Ainda a Jaguar

Abril 30, 2009

jaguar_logoDepois de ter escrito isto e isto, ainda escrevo isto…

A comparação que a ministra da educação fez entre alunos e a marca de automóveis Jaguar foi realmente infeliz. Por ironia do destino, parece que até a Jaguar está com dificuldades. E eu até nem sabia que a Jaguar Land Rover é propriedade da indiana Tata!


Parlamento Europeu fez-me sentir…

Abril 30, 2009

…como uma mulher, por causa deste comunicado de imprensa onde diz:

(…)

Os professores são uma peça essencial para uma escola de qualidade e, como tal, devem ser-lhes oferecidos “níveis de reconhecimento social, estatutos e remunerações condizentes com a importância das suas funções”, defende o Parlamento Europeu na resolução “Melhores escolas: Uma agenda para a cooperação europeia”.

Os resultados positivos do ensino dependem, segundo o documento, do “respeito assegurado à autoridade dos professores”. Os professores devem ainda reflectir a diversidade da sociedade, o que se traduz, por exemplo, na necessidade de atrair mais homens para a docência.

(…)

Será que os homens também vão passar a precisar de quotas?


Aniversário

Abril 30, 2009

Hoje faço 1 ano desde o primeiro post.


Um mundo sem memória?

Abril 29, 2009

Somos a memória que temos, sem memória não saberíamos quem somos“, diz José Saramago.

Mas diz também que a nossa memória, “a julgar por informações recentíssimas, está pura e simplesmente em risco de desaparecer“.

Parece que “Segundo essas informações, publicadas em revistas científicas tão respeitáveis como a Nature e a Learn Mem, foi descoberta uma molécula, denominada ZIP (pelo nome não perca), capaz de apagar todas as memórias

Isto não vos faz lembrar nenhum filme de ficção científica? Para o bem e para o mal a ciência não pára. Como todas as descobertas fabulosas esta é daquelas que têm um grande potencial. Para o bem e para o mal!

Dá que pensar.


Jaguar

Abril 28, 2009

A propósito deste meu post, onde referi a comparação que a ministra da educação fez entre os alunos e os automóveis da marca Jaguar, ouço agora um excelente relato de Fernando Alves no programa Sinais da TSF sobre a mesma infeliz comparação.

A ouvir:



Poderão os números ser uma febre?

Abril 27, 2009

Diz o JN:

Polícias têm de prender para cumprir números

Várias esquadras do país estão a impor “números-base” de detenções a fazer até ao fim do ano. Os polícias queixam-se de que assim só trabalham para as estatísticas. A Direcção da PSP prefere falar em prevenção da criminalidade.

“Maior actividade operacional. Objectivo: 250 detenções”. As instruções são claras e constam num um papel afixado na 2ª Esquadra de Investigação Criminal da PSP do Porto (Rua da Boavista). O documento, datado de Fevereiro, estabelece as metas a cumprir nos restantes dez meses do ano.

(…)

Previna-se quem vive numa zona com pouca criminalidade. Para cumprir objectivos, quem sabe se [nós, os inocentes,] não seremos também alvo de detenção.

Porque é que esta lógica [dos números] está a alastrar a praticamente todos os sectores profissionais? Arrisco uma resposta. Porque é fácil, porque vivemos numa sociedade de facilitismo e de consumo imediato. Porque é difícil conhecer as pessoas e dá trabalho analisar e procurar compreender as situações. É difícil estar atento e informado. É exigente desenvolver a sensibilidade para a dimensão humana. Assim, resume-se tudo a números e o mundo parece perfeito… Tudo encaixa [nos números], mesmo quando o mais importante fica de fora.


Já é 26 de Abril

Abril 26, 2009

abril

Porque todos os dias servem para dar continuidade aos valores defendidos e conquistados em 25 de Abril de 1974.


Sim, grande chefe

Abril 24, 2009

“Sim, grande chefe”, deve ter sido a resposta da ministra da educação, Maria de Lurdes Rodrigues (MLR), ao grande primeiro ministro José Sócrates quando este se lembrou que podia cumprir mais uma promessa anunciada no programa do governo. Refiro-me ao alargamento da escolaridade obrigatória até ao 12.º ano. Afinal, era ela que dizia em Setembro passado que esse alargamento seria um erro… Mas em 7 meses (logo sete) muita coisa muda!

Já que os 150 mil empregos ficaram pelo caminho, que os 300 mil idosos a retirar da pobreza se ficaram pelos 192 mil, que o inglês para todos foi cumprido mas à margem do currículo e sem avaliação (para não referir a precariedade dos professores), que o cartão único está aí mas eu ainda não o tenho nem conheço ninguém que o tenha, vamos lá cumprir esta que até serve para castigar as escolas, os professores e os alunos que querem um ensino sério e a sério.

Mas mudando de tónica sem abandonar o tema, na notícia áudio dada pela TSF, MLR diz o seguinte:

“Eu não consigo entender porque é que a qualidade tem que ser inimiga da quantidade.”

Certo. Concordo e parece-me consensual.

Mas MLR disse logo a seguir:

“Nós produzimos, por exemplo, jaguares em grande quantidade e são todos de óptima qualidade.

Não é por produzirmos mais um ou mais dois que eles pioram a sua qualidade.”

Errado! Esta afirmação (e o pensamento que revela) é inaceitável em alguém que ocupa o cargo de ministro(a) da educação(a) pois mostra uma tremenda insensibilidade para o que é a escola. Produzir parafusos (ou jaguares) não é o mesmo que formar pessoas. Uma escola não é uma fábrica. Se numa fábrica podemos substituir uma máquina ou um tapete rolante por outros mais rápidos, quando falamos de pessoas isso não acontece. Mas é este o espírito que está por detrás de praticamente todas as medidas deste governo, não apenas na educação.

Claro que é desejável e deve ser um objectivo de todos alargar a escolaridade. Mas não com ilusões nem medidas meramente administrativas (ou legislativas). Obrigar alguns alunos a permanecer na escola durante mais três anos significa acender um fósforo num barril de pólvora. Só quem não vive de perto determinadas realidades não compreende isso. Infelizmente, para muitos alunos, pelas mais variadas razões, a escola não lhes diz nada. É isso que é preciso mudar. Depois de preparar as famílias e o ambiente social, de valorizar a escola e os professores, aí sím, será possível alargar a escolaridade com sucesso. Obrigatória ou não, pouco importa.


Até o WC educa

Abril 21, 2009

wcOntem, ao final do dia, entrei num WC destinado aos alunos. Normalmente frequento o WC mais próximo, sem me preocupar se está etiquetado “para alunos”, “para professores”, “para funcionários”, “para visitantes” ou para qualquer outra individualidade! Para mim todos se destinam a pessoas.

Nesse WC, dessa escola (não interessa qual, até porque agora que parei para pensar no assunto relembro já ter observado o mesmo noutras), reparei que praticamente todos os cantos tinham teias de aranha. Pelo aspecto e tamanho das ditas, dificilmente alguma terá sido retirada nos últimos meses, ou talvez mesmo anos. Mas nem só teias de aranha caracterizam estes espaços. Pinturas em paredes, portas e janelas são assíduas. Papel higiénico e sabão (ou sabonete) são elementos estranhos. Não me alongo no verbo sobre a necessidade de reparações em sanitários e canalizações que, em alguns casos, são urgentes. Quanto ao cheiro também não arrisco mais palavras. Considerando o tema, as minhas escassas aptidões literárias não me permitirão escrever muito mais sem cair na vulgaridade.

Não tendo intenção de fazer um levantamento sobre as necessidades das instalações sanitárias, pretendo chamar a atenção para o efeito que estes descuidos têm na educação dos jovens. É que o WC é apenas um exemplo. Os sinais encontram-se noutros locais e situações. O que sente alguém num WC limpo e cuidado? E o que sentirá noutro que transpira descuido e desinteresse?

A escola, antes das avaliações, dos directores, das lutas de poder, dos palcos de protagonismo e de tantas outras coisas é um espaço de pessoas, onde muitas dessas pessoas são especiais – estão em formação!

A minha experiência não é representativa mas, infelizmente, são poucas as escolas que conheço onde o cenário é diferente. Conheço outras onde o cenário não se resume às instalações sanitárias dos alunos, mas onde visitas ministeriais motivam limpezas profundas e apressadas. Isto também é a nossa educação.


Exemplos

Abril 20, 2009

São estes os exemplos que recebemos em tempo de crise. Depois venham com a retórica dos custos de manutenção… Como se muda um país com estes vícios? Com greves? Com manifestações? Ficando em casa? Fazendo carreira política? Não se muda?

parlamento

Vídeo completo da reportagem TVI.


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