Não me apetece, mas…

Julho 17, 2009

Estou farto, fartinho, fartíssimo deste assunto – da avaliação de professores. Não me apetece falar mais nele. Mas ainda faço este esforço. Espero ser a última vez! Chegámos a um ponto em que não há palavras para descrever a situação: ridícula, kafkiana, aberrante, caótica, estúpida, hedionda, o que quiserem!

Neste momento, em que todas as forças políticas perceberam o ?????? (substituir pela palavra mais estranha que encontrarem) da situação, vem o ministério da educação (com letra minúscula: íssima) dizer que a avaliação simplificada foi prolongada por tempo indeterminado.

Para o PSD é a “confissão do desastre da política educativa“. Para o BE é um “erro trágico“. A FENPROF diz-se “chocada“. A FNE precisa de tempo para “analisar”, mas não tem muito por onde analisar – garanto. As posições do CDS e do PCP não devem divergir muito desta linha. Amanhã (hoje) saberemos.

Reparem que nem o vigoroso ministro dos assuntos parlamentares, Augusto Santos Silva – apelidado de ideólogo do regime, sempre pronto a defender aguerridamente as posições do trio de ataque do ME, se manifesta.

Isto tudo depois do relatório da OCDE, desta vez verdadeiro, não apenas uma coisa a fingir que é mas não é. Um relatório suavemente demolidor do modelo de avaliação em vigor, que ainda assim tem uma ou duas frases elogiosas ao ME, frases estas que os senhores da 5 de Outubro fazem questão de destacar.

Bom, depois de tudo isto chego a uma conclusão: excluindo os camaleões (que não são tão poucos quanto isso e que até são capazes de jurar que o vinho tinto é branco se isso lhes trouxer – ou parecer trazer – algumas benesses), restam umas poucas dezenas de convictos militantes do PS a defender esta avaliação e mais uns poucos milhares de cidadãos. Este últimos dividem-se em dois grupos:

  • os que por algum tipo de ressabiamento – sem querer fazer psicanálise colectiva – talvez tenham algum recalcamento com a escola;
  • os que pararam naquela parte em que pensam que os professores não querem ser avaliados e que a questão se resume a avaliar ou não avaliar.

Com isto tudo estou… pode ser entorpecido!?

Amanhã escolho outra [palavra]!


Controlo dos media

Julho 17, 2009

Vale a pena discutir este assunto, nem que seja para se chegar à conclusão que não há qualquer tentativa de controlo. É sério demais para passar despercebido.

A TSF muda editores e estuda nova programação.Todavia substituíram Teresa Dias Mendes , uma voz inconfundível que entrava pelas nossas casas e automóveis nos seus excelentes noticiários durante o dia. Ela foi protagonista de um episódio durante a campanha para as eleições europeias – o conteúdo de uma peça jornalista foi questionado por José Sócrates que não gostou. Essa peça referia-se a questões entre o Primeiro-Ministro e o dirigente da Fenprof , Mário Nogueira . Era aludido que Mário Nogueira estava a ser manipulado ! José Sócrates e Teresa Dias Mendes chegaram a trocar palavras directamente num jantar de campanha depois da pressão feita pelo gabinete de José Sócrates.
A sua substituição não foi imediata , pois dava muito nas vistas. Não convém ter jornalistas que façam oposição e questionem José Sócrates , mais ainda que a TSF tem muita audiência e é uma referência .Quem é afinal fascista ? O Salazar à beira destes senhores é um aprendiz…Maneira encapuçada de fazer pressão e arrumar com alguém que não faz , não diz o que eles querem e questiona o que se passou. Caça às bruxas de uma forma subtil e souplesse . Na altura não se faz nada e na primeira ocasião contorna-se o problema e faz-se umupgrade , assim foi tentado na TVI , mas José Eduardo Moniz é o director da estação , não é um editor . Democratas sim , enquanto ninguém disser mal de nós , de outra forma trata-se de os anular.

Texto publicado no Clube dos Pensadores e discutido no “Do Portugal Profundo”.