais.

Se a criança não pertencer a grupos de risco, não necessita do Oseltamivir, mais conhecido pelo nome comercial Tamiflu, medicamento da Roche à venda nas farmácias por 25.17 euros (uma embalagem de 75 mg), sem comparticipação médica.


A promoção censurada

Setembro 5, 2009

Do Expresso:

O Expresso mostra em primeira-mão o vídeo de promoção ao “Jornal Nacional” da TVI que terá desagradado à administração da Media Capital.


Decidir pela própria cabeça

Setembro 3, 2009

Diz o Público:

D. José Policarpo repreendeu bispos e padres que decidem “pela própria cabeça”

Sabemos que a igreja católica não é uma instituição democrática. Sabemos também que a hierarquia tem aqui um papel central. A igreja católica, com as devidas diferenças, tem muito em comum com a instituição militar: rigidez, hierarquia, obediência.

Talvez esteja aqui parte da explicação para o afastamento, aliás assumido pela própria igreja, cada vez maior de fiéis e para a chamada crise de vocações.

O que nunca me tinha passado pela cabeça é que decidir pela própria cabeça fosse uma coisa má!

«Penso, logo Existo».