Ensinar programação a todos

Outubro 5, 2009

Lia eu este artigo, com o título Why we should teach programming to all students, e fiquei a reflectir sobre algumas ideias apresentadas: que as ferramentas de que dispomos para as tecnologias actuais estão, ainda, num estado Neandertal; que há muito pouca gente com a formação adequada para construir software, e que de momento (talvez ainda durante décadas ou mesmo séculos), a construção de software passa essencialmente pela programação.

Com base nestas ideias, é defendido que a programação deve ser tratada pelo sistema de ensino como uma competência ao nível da matemática ou das ciências.

São ideias que já me tinham ocorrido antes, embora ainda não as tenha aprofundado o suficiente e não considero que tal possa ser feito, nem aqui, nem pelo post a que me refiro. Ainda assim, é um assunto que merece séria e aprofundada discussão. Basta pensarmos na omnipresença (ubiquidade em alguns casos) das tecnologias da informação e da comunicação e na cada vez maior dependência humana do softwareDe entre os muitos exemplos, talvez as profissões especializadas ou técnicas sejam o melhor. São cada vez mais as aplicações de software que incluem linguagens de programação e/ou de scripting embebidas, o que possibilita a expansão dessas ferramentas para fins não previstos na altura do seu desenvolvimento.

Exemplo disso são os processadores de texto ou as folhas de cálculo, software conhecido e utilizado por quase todos, como o Word e o Excel da Microsoft. Ambas recorrem a uma linguagem de programação integrada: o VBA – Visual Basic for Applications. Apesar das limitações, esta linguagem permite criar novos programas dentro do próprio programa. Com o conhecimento e a formação adequados, abrir-se-ia um novo horizonte de possibilidades para os utilizadores que, já hoje, somos todos nós.


Reforços mais credíveis

Setembro 11, 2009

Acerca da Gripe A, mas não só, pois estas medidas deveriam ser prática comum nas escolas, fico mais optimista com esta notícia do Correio da Manhã:

Escolas gastam seis milhões contra a gripe

As medidas de prevenção e o combate ao vírus H1N1 nas escolas portuguesas vão custar ao Ministério da Educação, este ano lectivo, cerca de seis milhões de euros.
Fonte do Gabinete de Gestão Financeira do Ministério disse ao CM que as previsões apontam para um gasto médio de 4 mil euros por cada um dos cerca de 1200 agrupamentos de escolas.
Aos 4,8 milhões gastos em kits de prevenção para as salas de aula, gel antibacteriano, desinfectante, pulverizadores, máscaras e luvas, deve somar-se 1,2 milhões em obras de adaptação, acções de formação e trabalho suplementar. É que, além de as casas de banho das escolas terem de passar a ser limpas pelo menos quatro vezes por dia, em todos os intervalos terão de ser desinfectados os corrimões e os puxadores das portas.

Há muito que isto era necessário, até pelos efeitos pedagógicos que tem.

Resta esperar para ver.


Reforços

Setembro 10, 2009

A propósito deste post no blogue Fliscorno:

Ao que apurei, cada escola vai receber

Ora eu estou escandalizado pois os valores deviam ser ao contrário. 500 € mal dá para os croquetes e a gripe A, dê por onde der, todos a apanharemos.

Sabendo que o orçamento das escolas será reforçado entre 600 € e 2000 € para a gripe A, tomemos como referência o valor máximo – 2000 €.

Num cálculo rápido, se considerarmos apenas os dias previstos com actividades lectivas (172 dias), ficamos com menos de 12 € por dia. Já se considerarmos os dias úteis de 11 meses (239 dias), ficamos com pouco mais de 8 € por dia. Será que chega para desinfectar as mãos de, digamos, mil alunos por escola todos os dias?


PTE dispara custos de energia

Setembro 8, 2009

Que o acréscimo significativo de equipamentos tecnológicos nas escolas (aquelas que têm essa sorte) aumenta consideravelmente o consumo de energia, não é novidade. Já o ouvi de elementos da Parque Escolar e de empresas prestadoras de serviços. A Escola Secundária Serafim Leite confirma-o:

A direcção da Escola Secundária Serafim Leite, pioneira a completar o primeiro eixo do Plano Tecnológico da Educação (PTE), defende que o programa é de uma “eficácia extrema”, mas alerta para o aumento dos custos com energia.

Irene Guimarães, directora da escola, afirma que “a opinião geral, tanto de professores como de alunos, é a de que a utilização dos equipamentos instalados, nomeadamente os quadros interactivos e os computadores presentes nas salas de aula, foi uma mais-valia para o processo de ensino e aprendizagem“. Mas “se a nível pedagógico a implementação do PTE se revelou de uma eficácia extrema”, observa essa responsável, “já a nível da gestão de todo o sistema apareceram algumas situações que é necessário ter em conta no futuro”.

O caso mais evidente é o “acréscimo nos custos de utilização” dos novos equipamentos: “Havendo um videoprojector em cada sala e, em alturas de pico de horário, cerca de 400 computadores ligados em simultâneo, o consumo de energia eléctrica aumentou consideravelmente“.

Por outro lado, Irene Guimarães diz que “o aumento do número de utilizadores [dos novos recursos tecnológicos da escola] fez com que a manutenção dos equipamentos se tornasse mais lenta, visto que o número de solicitações também aumentou”. Apesar disso, a directora da Escola Secundária Serafim Leite garante: “Para a gestão pedagógica das turmas, a implementação de aplicações informáticas de registo das actividades veio facilitar o trabalho dos professores, em particular daqueles que exerceram a Directoria de Turma”.

No que se refere aos novos recursos no âmbito da segurança, como o sistema de videovigilância e os cartões electrónicos para identificação dos alunos e pagamento de despesas internas, Irene Guimarães também realça “a diminuição de casos de pequenos furtos, [uma vez que] a utilização do cartão magnético fez com que a circulação de dinheiro no interior da escola fosse reduzida”.

Para o novo ano lectivo, a principal recomendação da directora da Serafim Leite prende-se com os Centros de Formação: “Continua a ser urgente que ofereçam formação aos professores para o desenvolvimento de conteúdos a serem utilizados nos quadros interactivos, para que se possa explorar ao máximo as capacidades dos equipamentos”.

No ano lectivo de 2008/2009, a Escola Secundária Serafim Leite – a par da escola André Gouveia, em Évora – foi a primeira a concluir a fase inicial do Plano Tecnológico da Educação. Recebeu para o efeito um investimento de meio milhão de euros, parte do qual foi aplicada em equipamento tecnológico para as 44 salas de aulas da escola: 20 dessas salas passaram a ter quadros interactivos e 24 receberam videoprojectores.

Em cada uma dessas 44 salas há computadores com acesso à Internet – inclusive através de comunicação por voz (VoIP) – e também nos espaços exteriores é possível aceder à Web, uma vez que todo o recinto da escola é servido por uma rede sem fios.

O PTE permitiu também equipar a escola com um sistema de videovigilância de 16 câmaras e atribuir a cada aluno um cartão electrónico que funciona não só como meio de identificação, mas também como forma de pagamento na cantina, na reprografia e no bar. Para o ano lectivo de 2009/2010, que começa a 10 de Setembro, inscreveram-se até agora nesta escola 748 alunos nas aulas diurnas e 133 nas da noite.

Nada disto surpreende. Convenhamos que o PTE tem muitas coisas boas, só não percebo por que não se lembraram de instalar equipamentos de energias renováveis nas escolas. Sempre poupavam na factura da energia e estava bem integrado no Plano Tecnológico.

Será que o programa de painéis solares não é bom para as escolas?

Os logos das parcerias bancárias no “fundo da página” dão uma pista. Esta notícia dá outras!


Esta senhora não aprendeu nada

Julho 26, 2009

Em entrevista ao DN, a ministra da educação confirma a já conhecida insensibilidade para a realidade, um desconhecimento profundo das relações que se vivem na escola, chegando mesmo a mostrar que não conhece o significado da palavra avaliação.

(…)

Mais lento porque os sindicatos dos professores não aceitam essas medidas?
Sim. Na realidade, não aceitam a avaliação. Escudam-se por detrás dos argumentos de modelos deste ou daquele tipo de avaliação, mas o que acontece é mesmo a rejeição da avaliação.

(…)

Esta senhora não distingue o que é avaliação do que são outras coisas que podem ter lugar dentro da avaliação.

Citando um professor que foi marcante no meu percurso: «Avaliar é olhar ao espelho. Quando acordamos e vimos se estamos bonitos ou feios estamos a avaliar.»

A avaliação está no domínio da afectividade, da emoção, da compreensão, do apreço. Basta consultar um dicionário, se não quiser ir mais longe!

Já classificar, categorizar, seleccionar, certificar, entre outros, são processos que podem ter lugar dentro da avaliação e que se servem dela. Mas são coisas diferentes. Todos são necessários, mas no lugar certo e sem se confundirem. A escola não é uma fábrica de parafusos. As relações contam. A conflitualidade e a competitividade doentia não podem lá ter lugar. Mas os professores devem ser distinguidos, não devem ter progressões automáticas, concordo! Mas não misturem tudo. Já que falamos de escola, ao menos aprendam alguma coisa!

Uma pessoa que não compreende isto não pode ser ministro(a) da educação.


Gripe e realidade escolar

Julho 20, 2009

Não quero complicar, mas, assim de repente, surgem-me algumas questões perante esta notícia do jornal i onde se diz que «os professores vão dar aulas em casa se a pandemia atingir escolas».

Eu sei que é um plano de contigência (e ainda bem que existe). Sei que nem tudo funcionará a 100%. Sei que os portugueses são especialistas do desenrasca. Mas, ainda assim, será que é possível responder a estas perguntas?

  • Como fazer com os professores que não têm ligação à Internet em casa?
  • E com aqueles que não sabem utilizar a Internet?
  • E com os alunos? No caso dos Magalhães (1º ciclo) não é obrigatória a subscrição da ligação á Internet. A partir daí (do 2º ciclo ao secundário) apenas alguns alunos aderiram ao programa e-escolas. Muitos outros não têm computador ou Internet. Já agora, gostaria de saber qual a percentagem de alunos que aderiram ao programa e-escolas!
  • E em disciplinas como Educação Física, estão dispensados alunos e professores?
  • Quanto a experiências laboratoriais (Biologia, Física, Química, etc.), há dispensa?

Quanto aos lenços de papel e às lavangens de mãos frequentes, estou curioso para ver as mudanças nas escolas. Das que conheço, poucas têm papel higiénico ou sabonete disponível para os alunos.

E quanto àquelas [escolas] que estão em obras durante o próximo ano lectivo mas a funcionar “em pleno”?

Pode parecer, mas nada disto é pessimismo. Espero que tudo funcione bem. É bom que todas as questões (estas e muitas outras) apareçam antes. Depois poderá ser tarde!


Não me apetece, mas…

Julho 17, 2009

Estou farto, fartinho, fartíssimo deste assunto – da avaliação de professores. Não me apetece falar mais nele. Mas ainda faço este esforço. Espero ser a última vez! Chegámos a um ponto em que não há palavras para descrever a situação: ridícula, kafkiana, aberrante, caótica, estúpida, hedionda, o que quiserem!

Neste momento, em que todas as forças políticas perceberam o ?????? (substituir pela palavra mais estranha que encontrarem) da situação, vem o ministério da educação (com letra minúscula: íssima) dizer que a avaliação simplificada foi prolongada por tempo indeterminado.

Para o PSD é a “confissão do desastre da política educativa“. Para o BE é um “erro trágico“. A FENPROF diz-se “chocada“. A FNE precisa de tempo para “analisar”, mas não tem muito por onde analisar – garanto. As posições do CDS e do PCP não devem divergir muito desta linha. Amanhã (hoje) saberemos.

Reparem que nem o vigoroso ministro dos assuntos parlamentares, Augusto Santos Silva – apelidado de ideólogo do regime, sempre pronto a defender aguerridamente as posições do trio de ataque do ME, se manifesta.

Isto tudo depois do relatório da OCDE, desta vez verdadeiro, não apenas uma coisa a fingir que é mas não é. Um relatório suavemente demolidor do modelo de avaliação em vigor, que ainda assim tem uma ou duas frases elogiosas ao ME, frases estas que os senhores da 5 de Outubro fazem questão de destacar.

Bom, depois de tudo isto chego a uma conclusão: excluindo os camaleões (que não são tão poucos quanto isso e que até são capazes de jurar que o vinho tinto é branco se isso lhes trouxer – ou parecer trazer – algumas benesses), restam umas poucas dezenas de convictos militantes do PS a defender esta avaliação e mais uns poucos milhares de cidadãos. Este últimos dividem-se em dois grupos:

  • os que por algum tipo de ressabiamento – sem querer fazer psicanálise colectiva – talvez tenham algum recalcamento com a escola;
  • os que pararam naquela parte em que pensam que os professores não querem ser avaliados e que a questão se resume a avaliar ou não avaliar.

Com isto tudo estou… pode ser entorpecido!?

Amanhã escolho outra [palavra]!


Da formação de professores – parte 2

Julho 8, 2009

Depois deste meu post a propósito da formação de professores, encontro aqui o relato de um outro problema muito comum, não apenas no domínio da filosofia.

Uma das necessidades que sinto como professor é a de formação na minha área científica. Ela é não só rara como obrigatória. Sou daqueles que de bom grado pagaria a formação se ela aparecesse. Como raramente aparece vou fazendo formação em áreas que pouco ou nada adiantam à minha prática lectiva e em quase nada me tornam melhor profissional. Esta semana quando me dirigi ao quadro de propostas de formação para este final de ano lectivo, a oferta era muito reduzida. Em filosofia nenhuma havia. Poucas ou nenhumas existiam em outras áreas científicas, como física, biologia ou história. A quase totalidade da oferta é em áreas de pedagogia romântica ou artes e ofícios (pintar azulejos, etc.) e em Educação Física (quase todas versando pouco em educação física propriamente dita, mas em pequenas actividades práticas). Mas vi duas que me despertaram a atenção. É certo que uma delas é destinada a professores de Educação Física, mas a outra (não me lembro bem qual das duas) é destinada a todos os docentes. Vale a pena observar os títulos e pensar um pouco o que raio vai fazer um professor de filosofia ou matemática a formações com os títulos que a seguir transcrevo:<

“Salto à corda, um salto para a saúde”
“Escalada – propostas de abordagem pedagógica no contexto escolar”

Confesso gostar especialmente da segunda. Deixa-me a pensar que o uma vez chegado o verão posso sempre inventar uma actividade como:

“Beber Cerveja na esplanada aqui ao lado: subsídios para a compreensão ôntico- epistemológico da circunstância metafísica do existir”

Ou então

“Introdução ao tremoço em contexto da docência centrada na bipolaridade ensino- aprendizagem”

Não sei que pensar. Aceitam-se sugestões.

O que pensar, pergunto eu também?


Extinção das DREs?

Julho 5, 2009

Ontem, em conversa descontraída com familiares, defendi esta posição: a inutilidade das direcções regionais de educação.

Coincidência, leio agora um texto do Ramiro Marques, no blog ProfAvaliação, que defende precisamente isso.

E se as DREs fossem extintas?

Quando eu comecei a leccionar, no ano lectivo lectivo de 1974/75, não havia direcções regionais de educação. Durante muitos anos, os conselhos directivos relacionavam-se directamente com as estruturas centrais do Ministério da Educação. A autonomia pedagógica era muito grande. Respirava-se liberdade e criatividade nas escolas. O trabalho colaborativo era intenso. A amizade, a alegria e o entusiasmo reinavam nas escolas. E os alunos aprendiam. O currículo era mais curto, os períodos de pausa mais extensos, a carga horaria semanal dos alunos mais pequena. Os que dizem que, nessa altura, se ensinava pouco façam a prova dos nove: dêem os testes do final dos anos 70 aos alunos de agora e vejam as diferenças. Comparem os testes. Os testes eram bem mais difíceis. Os alunos aprendiam mais. Os professores amavam a profissão. Os pais respeitavam os professores. A violência na escola não existia. Estou a falar do final da década 70 e da primeira metade da década de 80. Quando o ME criou as estruturas regionais de controlo político e burocrático – as DREs -, tudo começou a complicar-se. As escolas e os professores foram inundados de burocracia, formalismos, instruções, regulamentos, exigências de planos disto e daquilo, relatórios assim e assado. O centralismo curricular e pedagógico cresceu ano após ano, atingindo a mais completa insanidade nos últimos quatro anos. Ensinar tornou-se, pouco a pouco, um suplício. A alegria deu lugar à tristeza. O entusiasmo à desmotivação. Os professores e as escolas não precisam de burocratas que os vigiem e atirem para cima deles exigências burocráticas que fazem perder tempo e não geram mais-valias. Deixem respirar as escolas. Livrem os professores da burocracia e dos burocratas.
A extinção das DREs impõe-se. Seria um alto serviço prestado às escolas. Os milhares de técnicos, psicólogos, juristas, sociólogos, administrativos, técnicos de informática e de documentação que enchem os gabinetes e os corredores das DREs seriam distribuídos pelas escolas. Passariam a estar ao serviço dos produtores. Deixariam de passar o tempo a chatear quem ensina.

O texto está muito bom e concordo com a substância. Não me importava de ter sido eu a escrevê-lo, com duas reservas:

  1. Acho que a “prova dos nove” apresentada é mesmo dos nove. Não é uma prova real. A realidade era diferente e os alunos de então não estavam sujeitos aos mesmos estímulos. Basta pensar na forma como se acedia à informação e à quantidade de informação disponível nos anos 70 em contraste com os dias de hoje;
  2. A segunda reserva prende-se com a integração dos funcionários das DREs nas escolas. Até poderia ser, mas apenas de forma criteriosa e analisando cada caso. Teria de ser feita numa perspectiva de utilidade para as escolas e para o serviço educativo, nunca como uma mera distribuição de lugares disponíveis.

Voto a favor

Julho 1, 2009

Eu voto a favor, sem reservas.

Os professores a quem for atribuído Excelente devem ficar com as turmas mais difíceis da escola. Documento apresentado ao Conselho Pedagógico

Ao Conselho Pedagógico

Ser-se avaliado em Professor Excelente não é a mesma coisa que ser-se um excelente professor.
E não é fácil, um professor ser avaliado em EXCELENTE!
É difícil, muito difícil mesmo e, numa escala de valores, ser EXCELENTEé ainda mais do que ser-se MUITO BOM. Eu disse mesmo M-U-I-T-O–B-O-M; não disse BOM.
Ser-se portanto EXCELENTE é o mesmo que ser-se perfeito, distinto, notável, admirável, brilhante, magnífico, óptimo. São sinónimos que o qualificam extraordinariamente, que o qualificam como O MELHOR de entre aqueles que já sãoMUITO BONS.
Tal como o Ministério preconiza, os professores titulares têm obrigação de ter as maiores responsabilidades nas escolas porque os considera melhores que os outros; então, também deve caber aos professores EXCELENTES serem os mais responsáveis em todo o processo ensino/ aprendizagem e em todas as funções e tarefas do contexto escolar.
E se um professor titular, de acordo com o ministério, já é do melhor que existe numa escola, então, um professor TITULAR EXCELENTE é muito mais! Além de distinto, perfeito, admirável, notável, brilhante, magnífico e óptimo, ainda tem mais um atributo: ser TITULAR. Este título não é para muitos!
E, mesmo, ser-se apenas EXCELENTE já haverá poucos, muito poucos!
Posto isto, gostaria de propor para análise aos colegas deste Conselho Pedagógico o seguinte: aos professores que, nesta fase, forem avaliados em EXCELENTE, sejam eles titulares ou não, deverão, a partir do próximo ano lectivo, leccionar as turmas mais «difíceis» da escola, bem como direcções de turma e cursos que só eles, pelas suas reconhecidas qualidades evidenciadas neste rigoroso processo que tem sido a avaliação de desempenho docente, serão capazes de resolver ou minimizar problemas da melhor forma, contribuindo, assim, para que a escola seja também melhor. O rigor desta avaliação deu-lhes esse direito. É por isso que vão ser beneficiados na pontuação para concursos, no concurso para titulares, em prémios pecuniários, … É por serem EXCELENTES, por serem os MELHORES DOS MELHORES, por serem perfeitos, distintos, notáveis, admiráveis, brilhantes, magníficos e óptimos que devem mostrar aos outros como se deve fazer.
Não é pois justo nem razoável que a escola deixe escapar este capital de conhecimentos mantendo os restantes professores com turmas difíceis e funções e tarefas complicadas, aparentemente bons professores, é verdade, mas incapazes de evidenciar os dotes que, em rigor, os professores EXCELENTES foram capazes de demonstrar nesta avaliação criteriosa dirigida ao desempenho de cada docente.
Certo da melhor atenção dos colegas e consciente da importância desta análise, solicito que, após reflexão devida, esta proposta baixe aos Departamentos e deles seja considerado o conjunto de opiniões formuladas.

Francisco Teixeira Homem, professor titular

(Texto recebido por email. Obrigado, Adriano.)
Disponível no blog ProfAvaliação.