O título é exagerado – assumo-o desde já -, até porque muito haveria a dizer sobre o que será isso de um país dominar outro, ou, por outro lado, sobre qual o melhor caminho para a humanidade e para o planeta – discussão muito mais relevante do que aquelas baseadas nas noções algo provincianas e mais-século-menos-século ultrapassadas, de país, de pátria ou de nação.
Mas o exagero é em relação à notícia, não em relação às reais possibilidades da China face às fragilidades de Portugal!
Que notícia? Esta que descobri no blogue Peopleware, motivado pelo Público, onde se lança uma discussão delicada e que certamente tocará em muitas sensibilidades. Dizem eles, entre outras coisas:
Um relatório divulgado esta semana afirma que informação sensível do Estado português foi roubada por uma rede informática sediada na China.
(…)
O relatório foi publicado por uma empresa de segurança informática portuguesa, chamada Trusted Technologies e que é praticamente desconhecida. Os autores dizem ter entrado nos servidores da GhostNet e encontrado, entre outros dados, informação capaz de facultar o acesso a bases de dados do Ministério da Justiça, ficheiros sobre o sistema que gere as eleições em Portugal, documentos da Polícia Judiciária e informação sobre juízes e magistrados. A empresa diz ter uma cópia de toda esta informação, que só divulgará se existir “autorização expressa pelas entidades competentes”.
(…)
“Em teoria”, garantiu Vieira, a informação encontrada nos computadores chineses “põe em causa a segurança das instituições” e permite alterar bases de dados como as do Registo Predial ou até interferir com a contagem de votos numa eleição.
(…)
Nada disto me surpreende. Estranho é se for apenas isso.
Um país com o potencial da China, com cerca de 1,3 biliões de pessoas, com um modelo social que consiste em explorar o potencial máximo de cada indivíduo dando-lhe o mínimo necessário para o atingir, pode fazer bem mais. Se juntarmos a isso uma grande compreensão do ocidente, que não é recíproca, uma atitude dominadora e paciente, e a crescente dependência dos estilos de vida ocidentais em relação a um também crescente número de produtos chineses (preço, abundância, qualidade, etc.), não é difícil perceber onde vamos parar.
Se nos concentramos apenas nas tecnologias da informação e comunicação, por conveniência de raciocínio e por associação à notícia, se pensarmos na complexidade do software que utilizamos diariamente, nas imensas camadas que todos usamos mas que muitos nem imaginam que existem, nos milhões de linhas de código, em todos os programas inseridos ou instalados em produtos fabricados na China. Se a isso juntarmos a rápida e crescente propagação destes produtos (só um exemplo para concretizar: experimentem ver onde são fabricadas a maior parte das pens de banda larga móvel), não será difícil imaginar algumas cenários no mínimo assustadores…
Publicado por João Sá 
Publicado por João Sá
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