Há bastante tempo que partilho de duas opiniões referidas neste artigo. Todas as alterações feitas por este ministério ao sistema de ensino público têm dois objectivos:
Poupar dinheiro.
Gerar sucesso estatístico (que é muito diferente, e até contrário, do sucesso real).
Este é o sumo que fica depois de espremer a informação proveninente do ministério da educação – documentos legais, entrevistas, anúncios publicitários, textos na internet, emails, …
Neste artigo de opinião, no jornal Público, Desidério Murcho desenvolve uma terceira tese: de que muitos responsáveis políticos querem implantar nas escolas as suas ideias pretensamente científicas.
Esta terceira possibilidade não é tão óbvia e, embora possível, não é clara. Eu tenho outra hipótese que, da mesma forma, não é tão óbvia e pode estar errada (ao contrário das duas primeiras – sobre as quais não há qualquer dúvida). Trata-se de transformar a escola pública na escola dos pobres, promovendo o ensino privado e, em consequência, os interesses [económicos] de uma minoria.
Os últimos dias do ano são sempre uma boa altura para balanços. Apesar das imagens não serem todas de 2008, este vídeo, que recebi por email, é um contributo para o balanço do ano. A publicação deste vídeo não significa que partilho da perspectiva apresentada, mas é uma possível. A música cai bem (Leonard Cohen).
A parte final não é aconselhável aos mais sensíveis.
Estava agora a assistir ao programa Prós & Contras, na RTP, enquanto Carlos Fiolhais falava sobre a (não) representação dos professores pelos sindicatos. Falou-se, a este propósito, do surgimento de movimentos independentes. Ao seu estilo, Fátima Campos Ferreira afirma de forma monocromática:
…mas os movimentos querem o mesmo que os sindicatos.
(referia-se à suspensão do modelo de avaliação)
Depois de tantos programas sobre educação [por ela moderados], como é possível que continue a ver tudo a preto e branco?