Contemporâneos: salvem os ricos

Dezembro 13, 2008


Vale tudo

Dezembro 13, 2008

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Antes, era surpreendido [negativamente] algumas vezes por mês. Agora, sou-o diariamente, e, às vezes, hora-a-hora.

Desta vez foi o saque (sim, é um verdadeiro saque a trabalhadores honestos e cumpridores) por parte da Direcção-Geral dos Impostos (DGCI). Enviaram uma carta a cerca de 200 mil trabalhadores a recibos verdes. Trata-se de uma multa de 100 euros, acrescida de 24 euros de custos processuais, para quem não tenha entregue em 2006 e 2007 uma declaração de informação contabilística e fiscal. Informação esta que é redundante para quem passa recibos verdes não isentos de IVA e que, por via disso, tem que declarar de três em três meses os rendimentos. Vale tudo. Vale mesmo tudo. Cada dia que passa fico mais indignado com este país. E, para quem não me conhece, até tenho o hábito de ser tolerante!

Mais informação aquiaqui, aqui e aqui.


Liberdade de imprensa

Dezembro 13, 2008

Não tenho palavras. A notícia é do Correio da Manhã.

“Ainda por cima é a RTP a fazer isso”

A cena mostra até que ponto chegaram as relações entre a Comunicação Social e o Governo socialista. A ministra da Saúde, Ana Jorge, foi ao Centro Nacional de Cultura apresentar o plano de combate à sida nas escolas.

Como tem sido hábito neste Governo, o acontecimento tinha a pompa e a circunstância do costume. Acabada a cerimónia, com os inevitáveis discursos da praxe, Ana Jorge pôs-se à disposição dos jornalistas para responder a mais algumas questões sobre aquela matéria. Acontece que Ana Jorge não estava sozinha. Estava acompanhada de Maria de Lurdes Rodrigues, ministra da Educação, que, como se sabe, tem andado na berlinda devido à guerra com os professores.

O jornalista da RTP aproveitou a ocasião e tentou naturalmente fazer uma pergunta a Maria de Lurdes Rodrigues sobre o assunto. Foi então que Ana Jorge saltou indignada com o comportamento do jornalista: ‘O quê? O senhor não sabe o que está combinado? Que hoje só se pode fazer perguntas sobre esta cerimónia e sobre o plano de combate à sida nas escolas? Ainda por cima é a RTP, a televisão pública, a fazer uma coisa destas. E, depois, logo à noite, não sai a reportagem.’ Assim vão a informação e o poder neste País. 

Só não percebo como é que é este senhor (António Ribeiro Ferreira) a escrever esta notícia, quatro dias depois disto.

(Actualização)

A ministra da saúde, Ana Jorge, está disposta a esclarecer o incidente. Mas ainda não o esclareceu…


Medina Carreira e o seu optimismo

Dezembro 13, 2008

No programa Negócios da Semana, da SIC Notícias, Medina Carreira brinda-nos com as suas opiniões.

Sobre educação, a partir do minuto 30 há algo interessante…

Apreciei particularmente a sugestão que Medina Carreira faz, no final, ao jornalista José Gomes Ferreira: “(…) vocês não arranjam um debate entre um optimista e um pessimista prá gente esgrimir aqui (…)”.


Vai assim a nossa saúde

Dezembro 13, 2008

Diz o JN que «Ortopedista abandonou Urgência» e que «O insólito aconteceu, esta quinta-feira, na Urgência do Hospital de Aveiro. O único médico ortopedista, contratado, que estava de serviço, abandonou o serviço, obrigando à transferência de doentes para Coimbra.»

Já consigo imaginar o que dirá o ministério da saúde, ou o governo, caso se dignem a comentar o caso: é um caso isolado. O hospital está a funcionar com toda a normalidade.

Sobre esta outra notícia, também do JN, que diz «Proposta de carreira médica do Ministério da Saúde viola a lei geral». Ilegalidades? Onde? Nem pensar. O governo cumpre sempre a lei!

Mas, em resposta, por qualquer outro motivo, será dito: os médicos, esses, como qualquer português, têm de cumprir a lei. Não me passa pela cabeça que os médicos desrespeitem a lei (ou serão os professores? – ultimamente ando muito confuso – não, talvez sejam os militares!)!

Agora a sério…

Como eu gostava de viver num país sério e a sério! Como eu gostava de viver num país onde a verdade fosse respeitada. Como eu gostava de viver num país onde a política fosse feita ao serviço do povo. Como eu gostava de viver num país onde as estratégias eleitoralistas não contassem. Como eu gostava de viver num país onde os políticos servissem e não se servissem. Como eu gostava de viver num país onde a igualdade fosse uma prioridade. Como eu gostava de viver num país onde o respeito contasse. Como eu gostava…