Da formação de professores – parte 2

Depois deste meu post a propósito da formação de professores, encontro aqui o relato de um outro problema muito comum, não apenas no domínio da filosofia.

Uma das necessidades que sinto como professor é a de formação na minha área científica. Ela é não só rara como obrigatória. Sou daqueles que de bom grado pagaria a formação se ela aparecesse. Como raramente aparece vou fazendo formação em áreas que pouco ou nada adiantam à minha prática lectiva e em quase nada me tornam melhor profissional. Esta semana quando me dirigi ao quadro de propostas de formação para este final de ano lectivo, a oferta era muito reduzida. Em filosofia nenhuma havia. Poucas ou nenhumas existiam em outras áreas científicas, como física, biologia ou história. A quase totalidade da oferta é em áreas de pedagogia romântica ou artes e ofícios (pintar azulejos, etc.) e em Educação Física (quase todas versando pouco em educação física propriamente dita, mas em pequenas actividades práticas). Mas vi duas que me despertaram a atenção. É certo que uma delas é destinada a professores de Educação Física, mas a outra (não me lembro bem qual das duas) é destinada a todos os docentes. Vale a pena observar os títulos e pensar um pouco o que raio vai fazer um professor de filosofia ou matemática a formações com os títulos que a seguir transcrevo:<

“Salto à corda, um salto para a saúde”
“Escalada – propostas de abordagem pedagógica no contexto escolar”

Confesso gostar especialmente da segunda. Deixa-me a pensar que o uma vez chegado o verão posso sempre inventar uma actividade como:

“Beber Cerveja na esplanada aqui ao lado: subsídios para a compreensão ôntico- epistemológico da circunstância metafísica do existir”

Ou então

“Introdução ao tremoço em contexto da docência centrada na bipolaridade ensino- aprendizagem”

Não sei que pensar. Aceitam-se sugestões.

O que pensar, pergunto eu também?

5 Respostas para “Da formação de professores – parte 2”

  1. Sónia Duarte Diz:

    O título de uma acção é a cara da mesma. Isso vale o que vale. Não podemos julgar a acção, como não podemos julgar as pessoas só pela cara que têm. Na minha opinião, a primeira proposta, por cair num jogo de palavras previsível, desagrada-me e não me inspira muita “confiança”, mas a segunda não me provoca qualquer reparo. Poderia perfeitamente substituir o conteúdo “escalada” por um conteúdo de outra área disciplinar, por exemplo “as orações relativas” e não só me pareceria igualmente sério, como ainda mais atraente. Para mim, o problema está no que se aprende e no que se faz e haverá acções que valem menos que ir para a esplanada beber cervejas e comer tremoços, mas isso avalia-se pelo programa, pelos pré-requisitos, pela bibliografia, pela metodologia proposta, pelos recursos, pelo percurso profissional e publicações dos formadores… não só pelo nome – que é do que unicamente aqui se fala.

  2. João Sá Diz:

    Sónia, concordo com o que dizes. Isso apenas implicaria algum cuidado na escrita do post para salvaguardar essas situações, o que o tornaria necessariamente mais longo. Penso que todos sabemos distinguir o trigo do joio e sabemos que não é [apenas] o nome que determina a qualidade da formação.

    Quanto ao “programa” aos “pré-requisitos”, onde será que eu li isso? ;)

  3. MAMFA Diz:

    Adoro as tuas sugestões, confesso que gosto das duas:

    “Beber Cerveja na esplanada aqui ao lado: subsídios para a compreensão ôntico- epistemológico da circunstância metafísica do existir”

    Ou então

    “Introdução ao tremoço em contexto da docência centrada na bipolaridade ensino- aprendizagem”

    Confesso gostar especialmente da tua primeira sugestão. Deixa-me a pensar que o uma vez chegado o verão, adoro uma cerveja bem fresquinha. :)

  4. MAMFA Diz:

    quanto aos pre-requesitos,recomendo, terem feito o pré-estágio, em Lisboa após a ultimá manifestação :)

  5. João Sá Diz:

    As sugestões são boas, mas não são minhas.
    O texto foi retirado de outro blog, como referenciado pelo link.

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