Mulheres, revoltem-se

Julho 28, 2010

Mulheres, revoltem-se. Homens, revoltem-se também. Revoltem-se todas as pessoas contra as injustiças e discriminação.

Num documento divulgado recentemente, o Vaticano colocou ao mesmo nível a pedofilia e a ordenação de mulheres. Vindo de uma instituição com a importância e o peso da igreja católica, considero esta decisão torpe como uma das mais discriminatórias a que assisti nos últimos tempos. Anos de luta pela igualdade de direitos entre homens e mulheres, assistimos agora, uma década após o início do século XXI, a um adensar da discriminação entre géneros patrocinada por aqueles que deveriam ser os maiores defensores da justiça, da paz e da igualdade.

Opções como esta, só as consigo entender como uma forma desesperada de manutenção de um poder perverso e mesquinho.

Não há paciência.

Talvez a melhor forma de revolta seja não fazer nada, mesmo nada. O desgaste e o descrédito que, estou certo, decisões como estas provocarão na igreja, farão o seu caminho.


Um só mundo

Julho 22, 2010

“Um só mundo” é o título do livro cuja leitura estou a iniciar. Peter Singer, o autor, é conhecido e reconhecido como um dos mais importantes filósofos morais do planeta. Com uma obra vasta, é de leitura incotornável para quem se preocupa com a moral e com a ética em tempo de globalização.

Para mim, este livro significa, em grande parte, a confirmação do modo como o mundo e a humanidade deveriam ser encarados. Todas as construções que levam à guerra ou a outras formas de sofrimento humano baseiam-se numa divisão artificial, que para o caso, diferenças geográficas, políticas, linguísticas ou outras à parte, chamamos país, pátria ou estado-nação. É com base neste(s) conceito(s), artificial e transitório (que muitos, entre políticos e cidadãos, se convenceram ser natural e definitivo), que se justificam as maiores injustiças e atentados à humanidade e ao planeta.

Ao ler este livro sinto-me em casa. Para abrir o apetite à leitura…

Segundo alguns pontos de vista da nacionalidade, pertencer à mesma pátria é como ser de uma espécie de versão alargada da mesma família. (pág. 228)

No século v antes da era cristã, o filósofo chinês Mozi, horrorizado com a devastação provocada pela guerra no seu tempo, perguntou: «Qual é a via para o amor universal e o benefício mútuo?» E respondeu à sua própria pergunta: «É considerar os países dos outros como o nosso próprio país.» Diz-se que o antigo iconoclasta grego Diógenes, quando lhe perguntaram de que país era oriundo, afirmou: «Sou um cidadão do mundo.» No final do século XX, John Lennon cantou que não é difícil «Imaginar que não há países [...]/Imaginar que todas as pessoas/Partilham todo o mundo». (pág. 263).

Como é bom sonhar e ter utopias.


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