Mais notícias cor-de-rosa num mundo cinzento

Dezembro 12, 2008

Nunca pensei escrever tantas vezes sobre o sr. (engenheiro) José Sócrates em tão curto espaço de tempo. Mas que hei-de fazer!? Ele aparece em todo o lado!

Veja-se mais esta notícia:

O primeiro-ministro português, José Sócrates, afirmou hoje em Bruxelas que já “há uma boa base de entendimento” dos líderes europeus sobre um plano de relançamento da economia europeia, equivalente a cerca de 200 mil milhões de euros.

Sempre no mesmo tom e com notícias cor-de-rosa (ou azul-bebé, para quem preferir). É um optimismo balofo que já cansa. Eu sei, e defendo, que os líderes devem ser optimistas e promover a confiança. Mas há limites. O optimismo é um estado de espírito e uma atitude que devem ser enquadrados pelo realismo. Neste momento não há optimismo possível (do ponto de vista económico). As soluções optimistas existem, mas estão noutro registo.


2009 mais difícil que 2008

Dezembro 12, 2008

Diz a TSF que o ano de 2009 será mais difícil que 2008. Alguém ainda tinha dúvidas quanto a isso? A notícia, aqui, só pode ser o facto de isto ter sido dito pelo director-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn. Tudo o resto não é novidade.

Este senhor afirmou que «2008 foi um ano difícil para a economia mundial, mas em caso algum podemos esperar que 2009 seja melhor».

A minha opinião (de leigo), assim como as que vou ouvindo de outras pessoas, não diferem em nada. Até acrescentaria que 2010 também será pior que 2009 (do ponto de vista económico).

Mas não é tudo mau. O problema é que nos habituámos a ver o mundo apenas numa perspectiva económica. Onde deixámos a espiritualidade? Onde deixámos a (verdadeira) política? Onde deixámos as ideias? Onde deixámos as artes e a filosofia? Onde deixámos os pequenos prazeres do dia-a-dia e as coisas simples? Onde deixámos a tolerância, o respeito pelo próximo, a solidariedade ou a fraternidade?

Acredito que sem uma mudança profunda de paradigma, onde os números (e o dinheiro – que é um número) deixem de ser reis (ou mesmo deuses), cada ano e cada dia será mais difícil que o anterior. Mas, longe de mim uma visão pessimista ou apocalíptica!

A mudança é possível. A mudança dar-se-á, com mais ou menos sofrimento. Mas não antes de elegermos outro rei (deus) que não os números (onde o dinheiro é só o mais visível).