Temos tantas fragilidades e gostamos de parecer tão fortes.
Outras vezes, temos tanta força e pensamos ser tão frágeis.
Temos tantas fragilidades e gostamos de parecer tão fortes.
Outras vezes, temos tanta força e pensamos ser tão frágeis.
As férias já acabaram. Foram boas, maiores para o Equilíbrios que para mim, mas a cada um aquilo que merece!
O tempo foi de descanso, mas também de observação e de reflexão dedicada sobre o que me rodeia. Bem, pelo menos para algumas coisas, já que para a silly season houve pouca paciência.
Crianças, as férias foram bastante infantis. E, por isso, reparei que a minha filha (embora outros pais me tenham dito o mesmo), em idade de alargar a gramática, diz quando fez algo:
- Eu fazi.
Quando sabe (e sabe quase sempre):
- Eu sabo.
Quando trouxe alguma coisa:
- Eu trazi.
Ora, observado isto (entre outras delícias gramaticais), tendo em conta a má fama da língua portuguesa, e aproveitando o novo acordo ortográfico, pergunto eu, o português não seria uma língua mais simples (até para os adultos) se os verbos fossem de conjugação mais natural?
O Equilíbrios entra em férias durante o mês de Agosto. Regressa, previsivelmente, no início de Setembro. Mas… como a imprevisibilidade faz parte da vida, caso seja revelada a origem do universo, seja descoberta a máquina do tempo, o elixir da juventude, ou outra banalidade digna de registo, cá estaremos prontos a interromper as férias.
À parte disso, pelo menos um post programado aparecerá por aqui lá para meados do mês.
Boas férias, Boa Vida e uma Vida Boa!
Eu gosto de ilusão. Gosto de sonhar, de imaginar um futuro melhor, de pensar utopias, daquelas que – conscientemente – podem nunca acontecer mas que nos servem de farol. Nem me importo de pagar por elas. Pago por um bom momento de ilusão, como quando vou ao cinema ou a outro espectáculo, quando leio um livro, quando jogo na consola ou, simplesmente, quando me sento em frente à televisão para sentir o suspense de uma série.
Que bom que é viver e ter ilusões. Mas não confundamos os planos. É bom viver e TER ilusões. Não é bom VIVER ilusões. Abomino viver em ilusão. A realidade é sempre melhor, mesmo quando é pior!
Não tenho ilusões: a minha realidade não é a realidade do próximo, tal como o não são as minhas verdades. Não me vou referir a isso. Esqueçamo-lo de momento. Falemos de situações factuais, do senso comum e de enganos conscientes.
Passemos então para a mentira. A mentira é um tipo de ilusão. Porque será que tantos escolhem viver em mentira? Uns em mentiras suaves, outros em mentiras profundas, mas mentiras. Não deixam de ser mentiras.
É aquele vendedor que vive na mentira do lucro. Vende tudo pelo preço mais alto que consegue, mesmo se aquele produto nada vale ou, pior, se não tem valor para o cliente. Ele sabe usar a ilusão. Ilude o cliente, fá-lo acreditar que precisa daquilo. Ilude-se a ele por acreditar que vender – só por vender – é bom.
É o amigo que não conta o que sabe ser importante para o outro (Caberá isto no conceito de amigo?). É o colega de trabalho que procura criar uma imagem de si e outra do colega para chegar onde pensa querer (Valerá isto apena?). É o professor que passa o aluno sem saber (Será isto aceitável?). É o político que promete – o que sabe não ser possível – para manter ou conseguir o lugar (Conseguirá?). É o jornalista que transforma a notícia (Que notícia? De outra coisa que, embora possível, foi apenas imaginada?).
Mas é também o padeiro que rouba no peso do pão. É o mecânico que substitui a peça sem necessidade. É a burocracia incompreensível, com objectivos não assumidos. É o casal que se engana. É a história mal contada. É!…
Sem falsos moralismos, apenas com sentido(s). Pensemos nisto: na vida, na verdade e na mentira.
Bem sei que «anda meio mundo a enganar o outro meio», mas será que não podemos mudar isso?
Não apenas porque usa muito e bem a palavra “equilíbrio”, mas também porque o futuro é delas – das crianças -, aqui fica um texto equilibrado de uma criança com futuro:
Senhoras e senhores,
Gostaria que soubessem aquilo que penso em relação ao estado do Planeta e aquilo que nós, os humanos, estamos a fazer ao planeta em que vivemos.
O Homem, ao longo de muitos séculos sempre afirmou ser o animal mais inteligente, um animal racional, mas, pelo que a humanidade tem demonstrado, o Homem deveria ser considerado o menos inteligente. Afirmo isto porque, apesar do Homem saber e de ter consciência dos seus actos, continua a fazer tudo como se nada fosse e sem pensar nas consequências.
As pessoas consomem cada vez mais, muitas vezes sem necessidade, quando afinal deveriam consumir apenas quando fosse necessário.
A humanidade já desequilibrou o ecossistema que é o mundo, agora, a única coisa que podíamos fazer, era tentar não o desequilibrar mais e esperar que a Natureza voltasse a equilibrá-lo. Mas para isso, era necessário que as pessoas abdicassem de muitos confortos e vantagens, que infelizmente não querem abdicar. Não estão dispostas a fazer esse sacrifício pelo Planeta Terra.
Estou a alertar todas as pessoas possíveis para que a situação não se agrave, mas infelizmente não é apenas uma pessoa que vai conseguir mudar a forma de viver nem de pensar das pessoas.
Existe um equilíbrio, que é como uma harmonia, muito frágil. Nesse equilíbrio tudo está ligado: todas as plantas, todos os animais, todos os lugares, e tudo o que acontece tem um significado. Mas quando o Homem descobriu o petróleo, as populações cresceram e foi preciso mais e mais petróleo, sempre mais. De maneira que as cidades cresceram e por isso, muitos habitats foram destruídos e com eles as suas espécies de animais e plantas, provocando assim a extinção de muitas. Foi a partir daí que o homem destruiu esse equilíbrio. Agora a Humanidade é dependente do petróleo, do ouro negro, o que se torna cada vez mais perigoso, causando assim o efeito bola de neve; ou seja, se continuarmos assim o problema irá continuar a agravar-se com consequências terríveis, que não conseguimos sequer imaginar.
Eu pergunto-me se será isto que queremos, se será este o nosso futuro! O nosso sistema não poderá funcionar durante muito mais tempo. Por isso vamo-nos juntar e deixar de atirar lixo para o chão, vamo-nos juntar e reciclar, vamo-nos juntar e comprar apenas o necessário, vamo-nos juntar e andar o menos possível de carro, utilizar transportes públicos e bicicletas, vamo-nos juntar e poupar água, vamo-nos juntar e mudar este sistema que é a nossa cultura consumista, vamo-nos juntar e proteger a nossa casa, o nosso Planeta!!!
Sara
Há dias em que, no meio da “multidão”, contrariamente à excitação envolvente, mesmo fazendo parte dela, se mantém uma calma serena.
Há dias em que, quando os precedentes são agitados e os subsequentes ainda mais se prevêem, a calma impera.
É nesses dias que as emoções são [ainda mais] puras. É nesses dias que se faz [mais] um balanço. São esses dias que valem [ainda mais] a pena. São esses dias que dão [mais] valor às decisões difíceis.
Todos [os dias] são dias [que ligam] os dias.
Recupero aqui um post antigo do qual me tenho lembrado muito nos últimos dias.
Filosofia de vida In extremis: adoptar o mundo ou adaptar o mundo?
Com o meu agradecimento à Sílvia pela sugestão e pelo empréstimo, deixo aqui uma citação sobre “O eterno”, retirada da página 59 do livro, de Gonçalo M. Tavares, “O Senhor Henri”.
… mais um copo de absinto, por favor – pediu.
… hoje, por exemplo, vou falar-vos do microscópio.
… o microscópio é um instrumento inventado para fazer grandes as coisas pequenas, enquanto os políticos são instrumentos inventados para fazer pequenas as coisas grandes.
As reuniões estão para as profissões modernas (e também para algumas antigas) como o papel está para as impressoras. Não vivem umas sem as outras, encontram-se em todo o lado e a toda a hora.
Consultando o dicionário, parece que todas [as reuniões] são dignas do nome. Afinal, uma reunião não é mais que um «acto ou efeito de reunir» ou que um «ajuntamento de pessoas». É pena que a definição formal seja tão pobre. É que sempre tive tendência para considerar uma reunião como um acto de relevo, em que as pessoas se juntam com um (ou vários) objectivo(s) específico(s) previamente definidos. Infelizmente, a experiência diz-me que poucas são as verdadeiras reuniões (interpretadas à minha maneira). Infelizmente, também, parte delas são pura perda de tempo.
Proponho então que adoptemos um neologismo. Reunião continuar-se-á a usar quando o ajuntamento de pessoas for produtivo e considerado um acto de trabalho com sentido. Reunite seria então o novo termo para designar todos os ajuntamentos onde uns tentam passar o tempo e os restantes desesperam por serem obrigados a lá permanecer sem que nada de útil aconteça.
(Actualização)
Proponho que se adopte reunite como s.f. para descrever as tais reuniões mas também como classificação de uma patologia de que sofrem aquelas pessoas que anseiam por essas reuniões.