Após a recente polémica sobre as declarações de José Saramago acerca da Bíblia, decidi iniciar uma leitura protelada há algum tempo. Da Bíblia, claro está. Comecei pelo Evangelho segundo Mateus, do Novo Testamento.
Sobre o (em minha opinião) omnipresente maniqueísmo e a tendência para encaixar tudo em termos de “bem” ou de “mal”, deixo algumas passagens a que gostaria de voltar mais tarde.
«Ninguém pode servir a dois patrões: ou não gosta de um deles e estima o outro, ou há-de ser leal para um e desprezar o outro. Não podem servir a Deus e ao dinheiro.»
Também me parece interessante a discussão sobre a “carga” machista que encontrei em várias passagens, como esta:
«Também foi dito: Todo o homem que se divorciar da sua mulher deve passar-lhe uma declaração. Mas eu digo-vos: Todo o homem que se divorciar da sua mulher, excepto no caso de adultério, é culpado de a expor ao adultério. E o homem que casar com ela também comete adultério.»
E porque alguém falou no pior da natureza humana:
«Todo aquele que se declarar a meu favor diante dos homens, também eu farei o mesmo por ele diante do meu Pai que está nos céus. Mas àquele que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante do meu Pai que está nos céus.»
«Não pensem que vim trazer a paz à Terra. Não vim trazer a paz, mas a guerra. Vim, de facto, trazer a divisão entre filho e pai, filha e mãe, nora e sogra: os inimigos de uma pessoa serão os da sua própria família.
Aquele que amar o pai ou a mãe mais do que a mim, não é digno de mim; e o que amar o filho ou a filha mais do que a mim, não é digno de mim. Aquele que não pegar na sua cruz e não me seguir, não é digno de mim. Aquele que pensa que tem a sua vida segura, perde-a, mas aquele que me perder a sua vida por minha causa é que a tem segura.»
A outra parte da discussão que me interessa, passa pelo que deve e pelo que não deve ser interpretado literalmente na Bíblia. Se durante séculos foi feita pela Igreja uma interpretação literal, porque não a poderemos fazer agora? Mas se a interpretação literal não é aconselhada, abre-se o campo a todo um universo de subjectividades. Quem dita aquelas que serão válidas?
Publicado por João Sá
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