Ontem, em conversa descontraída com familiares, defendi esta posição: a inutilidade das direcções regionais de educação.
Coincidência, leio agora um texto do Ramiro Marques, no blog ProfAvaliação, que defende precisamente isso.
E se as DREs fossem extintas?
Quando eu comecei a leccionar, no ano lectivo lectivo de 1974/75, não havia direcções regionais de educação. Durante muitos anos, os conselhos directivos relacionavam-se directamente com as estruturas centrais do Ministério da Educação. A autonomia pedagógica era muito grande. Respirava-se liberdade e criatividade nas escolas. O trabalho colaborativo era intenso. A amizade, a alegria e o entusiasmo reinavam nas escolas. E os alunos aprendiam. O currículo era mais curto, os períodos de pausa mais extensos, a carga horaria semanal dos alunos mais pequena. Os que dizem que, nessa altura, se ensinava pouco façam a prova dos nove: dêem os testes do final dos anos 70 aos alunos de agora e vejam as diferenças. Comparem os testes. Os testes eram bem mais difíceis. Os alunos aprendiam mais. Os professores amavam a profissão. Os pais respeitavam os professores. A violência na escola não existia. Estou a falar do final da década 70 e da primeira metade da década de 80. Quando o ME criou as estruturas regionais de controlo político e burocrático – as DREs -, tudo começou a complicar-se. As escolas e os professores foram inundados de burocracia, formalismos, instruções, regulamentos, exigências de planos disto e daquilo, relatórios assim e assado. O centralismo curricular e pedagógico cresceu ano após ano, atingindo a mais completa insanidade nos últimos quatro anos. Ensinar tornou-se, pouco a pouco, um suplício. A alegria deu lugar à tristeza. O entusiasmo à desmotivação. Os professores e as escolas não precisam de burocratas que os vigiem e atirem para cima deles exigências burocráticas que fazem perder tempo e não geram mais-valias. Deixem respirar as escolas. Livrem os professores da burocracia e dos burocratas.
A extinção das DREs impõe-se. Seria um alto serviço prestado às escolas. Os milhares de técnicos, psicólogos, juristas, sociólogos, administrativos, técnicos de informática e de documentação que enchem os gabinetes e os corredores das DREs seriam distribuídos pelas escolas. Passariam a estar ao serviço dos produtores. Deixariam de passar o tempo a chatear quem ensina.
O texto está muito bom e concordo com a substância. Não me importava de ter sido eu a escrevê-lo, com duas reservas:
- Acho que a “prova dos nove” apresentada é mesmo dos nove. Não é uma prova real. A realidade era diferente e os alunos de então não estavam sujeitos aos mesmos estímulos. Basta pensar na forma como se acedia à informação e à quantidade de informação disponível nos anos 70 em contraste com os dias de hoje;
- A segunda reserva prende-se com a integração dos funcionários das DREs nas escolas. Até poderia ser, mas apenas de forma criteriosa e analisando cada caso. Teria de ser feita numa perspectiva de utilidade para as escolas e para o serviço educativo, nunca como uma mera distribuição de lugares disponíveis.
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